Commodities Agrícolas
Contra a maré
Os preços do suco de laranja voltaram a ceder na bolsa de Nova York ontem. Os contratos com vencimento em setembro fecharam em queda de 255 pontos, a US$ 1,1605 por libra-peso, valor mais baixo desde novembro de 2009. Sem novidades quanto aos fundamentos, o mercado deverá continuar a ser influenciado pelo cenário macroeconômico nas próximas semanas, segundo informações da Dow Jones Newswires. Traders e analistas acreditam que a commodity deverá chegar a US$ 1 por libra-peso em breve, pressionada pelo recuo da demanda por conta da crise europeia e da desaceleração econômica na China. No mercado físico paulista, o preço médio pago ao citricultor pela caixa de laranja pera ficou estável em R$ 8,94, segundo levantamento do Cepea/Esalq.
Fundamentos dão o tom
A soja conseguiu recuperar parte do que perdeu na bolsa de Chicago nos últimas dias em função de vendas especulativas e da pressão do cenário macroeconômico. Os papéis para julho fecharam ontem em alta de 26 centavos, a US$ 14,13 por bushel. Previsões que indicam estiagem em regiões produtoras dos EUA nos próximos 15 dias deram novo fôlego aos preços da oleaginosa. "O NOAA, órgão do governo americano que trata do clima, divulgou estatísticas que apontam baixo nível de umidade no subsolo de 45 dos 48 Estados continentais do país. É o 14º ano em que o solo está mais seco nos EUA desde 1895", afirma Francisco Peres, analista da Labhoro Corretora de Mercadorias. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos ficou em R$ 63,82, alta de 1,62%.
Seca nos EUA
A previsão de que uma onda de seca deve atingir as principais regiões produtoras de grãos dos Estados Unidos nas próximas duas semanas colaborou para impulsionar as cotações do milho ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em julho avançaram 14,25 centavos, para US$ 5,9725 por bushel. Foi a maior alta do milho no mês. "Um temporada mais seca que o normal deve colaborar para o aumento das temperaturas durante um período chave para o desenvolvimento das lavouras, entre junho e agosto", afirmou em entrevista à agência Bloomberg o diretor de agronegócios da corretora Archer Financial Services, Greg Grow. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos do grão registrou alta de 0,60%, para R$ 25,12.
Alta expressiva
As cotações do trigo tiveram ontem a maior alta em seis semanas em Chicago. Os contratos para julho subiram 10,25 centavos, a US$ 6,0850 por bushel. Em Kansas, os papéis de igual vencimento avançaram 12,75 centavos, para US$ 6,4325 por bushel. Segundo a Dow Jones Newswires, há previsão de estiagem para as regiões produtoras do cereal na Austrália, na Rússia, na China, na Europa e nos EUA. Dados divulgados na segunda-feira pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontam uma redução na quantidade de lavouras de trigo do país avaliadas como boas ou excelentes - de 60% na semana anterior para 52% atualmente - e evidenciam o impacto do clima na safra americana. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para a tonelada negociada no Paraná subiu 0,02%, para R$ 482,60.