18/09/2013
Commodities Agrícolas
Chuvas benéficas O café arábica desabou ontem em Nova York, pressionado pela melhora do clima no Brasil. Os lotes para dezembro fecharam em queda de 430 pontos, a US$ 1,1495 por libra-peso. De acordo com Felipe Kamia, consultor da Pharos, os traders estavam preocupados com a possibilidade de a falta de umidade no Brasil prejudicar as lavouras. "Entretanto, a frente fria chegou e trouxe chuvas benéficas, que tendem a favorecer a floração da próxima safra, 2014/15. Esse cenário atraiu vendas especulativas", explicou. As chuvas devem seguir pelo menos até quinta-feira no sul de Minas Gerais e na Zona da Mata, importantes polos de produção no Brasil. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 285,00 e R$ 290,00, segundo o Escritório Carvalhaes.
Tempestades distantes A ausência de ameaças climáticas aos pomares da Flórida, segunda maior região produtora de citros do mundo, fez ruir na sessão passada as cotações do suco de laranja em Nova York. Os papéis para janeiro fecharam em queda de 755 pontos (5,55%), a US$ 1,2845 por libra-peso. Apesar de terem se formado recentemente algumas tempestades tropicais no oceano Atlântico e no Mar do Caribe, todas perderam força ou acabaram por não se encaminhar à Flórida. Ainda assim, a temporada de furacões nos EUA segue até 30 de novembro, por isso não está descartado que haja novas ameaças climáticas às lavouras americanas de laranja até lá. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias ficou em R$ 7,31, em alta de 2,38%, segundo o Cepea/Esalq.
Volta da umidade A soja recuou pelo terceiro pregão seguido na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam em baixa de 5,25 centavos, a US$ 13,43 por bushel. Também ontem, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicou que 683,93 mil hectares deixaram de ser plantados com a oleaginosa no país em 2013/14, acima dos 655,6 mil hectares estimados em agosto. Ainda assim, o possível efeito altista dessa notícia foi contido pelas especulações de que as recentes chuvas no Meio-Oeste americano podem melhorar a condição das lavouras, que estão em fase final de desenvolvimento e há semanas enfrentavam tempo quente e seco. No Paraná, a saca de soja foi negociada a R$ 64,47, queda de 0,88%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).
Pressão da colheita As cotações do milho voltaram a cair ontem em Chicago, apesar da informação de que a área que deixou de ser plantada nos EUA por causa do clima é maior do que se estimava. Os contratos para dezembro encerraram em queda de 2,50 centavos, a US$ 4,54 por bushel. Segundo o Departamento de Agricultura americano (USDA), os agricultores não conseguiram semear 1,44 milhão de hectares do total pretendido, acima dos 1,38 milhão de hectares estimados em agosto. Chuvas atrapalharam o plantio em maio, e o tempo frio em junho e julho atrasou o desenvolvimento das lavouras. Contudo, as cotações são pressionadas pelo avanço da colheita nos EUA, já encerrada em 4% da área. No oeste da Bahia, a saca ficou em R$ 22,75, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia.