Commodities Agrícolas
Cobertura de posições
Uma cobertura de posições vendidas impulsionou as cotações internacionais do café arábica ontem. Na bolsa de Nova York, os contratos para março fecharam com valorização de 40 pontos, a US$ 1,1765 por libra-peso. Traders realizaram lucros sobre apostas na queda dos preços depois que a commodity fechou a terça-feira em alta após testar as mínimas em quatro anos durante a sessão. A desvalorização do dólar ante o real também contribuiu para a alta do café. A perda de força da moeda americana desestimula as vendas por parte dos produtores do Brasil, na medida em que diminui a rentabilidade com as exportações. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 270,00 e R$ 280,00, segundo o Escritório Carvalhaes.
Problemas climáticos
As preocupações com o tamanho e a qualidade da safra de algodão dos EUA voltaram a dar suporte aos preços da fibra na bolsa de Nova York ontem. Os contratos com vencimento em dezembro fecharam em alta de 27 pontos, a 86,87 centavos de dólar por libra-peso. Os EUA são o principal exportador mundial de algodão e estão na terceira posição entre os maiores produtores. Mas, este ano, as lavouras do Texas (principal produtor do país) sofreram com o tempo seco, enquanto as da Georgia (o segundo maior produtor americano) enfrentaram um tempo muito úmido, o que atrasou o plantio e o desenvolvimento da fibra. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada a R$ 68,78, de acordo com a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba)
Compras técnicas
Após dois pregões seguidos de queda, a soja reagiu na bolsa de Chicago ontem. Os contratos para janeiro fecharam em alta de 5,75 centavos, a US$ 12,7575 por bushel. De acordo com Glauco Monte, consultor da FCStone, a oleaginosa foi embalada por compras técnicas, depois de cair ao menor nível em 19 meses na terça-feira. Durante a sessão, surgiram notícias de que pode voltar a chover de hoje a sábado em Iowa, Minnesota e Wisconsin, importantes produtores dos EUA, o que traria ritmo lento à colheita de soja - atualmente encerrada em 11% da área. "Pode até haver um impulso mais pontual das chuvas ou da demanda, mas a tendência neste momento é baixista", disse Monte. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos permaneceu estável, a R$ 70,00.
Demanda dá impulso
O trigo voltou a avançar nas bolsas americanas, impulsionado por especulações de que o Brasil aumentará as compras do cereal dos EUA. Em Chicago, os lotes para março fecharam com valorização de 4,25 centavos, a US$ 6,9375 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento subiram 7,50 centavos, a US$ 7,5025 por bushel. A tendência é que o Brasil recorra ao trigo dos EUA (maior exportador mundial do cereal) devido às adversidades climáticas que têm trazido problemas à oferta da Argentina, país que normalmente abastece o mercado brasileiro. No Paraná, a saca de 60 quilos da commodity ficou em R$ 50,21, ligeira alta de 0,04%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).