Commodities Agrícolas
Influência externa
As cotações do açúcar demerara em Nova York foram favorecidas pela melhora do humor nos mercados financeiros, depois de o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter decidido, na quarta-feira, manter os estímulos monetários no país. Assim, os lotes de açúcar para março fecharam em alta de 26 pontos ontem, a 17,74 centavos de dólar por libra-peso. As moedas de países emergentes, caso do real brasileiro, fortaleceram-se em relação ao dólar ontem. Esse cenário sustenta as cotações porque inibe as vendas por parte dos produtores do Brasil (maior fornecedor mundial de açúcar), na medida em que diminui a rentabilidade com as exportações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos ficou em R$ 45,57, avanço de 0,73%.
Real mais forte
Assim como o açúcar, o café arábica foi sustentado pelo câmbio na bolsa de Nova York. Os papéis para março encerraram em elevação de 90 pontos, a US$ 1,1885 por libra-peso. O Brasil é o maior produtor mundial do grão, por isso a desvalorização do dólar em relação ao real desestimula as vendas dos agricultores do país e sustenta os preços. Do lado dos fundamentos, continua a chover nas principais regiões produtoras de café do Brasil, após um período de seca. "Se parar de chover logo e o sol vier, deveremos ver uma nova floração na próxima semana. Até agora, as florações não foram tão boas, mas é cedo para dizer", afirmou Thiago Cazarini, da Cazarini Trading, em nota a clientes. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos ficou em R$ 270,07, alta de 0,71%.
Flórida a salvo
A ausência de ameaças climáticas diretas à Flórida fez o suco de laranja cair ao menor valor em mais de seis meses em Nova York. Os papéis para janeiro fecharam com perdas de 115 pontos ontem, a US$ 1,2650 por libra-peso. Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), um sistema que está entre as Bahamas e Bermudas tem 10% de chances de se transformar em um ciclone tropical nas próximas 48 horas. Outro sistema (uma área de baixa pressão no sudoeste do Golfo do México) tem 70% de chances, mas ainda está distante da costa da Flórida (que detém o segundo maior pomar de citros do mundo). No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias permaneceu em R$ 7,31, segundo o Cepea/Esalq.
Vendas acanhadas
O algodão registrou perdas ontem na bolsa de Nova York, depois de dois pregões seguidos em elevação. Os contratos com entrega em dezembro encerraram em baixa de 82 pontos, a 84,72 centavos de dólar por libra-peso. Durante a sessão, porém, as cotações chegaram a alcançar o maior valor em mais de quatro semanas. O desempenho acanhado das vendas da fibra americana acabou por puxar os preços para baixo. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o país comercializou 103,1 mil fardos na semana encerrada em 12 de setembro, queda de 23,3% em relação à semana anterior. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada a R$ 68,78, de acordo com levantamento da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).