Commodities Agrícolas
Impulso do dólar
A queda do dólar ante uma cesta de moedas colaborou para que o açúcar demerara avançasse ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com entrega em maio fecharam em alta de 18 pontos, a 19,39 centavos de dólar por libra-peso. Apesar dos ganhos, o açúcar oscilou em uma estreita faixa de 19 a 19,5 centavos de dólar por libra-peso, e ainda carece de encontrar uma direção mais definida. Mas Fain Shaffer, da Infinity Trading, disse à Dow Jones Newswires acreditar que a perdas de terras para culturas mais rentáveis (como os grãos) e a concorrência com o etanol pode levar o açúcar acima dos 26 centavos de dólar por libra-peso até a próxima temporada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos ficou a R$ 49,46, em baixa de 0,74%.
Cobertura de posições
O café arábica registrou a terceira sessão de valorização seguida ontem na bolsa de Nova York, já que os fundos continuam a liquidar as apostas de que os preços iriam cair. Assim, os contratos com entrega em março encerraram com um ganho de 155 pontos, a US$ 1,5640 por libra-peso. ""Não há nenhuma nova informação do lado dos fundamentos", afirmou Márcio Bernando, analista da Newedge USA, à Dow Jones Newswires. No entanto, o movimento de cobertura de posições vendidas, combinado com o real mais fraco, estimula parte dos produtores do Brasil (maior fornecedor mundial da commodity) a realizar vendas. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre a mínima de R$ 350 e a máxima de R$ 360, de acordo com o Escritório Carvalhaes, de Santos.
Clima e macro ajudam
A soja reagiu ontem em Chicago, depois da queda no pregão anterior. Os contratos para março fecharam com um ganho de 6 centavos, a US$ 14,41 por bushel. A expectativa de um possível acordo para resolver a situação fiscal nos EUA e a tensão com o clima na América do Sul sustentaram a oleaginosa, mesmo com dados decepcionantes das exportações americanas. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país acertou a venda de 319,1 mil toneladas ao exterior na semana até 22 de novembro, abaixo do intervalo de 500 mil a 700 mil previsto por analistas. "Mas há um consenso de que a demanda irá reaparecer, o que também ajuda", disse Daniel D'Ávila, analista da Newedge. No Paraná, a saca de 60 quilos saiu por R$ 69,34, em alta de 0,87%.
Exportações em baixa
O desempenho ruim das vendas externas de milho dos Estados Unidos pressionou os preços do grão ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em março fecharam em baixa de 5,25 centavos, a US$ 7,5875 por bushel. Na semana encerrada em 22 de novembro, os americanos acertaram a exportação de 263,5 mil toneladas, queda de 72,5% ante os sete dias anteriores. O enfraquecimento do mercado físico nos EUA também pesou sobre o milho. O motivo é que o recente aumento nas cotações da commodity levou os agricultores do país a vender maiores volumes, o que tirou o ímpeto dos preços domésticos. No oeste da Bahia, a saca de 60 quilos saiu por R$ 32, de acordo com levantamento da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).