31/05/2012
Commodities Agrícolas
Influência cambial
A valorização do dólar ante o real teve particular influência na formação de preços do café ontem em Nova York. Os papéis com entrega em setembro caíram 110 pontos, para US$ 1,6680 por libra-peso. "No entanto, se convertido em reais por libra-peso, ou mesmo na moeda colombiana, o valor do grão arábica ainda está entre 15 e 20 centavos mais alto que os valores mais baixos vistos este ano", afirmou Rodrigo Costa, da Caturra Coffee, à agência Dow Jones Newswires. A colheita da safra 2012/13 teve início em maio no Brasil (maior fornecedor global de café), o que colabora para o recuo nas cotações, diante da produção recorde esperada no país, de mais de 50 milhões de sacas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos ficou em R$ 376,59, alta de 0,14%.
Excesso de oferta
O algodão teve o segundo pregão seguido de perdas ontem na bolsa de Nova York. Os contratos para outubro sofreram queda de 112 pontos, para 71,59 centavos de dólar por libra-peso. Traders não enxergam como os preços poderão voltar a subir, em razão do excesso de oferta global da fibra. "Alguns dizem que o piso pode ser de 60 centavos de dólar por libra-peso, mas eu não estou tão pessimista ainda", disse Don Shurley, economista da Universidade da Georgia, à agência Dow Jones Newswires. "No entanto, seria difícil de argumentar contra um eventual nível de 65 centavos de dólar", concluiu Shurley. No mercado doméstico, a média do indicador Cepea/Esalq para os últimos oito dias ficou em R$ 155,37 por libra-peso, uma desvalorização de 0,44%.
Aversão a risco
O pessimismo no mercado financeiro mundial levou fundos a reduzirem ainda mais suas posições de risco, e a soja negociada em Chicago foi novamente atingida em cheio. Os contratos para agosto fecharam ontem em queda de 12,75 centavos, a US$ 13,5450 por bushel. Ainda há um quadro de oferta e demanda apertado, mas o clima têm ajudado a ditar os rumos dos preços. "Há previsões de chuvas para o final dessa semana nos EUA, mas o volume é menor do que se esperava antes", disse Stefan Tomkiw, analista do Jefferies Bache, em Nova York. O ritmo mais lento do anúncio de exportações americanas amplia o temor sobre a desaceleração da demanda. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos ficou em R$ 63, alta de 0,35%.
Fundos cautelosos
Os preços do trigo caíram pela segunda sessão consecutiva ontem em Chicago. Os contratos para setembro recuaram 3 centavos, a US$ 6,6925 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento subiram 1 centavo, para US$ 6,9450 por bushel. Notícias ligadas aos fundamentos dão conta de que a produtividade no Kansas não deve cair muito, mesmo com a seca. Há ainda rumores de que a Rússia terá mais trigo para exportação do que se esperava. "Mas, na verdade, os movimentos foram técnicos, reflexos da cautela dos fundos diante da tensão macroeconômica", explicou Steve Cachia, analista da Cerealpar. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor do Paraná ficou a R$ 498,50 a tonelada, avanço de 0,27%, segundo o Cepea/Esalq.