Pesquisa aponta solução para podridão vermelha do sisal

16/07/2012

Pesquisa aponta solução para podridão vermelha do sisal

 



O fungo da podridão vermelha – Aspergillus níger – é o mais disseminado e com maior densidade populacional nas plantações do sisal e só sobrevive bem no resíduo fresco. Por isso, é recomendada a fermentação do resíduo para matar o fungo antes de aplicá-lo como fertilizante.

A constatação é da equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e Embrapa Mandioca Fruticultura, por meio do Edital de Apoio a Pesquisas para o Semiárido, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), que realizou estudos para obter informações sobre a doença.

Alternativa – Coordenada pelo professor Jorge Teodoro de Souza, da UFRB, a pesquisa também apontou como alternativa para o controle do fungo a aplicação de bactérias antagonistas – encontradas no sisal – nas plantas para que possam combater o causador da podridão vermelha.

A bactéria foi isolada para crescimento fora da planta e colocada em mudas antes do plantio. Segundo Souza, a bactéria é implantada em mudas para que permaneçam sadias durante o crescimento. "Para isso, precisamos fazer formulação, pois se colocarmos apenas a bactéria na planta, ela morrerá". As bactérias são produzidas em laboratório na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Cruz das Almas.

Cultura adaptada às condições do semiárido

O sisal é uma das poucas culturas adaptadas às condições semiáridas do Nordeste brasileiro. Na Bahia, são produzidos 94% do sisal nacional, gerando anualmente cerca de US$ 101 milhões em divisas para o país. O sisal tem grande importância social, pois possibilita que famílias mais carentes do Brasil permaneçam no campo. Somente no estado, cerca de 700 mil trabalhadores dependem dessa atividade.

Apesar de o sisal ser considerada uma planta rústica e pouco suscetível ao ataque de doenças e pragas, na Bahia tem ocorrido aumento significativo na incidência da podridão vermelha do pseudocaule do sisal, que leva a planta à morte, resultando em perdas consideráveis para os produtores. O agente causador da doença é o fungo Aspergillus niger, identificado com base em características morfológicas.

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em parceria com a UFRB, está financiando um projeto de instalação da primeira biofábrica de sisal do Brasil, que funcionará em Cruz das Almas. Além de mudas melhoradas para a região sisaleira, a biofábrica produzirá espécies que servirão para produção de bioetanol, bebidas destiladas e produtos farmacêuticos.

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