Commodities Agrícolas
Suporte climático
A tensão com o clima no Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, voltou a impulsionar os preços da commodity ontem em Nova York. Os contratos do arábica para setembro fecharam em alta de 215 pontos, cotados a US$ 1,8450 por libra-peso. Espera-se que as chuvas atrasem em um mês a colheita brasileira, que deve ganhar força apenas em agosto - quando também devem aumentar as vendas de café do país, o que limita o potencial de uma alta acentuada nos preços. "Acredito que o mercado deva operar entre US$ 1,70 e 1,90 por libra-peso", disse Rodrigo Costa, diretor da Caturra Coffee, à Dow Jones Newswires. No mercado interno, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 410 e R$ 420, segundo o Escritório Carvalhaes, de Santos
Efeito cambial
A valorização do dólar e as preocupações com a safra de cacau no oeste da África sustentaram os preços da amêndoa durante boa parte do pregão de ontem na bolsa de Nova York, mas o mercado não se sustentou e devolveu os ganhos antes do fechamento. Os contratos com vencimento em setembro fecharam em queda US$ 12, a US$ 2.307 por tonelada. Matt Bradbard, analista da Reliance Capital Markets, afirmou à agência Dow Jones Newswires que a commodity está muito suscetível às oscilações da moeda americana. A queda também foi motivada pelo medo de que a crise europeia afete o consumo de chocolate. No mercado doméstico, o preço médio da arroba em Ilhéus e Itabuna (BA) ficou a R$ 75,35, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Lucros no bolso
Depois de quatro sessões consecutivas em alta, os preços do suco de laranja cederam ontem em Nova York devido a uma realização de lucros. Os contratos para setembro fecharam em queda de 80 pontos, a US$ 1,2820 por libra-peso. O volume de negócios foi pequeno. Os investidores estão à espera dos próximos acontecimentos climáticos na Flórida, região que detém o segundo maior pomar do mundo (atrás do Brasil) e onde já se iniciou a temporada de furacões. "Caminhamos para agosto, quando há maior chance de alterações no clima afetarem os pomares", disse à Dow Jones Newswires o analista Boyd Cruel, da Vision Financial. No mercado interno, o preço médio pago ao citricultor paulista pela caixa da laranja-pera de mesa ficou em R$ 5,77, queda de 3,67%, segundo o Cepea/Esalq.
De carona
Os preços do trigo fecharam a terça-feira em queda nos EUA. Na bolsa de Chicago, os contratos para setembro recuaram 7 centavos, a US$ 8,2125 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com o mesmo vencimento caíram 7,50 centavos, para US$ 8,22 por bushel. Segundo analistas, o trigo acompanhou o movimento do milho, que caiu em meio a vendas de especuladores interessados em embolsar lucros e reduzir sua exposição ao risco antes das novas estimativas de oferta e demanda que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga hoje. No mercado doméstico, o preço médio da saca de 60 quilos ficou em R$ 26,95 no Paraná, alta de 0,04%, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral).