Trinta e cinco máquinas de costura industrial foram entregues pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), nesta segunda-feira, 11, ao projeto MiliEco, que transforma fardas velhas da Polícia Militar da Bahia em produtos como mochilas, bonecos, bolsas, ecobags, entre outros objetos. O maquinário foi entregue na sede da OSC executora do projeto, Ases Sustentável do Brasil, no Alto do Abaeté, em Salvador.
O MiliEco é um projeto pioneiro, idealizado pela policial militar Adjaneara Costa, que alia a prática ecologicamente correta, com o reuso das fardas doadas pela polícia militar, e a geração de trabalho e renda. O fardamento policial, quando inservível, é incinerado por questão de segurança. O reuso das peças impede a incineração do tecido, que causa a poluição do ar, com a emissão de CO2 (dióxido de carbono). Ao mesmo tempo, a iniciativa gera trabalho e renda para as mulheres, costureiras e artesãs da comunidade, que comercializam os produtos.
Com investimento de R$ 88.597 mil, foram adquiridas e entregues 08 máquinas de costura interlock (que trabalha com tecidos de maior peso), 05 máquinas overlock com bancada, 04 cortadores de tecidos, 13 máquinas de costura reta e 05 máquinas de costura galoneira (costuras duplas e triplas). Aproximadamente cinco toneladas de fardas inservíveis da polícia militar já estão disponíveis para o projeto.
O equipamento permitirá às costureiras confeccionar os produtos em larga escala e comercializá-los em uma loja virtual, em fase de construção. Por enquanto, os produtos podem ser adquiridos na sede do projeto ou através de pedidos feitos pelo Instagram [@asessustentavel_br]. São ofertados desde mochilas, vendidas a R$ 90; ecobags por R$ 30, doleiras por R$ 10 e até roupinha para pet a R$ 60. Já os bonecos artesanais da polícia militar podem ser comprados por R$ 150.
“A aquisição do maquinário vai dar um impulso nas vendas. Atualmente, as pessoas fazem muita encomenda de mochilas porque é bem resistente, o material não vai rasgar, tem qualidade porque o fardamento policial é feito com o tecido rip stop [fios de nylon dispostos de maneira quadriculada, impedindo que ele seja desfiado quando rasgado]. A gente também tentar utilizar o mínimo possível de outros elementos que não sejam sustentáveis”, explica Adjaneara.
A costureira Gisélia da Conceição, 72 anos, está antusiasmada: “Eu acho essa inicaitiva muito boa, tem muita gente desempregada, tanto precisando ganhar seu dinheiro quanto aprender algum ofício, se aprimorar. Para mim, vai ser bem melhor porque eu já costuro pra rua, faço bolsas, vai ser um dinheiro a mais”.
Cooperativa – Até agora, 10 costureiras foram capacitadas em cooperativismo pela Setre, por meio da Superintendência de Economia Solidária e Cooperativismo (Sesol) e o coletivo está prestes a criar a cooperativa ‘CoopermiliEco’.
“Este projeto a gente dialogando a cerca de 10 meses (...) A associação foi criado e nós estamos no processo de transformação da associação em cooperativa. Já temos uma minuta do estatuto a ser apresentada para o coletivo e após análise e adequação e aprovação, e os registros, acredita que em quatro meses a cooperativa deva estar em funcionamento”, disse Wenceslau Junior, à frente da Sesol/Setre.
O projeto MiliEco conquistou o Prêmio Ozires Silva de Inovação Empreendedorismo e Sustentabilidade em 2020, na categoria Ambiental. Em 2022, a iniciativa também recebeu o Prêmio Fraternidade Cidadã da SPREV/Secretaria de Segurança Pública pela relevância socioambiental da ação.
A entrega de maquinário pela Setre é fruto de recursos de emenda parlamentar da deputada federal Alice Portugal. O projeto também tem apoios da Polícia Militar do Estado da Bahia (doação de fardamento inservível) e da Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), na orientação para reuso do material.