Commodities Agrícolas
Tensão externa O açúcar demerara recuou ontem na bolsa de Nova York, já que muitos investidores optaram por se desfazer de suas posições diante das tensões na zona do euro, da alta do dólar e do enfraquecimento do mercado acionário. Assim, os contratos com vencimento em outubro (os de maior liquidez no momento) fecharam em queda de 42 pontos, a 20,53 centavos de dólar por libra-peso. Traders observam que as preocupações com o aperto da oferta de açúcar no curto prazo, devido à lentidão da colheita no Brasil (maior produtor mundial da commodity), têm mantido mais elevados os preços dos papéis de entrega mais próxima. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 55,23, com uma valorização de 0,33%.
Aversão ao risco O café arábica teve a segunda sessão consecutiva de baixa ontem em Nova York, influenciado pelo cenário de aversão ao risco no mercado financeiro. Os papéis para setembro recuaram 180 pontos, a US$ 1,6305 por libra-peso. Hernando de la Roche, analista da INTL FCStone, disse à Dow Jones Newswires que uma nova elevação nos preços dependerá do clima no Brasil (maior fornecedor global do grão, que sofre com o excesso de chuvas) e de os fundos de investimentos prosseguirem com a cobertura de posições vendidas - que têm um efeito altista sobre as cotações. "O nível de US$ 1,57 representa um parâmetro de risco importante no curto prazo", afirmou Dave Toth, da RJ O'Brien. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos ficou a R$ 377,17, alta de 0,95%.
Seca interfere O algodão avançou ontem na bolsa de Nova York após dois pregões em queda. Os papéis com entrega para outubro subiram 170 pontos, a 69,51 centavos de dólar por libra-peso. Especula-se que a área plantada nos Estados Unidos - maior exportador mundial da fibra - irá cair este ano, ao mesmo tempo em que o clima traz riscos aos plantios do Texas, principal Estado produtor da commodity no país. "Temperaturas excepcionalmente quentes e secas colaboraram para elevar as cotações do algodão", afirmou Sterling Smith, analista do Citigroup, à agência Bloomberg. No mercado interno, o preço médio da arroba em Nova Mutum (MT) ficou a R$ 46,80, alta de 0,6%, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Cautela pré-relatório Investidores diminuíram a exposição ao risco ontem à espera do novo relatório sobre a área plantada e os estoques nos EUA - que será divulgado na manhã de hoje pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) -, o que motivou o recuo da soja em Chicago. Os contratos para agosto caíram 9,75 centavos, a US$ 14,4625 por bushel. Especula-se que o USDA aumentará a previsão para a área cultivada com soja. Ainda assim, segundo a Dow Jones Newswires, o declínio de preços deverá ser limitado, já que a deterioração das lavouras americanas, por conta do prolongado período quente e seco, serve de suporte. No mercado interno, a cotação média da saca de 60 quilos no oeste da Bahia ficou a R$ 63, de acordo com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).