Commodities Agrícolas
Sob pressão
A instabilidade no quadro macroeconômico - marcado por tensões na zona do euro e valorização do dólar - e os sinais de ampla oferta voltaram a derrubar o açúcar ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em março encerraram a sessão negociados a 23,73 centavos de dólar por libra-peso, em queda de 23 pontos. "Por enquanto, o mercado está num beco sem saída", disse Michael McDougall, da Newedge USA. Porém, as chuvas no Centro-Sul do Brasil, maior fornecedor global da commodity, pode ajudar a manter as cotações sustentadas. Para McDougall, a libra-peso deve seguir negociada entre 22,50 e 25,50 centavos. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu 0,08%, para R$ 59,27.
Cotações desabam
O café arábica manteve certa estabilidade ao longo do pregão de ontem em Nova York, mas despencou pouco antes do fechamento. Os papéis para dezembro caíram 935 pontos, a US$ 1,7830 por libra-peso - o menor valor em mais de duas semanas e meia. A preocupação com a desaceleração econômica mundial têm pesado mais do que o temor com a perda de qualidade dos cafés do Brasil (maior produtor mundial do grão), que sofreu com chuvas fora de época. "Se tivermos a atividade econômica baixa, vamos reduzir a demanda global por tudo", disse Márcio Bernardo, analista da Newedge USA, à Dow Jones Newswires. No mercado interno, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre a mínima de R$ 420 e a máxima de R$ 430, segundo o Escritório Carvalhaes.
Ganhos modestos
O suco de laranja escapou da sequência de baixas que vinha registrando e registrou ganhos modestos ontem na bolsa de Nova York, sustentado basicamente por ajustes de posições. Os contratos para novembro subiram 15 pontos, para US$ 1,0980 por libra-peso. Mas o horizonte ainda é sombrio. O Centro Nacional de Furacões americano continua a reportar que não há ciclones tropicais neste momento no Atlântico, que ocasionalmente poderiam afetar os pomares da Flórida (segunda maior região produtora de citros do mundo, atrás do Brasil). Para Jack Scoville, analista da Price Futures, a tendência é que a bebida volte a ser negociada entre US$ 1,11 e US$ 1 por libra-peso. Em São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias saiu por R$ 7, conforme o Cepea/Esalq.
Dólar e oferta
O algodão registrou o segundo pregão consecutivo de queda na bolsa de Nova York, pressionado pela valorização do dólar e pelo excesso de oferta da commodity. Os contratos com vencimento em dezembro caíram 116 pontos ontem, a 71,03 centavos de dólar por libra-peso. A empresa estatal que controla as reservas de algodão na China divulgou que a produção local este ano deve cair 9,1%, em função da redução na área plantada. Caso o número se confirme, poderia haver uma freada nas baixas da commodity, além de um aumento das importações do país asiático (maior consumidor mundial da fibra) nesta temporada e em 2013. No mercado interno, a arroba em Sorriso (MT) ficou a R$ 48,20, de acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).