Commodities Agrícolas
Lucros no bolso O açúcar demerara terminou a sexta-feira em queda na bolsa de Nova York, em uma nova sessão de realização de lucros. Os papéis da commodity com entrega em julho fecharam em baixa de 19 pontos, a 17,20 centavos de dólar por libra-peso. Recentemente, as cotações da commodity subiram aos maiores patamares dos últimos quatro meses, impulsionadas pelo clima seco no Brasil, o que estimulou os investidores a embolsar lucros. A expectativa é que os problemas climáticos em importantes regiões produtoras de cana do país reduzam a produção nacional de açúcar e diminuam a oferta global, mas ainda assim haverá um superávit, preveem analistas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 51,92, ligeira baixa de 0,08%.
Oferta restrita O algodão registrou valorização na sessão passada em Nova York, em meio à perspectiva de oferta restrita. Os papéis com vencimento em julho encerraram em alta de 93 pontos, a 92,70 centavos de dólar por libra-peso. Os preços têm se mantido em níveis elevados em função do período de entressafra, o que reforça a expectativa de pouca disponibilidade nos EUA (maior exportador mundial de algodão). Os fundos continuam a apostar na alta da fibra: segundo a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), o saldo líquido comprado cresceu 7,31% na semana até 18 de março em Nova York, para 67.576 contratos. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada a R$ 72,38, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
Influência da China Os preços da soja recuaram na bolsa de Chicago diante da volta dos rumores de que a China cancelaria carregamentos dos EUA e do Brasil. Os contratos para julho fecharam em baixa de 25,75 centavos na sessão passada, a US$ 13,8225 por bushel. Especula-se ainda que os chineses estariam tentando revender aos americanos volumes de soja que compraram no Brasil por estarem com dificuldades para receber o produto. Os portos da China estão congestionados e há elevados estoques do grão no país. Uma correção técnica também pode ter contribuído para o recuo na sexta-feira, depois que a soja alcançou o maior valor em seis meses na sessão anterior. Em Sorriso (MT), a saca foi negociada a cerca de R$ 54, conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Chuvas a caminho Previsões de chuva para as regiões produtoras de trigo dos Estados Unidos pressionaram os preços do grão nas bolsas americanas na sexta-feira. Em Chicago, os lotes para julho fecharam em baixa de 10 centavos, a US$ 6,9550 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento encerraram a US$ 7,6650 por bushel, em queda de 10,25 centavos. A estiagem que atinge lavouras de trigo dos EUA vinha impulsionando as cotações nas últimas sessões, embora as plantações ainda estejam em fase de dormência. O temor é que o clima deixe o solo pouco úmido e prejudique o desenvolvimento posterior do grão. No Paraná, a saca de 60 quilos foi cotada a R$ 42,14 na sexta, alta de 0,69%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).