As centrais de coleta seletiva recolheram mais de 13 mil quilos de material reciclável entre os dias 21 e 30 de junho no São João de Salvador. Com a continuidade da festa no Parque de Exposições até terça-feira (02/07), a expectativa é atingir os 15 mil quilos de resíduos, entre latinhas de alumínio, plástico, vidro e papelão. Só as latinhas somaram mais de 7.500 kg.
Um coletivo formado por 10 cooperativas realiza a coleta seletiva no Parque de Exposições, beneficiando 560 catadores, entre cooperados e autônomos. O São João Sustentável e Solidário faz parte da ação “Trabalho Decente Preserva o Meio Ambiente”, do Governo do Estado, que investiu mais de R$ 1,2 milhão no projeto de coleta seletiva e solidária durante os festejos juninos em Salvador e três municípios do interior do estado: Itabuna, Juazeiro e Porto Seguro.
Coordenada pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), a iniciativa contribui para o fortalecimento das redes de cooperativas de catadores a partir da atuação das centrais de coleta que compram os materiais recicláveis, evitando a ação de atravessadores e garantindo preço justo. Os catadores (as) recebem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como botas, luvas e fardamento, além de refeições e diárias.
O dirigente da cooperativa Cooperguary, Genivaldo Ribeiro, diz que as bonificações também incluem o ganho de R$ 30 a cada 15 quilos de plástico ou de latinhas vendidos. Além da cidadania, informa, o projeto evita a poluição das praias. "Temos aqui a Praia de Tubarão, São Tomé de Paripe e Ilha de Maré. São cerca de cinco toneladas de resíduos que vão deixar de ir ao mar com o trabalho dos catadores de rua junto com as cooperativas".
Ribeiro, 50 anos, trabalha desde 2007 com reciclagem. "O objetivo principal do projeto é não deixar que materiais, como garrafas, papéis, latinhas e outros, cheguem ao meio ambiente e ao aterro sanitário. Queremos com essa ação levar dignidade aos catadores e catadoras de rua".
Ana Carine Nascimentos, 36, que trabalha há 10 anos no Centro de Arte e Meio Ambiente (Cama), disse que a tecnologia saiu do carnaval e evolui, cada vez mais, para tornar visível o trabalho dos catadores. “O catador é um agente de mitigação das mudanças climáticas, reduzindo os impactos ambientais como a emissão de CO2, evitando os extrativismos e o desperdício dos recursos naturais e minerais”, conclui.
Ascom Setre com informações da Secom