Salvador sediou nesta sexta-feira (06) a 10ª e última etapa da Conferência Interterritorial de Economia Popular e Solidária, realizada no Instituto Anísio Teixeira (IAT). O evento contou com a participação de mais de 350 pessoas e, ao longo de suas 10 etapas, atingiu aproximadamente 2.550 participantes, engajados na construção do 2º Plano Nacional de Economia Solidária. As discussões e propostas resultantes dessas conferências serão debatidas na Conferência Estadual de Economia Solidária (Conaes-BA), prevista para novembro, na capital baiana.
O objetivo desses encontros foi ouvir e colher propostas dos atores da economia solidária nos 27 territórios de identidade da Bahia, incluindo empreendimentos de economia solidária, poder público local, organizações da sociedade civil e agentes de apoio. Em Salvador, cerca de 25 propostas foram apresentadas por 120 delegados eleitos, representando as regiões da Região Metropolitana de Salvador, Litoral Norte e Agreste Baiano.
Os debates foram estruturados em torno de cinco eixos temáticos: realidade socioambiental, cultural, política e econômica; produção, comercialização e consumo; financiamento, crédito e finanças solidárias; educação, formação e assessoramento técnico; e ambiente institucional, incluindo legislação, gestão e integração de políticas públicas.
O titular da Secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Davidson Magalhães destacou a importância do processo democrático de construção da política pública de economia solidária, ressaltando a unidade construída durante os debates como fundamental para o sucesso da economia popular e solidária no país. “A participação social na construção de políticas públicas tem a ver com identidade de governo, tem a ver com concepção de governo e com objetivos. Essa unidade que foi construída neste debate mostra a importância da nossa união para construir caminhos exitosos em prol da economia popular e solidária do país”, afirmou.
A presidente das Voluntárias Sociais da Bahia e primeira-dama do estado, Tatiana Velloso, também esteve presente e elogiou o trabalho realizado pela Bahia, ao longo dos anos, em prol da economia solidária. Velloso destacou a herança deixada por Paul Singer em termos de políticas públicas de economia solidária e a importância de reconhecer a ancestralidade e as práticas tradicionais dos povos indígenas, como parte essencial dessa economia. “A economia solidária teve uma visibilidade importante nas décadas de 80 e 90 enquanto categoria, mas ela é prática dos nossos povos originários, das nossas comunidades tradicionais, que têm uma centralidade na vida e nas pessoas, pautada na justiça social”, disse.
Representante dos catadores de materiais recicláveis da Camapet, Michele Almeida, viu no evento uma oportunidade para buscar melhorias para sua categoria e ampliar a visibilidade do trabalho realizado pelos catadores na sociedade. Já Flávia Lima, gestora da Associação Comunitária de Matarandimba e integrante do Banco Comunitário da comunidade, ressaltou a importância da conferência como espaço de construção coletiva e de obtenção de conquistas para a política pública de economia solidária na Bahia.
A presidente da Associação Quilombola do Distrito de Passé, em Candeias, Adailma Santana, considerou o evento como um momento crucial para fortalecer sua comunidade. “É neste espaço que a gente fortalece cada dia mais, e tudo que eu quero é levar respostas para dentro da minha comunidade”, enfatizou.
Delegados da Bahia
Com a realização das 10 conferências interterritoriais, a Bahia já conta com 600 delegados eleitos, que serão novamente avaliados na Conferência Estadual antes de seguir para a etapa nacional. As interterritorias marcam um passo importante na consolidação das propostas que serão discutidas nas próximas etapas estaduais e nacionais, garantindo que a voz dos atores da economia solidária continue a ser ouvida e considerada na construção de políticas públicas no Brasil.
A 4ª Conferência Nacional de Economia Solidária (Conaes), promovida pelo Governo Federal por meio do Ministério do Trabalho e Emprego, será um espaço de fortalecimento da economia popular e solidária no Brasil. Estima-se que o evento contará com a participação de 1.500 delegados de diversas esferas governamentais e da sociedade civil, incluindo entidades e empreendimentos de economia popular e solidária. O evento está previsto para abril de 2025, em Brasília, quando será elaborado o 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária.