Commodities Agrícolas
Influência do câmbio
O açúcar refinado recuou na sessão passada na bolsa de Londres, em meio ao baixo volume de negócios, reflexo do fechamento da bolsa de Nova York em função do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos. Os contratos com entrega em maio encerraram em queda de 0,10%, a US$ 467,30 por tonelada. A commodity foi pressionada pela valorização do dólar em relação ao real. O Brasil é o maior fornecedor mundial de açúcar e o fortalecimento da moeda americana incentiva as vendas por parte dos produtores do país, na medida em que cresce a rentabilidade com as exportações. A elevada oferta mundial colabora para manter os preços do açúcar no campo negativo. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos ficou em R$ 52,00, queda de 0,33%.
Retenção das vendas
O café robusta avançou pela terceira sessão consecutiva na bolsa de Londres ontem. Os lotes para janeiro fecharam com ganhos de 0,87%, a US$ 1.628 por tonelada. Análises gráficas indicavam uma resistência a US$ 1.620 por tonelada, mas o grão se sustentou acima desse patamar. Os cafeicultores do Vietnã (maior produtor mundial de robusta) têm segurado as exportações, à espera de uma reação nos preços, o que contribui para a valorização. Entretanto, muitos analistas estão céticos sobre a possibilidade de que os vietnamitas sigam com essa postura por muito tempo, até porque se espera uma produção maior que a do ano passado no país. No mercado interno, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 250 e R$ 255, de acordo com o Escritório Carvalhaes.
Resistência técnica
Após cair por duas sessões consecutivas, os contratos futuros de cacau reagiram ontem na bolsa de Londres. Os lotes com entrega para março - os mais negociados - fecharam o pregão a 1.745 libras por tonelada, alta de 0,52%. De acordo com analistas, a commodity enfrenta uma resistência técnica a 1.760 libras. As vendas de cacau de fora da Costa do Marfim, maior produtor mundial da amêndoa, vinham pressionado as cotações nos últimos dias, segundo analistas. Em que pese a pressão "baixista" de curto prazo, a relação entre oferta e demanda é "altista" no médio prazo. Conforme estimativas da Organização Internacional do Cacau, haverá um déficit de 70 mil toneladas na safra 2013/14. Em Ilhéus e Itabuna (BA), a arroba de cacau tem sido negociada por pouco menos de R$ 100,00.
Fim de entressafra
O descompasso da oferta de boi gordo típico do fim da entressafra puxou as cotações nesta semana. O indicador Esalq/BM&FBovespa para o boi gordo em São Paulo subiu 0,3% no acumulado da semana até ontem, a R$ 111,82 por arroba. De acordo com a analista Maísa Modolo, da Scot Consultoria, os lotes de gado criado em confinamento a serem entregues aos frigoríficos diminuíram e ainda não há animais alimentados a pasto com peso suficiente para o abate. "O pessoal está esperando sair o boi de pasto, mas isso não aconteceu", diz ela, ressaltando que a alta das cotações também se refletiram nos preços da carne bovina no atacado. Nesta semana, a carcaça casada de boi (o conjunto de peças comumente vendido no atacado) registrou valorização de 1%, a R$ 6,99 o quilo, conforme levantamento da Scot.