Commodities Agrícolas
Mais uma queda O suco de laranja amargou ontem sua sétima queda consecutiva na bolsa de Nova York. Os contratos para novembro fecharam em queda de 150 pontos, a US$ 1,1465 por libra-peso. Como o clima está estável na Flórida (segundo maior região produtora de citros do mundo), o suco não tem despertado muito o interesse dos traders e o volume de negociações é baixo. "É preciso que algo aconteça com o clima para puxar os preços. Ainda há tempo para que isso ocorra, já que a temporada de furacões nos Estados Unidos é longa", disse Robert Loughlin, da Techtron Trading, à Dow Jones Newswires. Em meio à superoferta de laranja, o mercado "spot" de laranja para a indústria em São Paulo foi aberta com uma oferta de R$ 5 por caixa de 40,8 quilos realizada pela Louis Dreyfus Commodities.
Poucas chuvas Os preços da soja voltaram a subir ontem em Chicago, ainda embalados pelo temor em relação ao clima quente e seco no Meio-Oeste americano. Os contratos para setembro avançaram 35,25 centavos, a US$ 16,48 por bushel. "A tendência do clima ainda não mudou e mesmo as chuvas localizadas não vão aliviar o estrago nas lavouras dos EUA", afirmou Pedro Dejneka, analista da Futures International. Segundo ele, os plantios precisam de precipitações pesadas e abrangentes nos próximos 10 a 14 dias, e de um agosto muito mais ameno do que julho. "Acredito que a quebra na produção da oleaginosa possa chegar a 20% no país", prevê. No mercado interno, a saca de 60 quilos no oeste da Bahia ficou em R$ 70, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
Clima dá o tom As previsões climáticas desfavoráveis nos EUA seguem como o principal motor para os preços do milho em Chicago. Ontem, os contratos com vencimento em dezembro avançaram 13 centavos, a US$ 7,8425 por bushel. A queda na qualidade dos milharais americanos (os plantios em boas a excelentes condições recuaram de 40% para 31% na semana passada), motivada pelo tempo quente e seco, aumenta a chance de redução acentuada na produtividade. Em discurso ontem, o secretário de agricultura americano, Tom Vilsack, disse que o governo não tem intenção de modificar o mandato de mistura de etanol à gasolina, o que ajudou a sustentar as cotações do milho. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos caiu 1,26%, para R$ 29,80.
Oferta incerta Os preços do trigo se recuperaram de uma realização inicial de lucros e fecharam a quarta-feira em alta nas bolsas dos Estados Unidos. Em Chicago, os contratos para dezembro subiram 15,25 centavos, a US$ 9,1250 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento tiveram valorização de 12,25 centavos, a US$ 9,24 por bushel. As perdas do trigo são limitadas pela manutenção das incertezas sobre o tamanho da oferta dos maiores exportadores, ainda que os estoques mundiais sejam amplos. Importantes produtores, como Rússia, Austrália e China, sofrem os efeitos de uma dura seca. No mercado doméstico, a saca de 60 quilos no Paraná ficou a R$ 27,60, em alta de 0,04%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).