19/03/2012
Commodities Agrícolas
Pressão da safra A expectativa de uma grande safra do Brasil, o maior produtor e exportador de café, continua a pressionar os preços futuros do grão na bolsa de Nova York. Na sexta-feira, os contratos para maio, vencimento mais negociado, recuaram 295 pontos e fecharam a US$ 1,8235 a libra-peso, o valor mais baixo desde novembro de 2010. Segundo relatório da Hackett Financial Advisors, os preços do café arábica devem atingir mínimas entre US$ 1,50 e US$ 1,75 a libra-peso até meados do ano, período que coincide com a entrada da nova safra brasileira. Entretanto, o mesmo estudo adverte que os valores vão se recuperar no longo prazo, com o desequilíbrio entre oferta e demanda na temporada 2013/14. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq recuou 1,25%, a R$ 382,59 a saca de 60 quilos.
Cobertura de posições Os preços do cacau negociado no mercado futuro de Nova York recuperaram na sexta-feira boa parte das perdas do dia anterior, sustentados por cobertura de posições vendidas. Os contratos para julho subiram US$ 35, a US$ 2.280 por tonelada. O dólar mais fraco também deu suporte ao mercado, disse à Dow Jones Newswires Drew Geraghty, da Icap Futures. Ele espera que os preços da amêndoa continuem a ceder, depois de recuar 6,4% na semana passada em reação a notícias que indicam uma safra melhor do que a esperada na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau. No Brasil, o preço médio da amêndoa negociada em Ilhéus (BA) foi de R$ 67,66 a arroba, aumento de 2% em relação à média do dia anterior, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Demanda chinesa Os contratos futuros de milho subiram na sexta-feira em Chicago, estimulados pelo otimismo com a demanda chinesa. Os papéis com vencimento em maio encerraram cotados a US$ 6,7025 por bushel, alta de 3,25 centavos de dólar. Na sexta-feira, o preço do milho alcançou níveis recordes na China, o que faz crescer a expectativa de mais importações junto aos EUA, disseram analistas ouvidos pela Dow Jones Newswires. Segundo eles, o aperto nos estoques de curto prazo também ajudaram a sustentar os preços da commodity. Tregg Cronin, analista da Country Hedging, chamou a atenção para alta dos preços no mercado físico americano, em regiões como no leste do "cinturão do milho". No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o grão subiu 0,48%, a R$ 29,55 a saca.
Pressão climática O movimento de alta no mercado de milho e as preocupações climáticas com a safra de inverno de trigo nos Estados Unidos fortaleceram as cotações do cereal nas bolsas americanas na última sexta-feira. Em Chicago, os futuros com entrega para maio fecharam o pregão a US$ 6,7725 por bushel, valorização de 4,75 centavos de dólar. Já em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os contratos de mesmo vencimento subiram 0,25 centavo de dólar, a US$ 7,1350 o bushel. Conforme analistas consultados pela Dow Jones Newswires, os riscos à produção de trigo viriam tanto de geadas quanto da falta de chuvas. No mercado do Paraná, o preço médio do cereal pago ao produtor recuou 0,16%, a R$ 24,61 a saca de 60 quilos, conforme levantamento realizado pelo Deral.