A construção de um Sistema Nacional de Finanças Solidárias foi a questão central nos debates da Conferência Nacional Temática de Finanças Solidárias, evento realizado nos dias 22 e 23 de agosto em Salvador. Coordenado pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), o evento fez parte das atividades preparatórias para a 4ª Conferência Nacional de Economia Popular Solidária (Conaes), que ocorrerá em abril de 2025, em Brasília.
O encontro reuniu atores que partilharam suas experiências com ações efetivas de Finanças Solidárias. O superintendente de Economia Solidária e Cooperativismo da Setre, Wenceslau Júnior, destacou a riqueza dos debates e a participação expressiva de representações do setor, que buscaram montar uma estratégia visando criação do Sistema Nacional de Finanças Solidárias.
“O ambiente aqui é um ambiente mágico. A temática da economia solidária está em ascensão e estamos trabalhando em prol desse desenvolvimento. Foram dias de debates produtivos com a presença de vários estados da Federação, tanto representantes governamentais, quanto representantes da sociedade civil, da rede de bancos comunitários, da rede de Fundo rotativos, cooperativas de créditos, enfim, diversos atores debatendo aqui o nosso sistema de Finanças Solidárias, disse Wenceslau.
No primeiro dia, quatro grupos de trabalho abordaram questões, como: Fundos Rotativos Solidários, bancos comunitários de desenvolvimento, cooperativas de Crédito e de Sistema de Finanças Solidárias. As propostas foram sistematizadas e unificadas pelos relatores para produzir um material articulado e integrativo na proposta final de implantação do Sistema Nacional de Finanças Solidárias e suas estratégias de desenvolvimento.
Na oportunidade, o secretário da Setre, Davidson Magalhães, anunciou um maior aporte no valor do edital de finanças solidárias, que passou de R$ 2,5 milhões para R$ 3,1 milhoes, contemplando 19 instituições, quatro a mais do que o previsto inicialmente." A novidade é mais uma ação que mostra o compromisso do Governo com a promoção da economia solidaria na Bahia", disse.
O coordenador da Rede Brasileira de Bancos Comunitários e fundador do primeiro banco comunitário brasileiro, o Banco Palmas de Fortaleza, Joaquim Melo, comemorou os resultados positivos do evento após diagnóstico do sistema nacional atual. "Ficou claro que o sistema atual não resolve o problema da pobreza , da desigualdade e da fome", pontuou.
Joaquim Melo, fundador da Associação dos Moradores do Conjunto Palmeiras (ASMOCONP), bairro periférico da capital do Ceará, destacou as experiencias exitosas que acontecem no Nordeste, onde foi possível organizar um projeto conciso, integrado com bancos comunitários, Fundos Rotativos, Cooperativas de Créditos e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) de Microcréditos.
Na Bahia temos os seguinte bancos ativos: Santa Luzia, Ilhamar, Banco Solidário Quilombola do Iguape, Ecoluzia e Banex, com as seguinte moedas sociais Umoja, Concha, Sururu, Moex e Trilha. Segundo dados da Rede Brasileira de Bancos Comunitários e Municipais, o país possui 182 Bancos, 22 mil comércios credenciados e 220 mil usuários de moeda social.