No período de 21 a 24 de junho, as centrais de coleta seletiva recolheram mais de 12.000 kg de materiais recicláveis no São João na capital e no interior, o equivalente a 12 toneladas de resíduos. Do total, mais de nove mil quilos (9.164,75 kg) foram coletados só em Salvador: no Parque de Exposições, Pelourinho e em Paripe, os três locais com shows promovidos pelo Governo da Bahia. Foram quase 5.500kg (5.491,200 quilos) de latinhas de alumínio, aproximadamente 3.000 kg (2.970,75) de plástico e, ainda, 521kg de vidro e 181,80kg de papelão. A coleta seletiva será retomada no período de 28 de junho a 02 de julho.
O Governo do Estado investiu mais de R$ 1,2 milhão no projeto de coleta seletiva e solidária em apoio aos catadores e catadoras durante os festejos juninos em Salvador e três municípios do interior do estado: Itabuna, Juazeiro e Porto Seguro. No II São João Sustentável de Porto Seguro, a cooperativa Gota de Óleo coletou 3.289 kg de materiais recicláveis no período de 20 a 23 de junho, na Passarela da Cultura em Porto Seguro e em Trancoso.
Intitulada “O Trabalho Decente Preserva o Meio Ambiente”, a ação de coleta seletiva e solidária é realizada pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) em parceria com as secretarias de Meio Ambiente (Sema) e Desenvolvimento Urbano (Sedur). Na capital, o Governo apoiou três projetos de coleta seletiva, beneficiando um total de 920 catadores (as).
O coletivo COOCREJA reúne 10 cooperativas e 560 catadores, entre autônomos e cooperados, com atuação no Parque de Exposições e Pelourinho. A Cooperguary beneficia 100 catadores e a cooperativa CRG também 100 catadores, ambas com atuação no São João de Periperi. Todo trabalho é acompanhado por uma equipe de técnicos da Setre, vinculados à Coordenação de Inovação e Fomento à Economia Solidária.
Foto: Fernando Udo/Setre Bahia
Preço justo - Pelo terceiro ano consecutivo, a ação é realizada no São João, contribuindo para o fortalecimento das redes de cooperativas de catadores a partir da atuação das centrais de coleta que compram os materiais recicláveis, evitando a ação de atravessadores e garantindo preço justo. A exemplo de anos anteriores, os catadores (as) receberam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como botas, luvas e fardamento e durante os festejos recebem refeições e diárias.
Segundo Genivaldo Ribeiro, representante da Cooperativa Cooperguary, as bonificações também incluem o ganho de R$ 30 a cada 15 quilos de plástico ou de latinhas vendidos. Além da cidadania, informa, o projeto evita a poluição das praias. "Temos aqui a Praia de Tubarão, São Tomé de Paripe e Ilha de Maré. São cerca de cinco toneladas de resíduos que vão deixar de ir ao mar com o trabalho dos catadores de rua junto com as cooperativas", informou.
Ribeiro, 50, trabalha desde 2007 com reciclagem e esse é o primeiro ano que participa do Forró Sustentável Solidário, no bairro de Paripe, já tendo realizado a atividade em anos anteriores no Parque de Exposições e Pelourinho. "O objetivo principal do projeto é não deixar que materiais, como garrafas, papéis, latinhas e outros, cheguem ao meio ambiente e ao aterro sanitário. Queremos com essa ação levar dignidade aos catadores e catadoras de rua".
Nas três edições, somando apenas dois dias do São João de Paripe, foram cerca de 5,8 mil gramas de materiais reciclados. Mais de 600 kg de vidro foram também recolhidos e retirados do meio ambiente”. Ribeiro destaca que a cooperativa atende 100 catadores de materiais recicláveis e que, cada catador representa uma família. “São 100 famílias diretamente impactadas financeiramente e que, depois do São João, vão poder realizar o sonho de pagar uma dívida ou comprar algo novo, além de comer”.
Ana Carine Nascimentos, 36, que trabalha há 10 anos no Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA), disse que a tecnologia saiu do carnaval e evolui, cada vez mais, para tornar visível o trabalho dos catadores. “O catador é um agente de mitigação das mudanças climáticas, reduzindo os impactos ambientais como a emissão de CO2, evitando os extrativismos e o desperdício dos recursos naturais e minerais”, conclui. Em Paripe, as cooperativas Cooperguari e Cooperes realizam o trabalho de reciclagem, em parceria com os catadores.
O secretário da Setre, Davidson Magalhães, lembra que a realização do São João Solidário e Sustentável foi um compromisso assumido com as cooperativas no Carnaval, visando o fortalecimento da cadeia produtiva de material reciclável, contribuindo para a melhoria da geração de renda e a preservação do meio ambiente. “Estamos em consonância com a Agenda Bahia do Trabalho Decente, contribuindo para o trabalho exercido com dignidade e a preservação da natureza”, pontuou.
Ascom Setre e Secom