As biojoias e acessórios produzidos pelas artesãs de Maragogipinho (município de Aratuípe, na Bahia) foram destaque no desfile da marca de moda Meninos Rei, na passarela da São Paulo Fashion Week - SPFW 2025, na tarde desta quinta-feira, 16. Durante aproximadamente 20 minutos, os adereços de barro e palha compuseram o look dos estilistas baianos adornando corpos de modelos e de celebridades como a apresentadora Rita Batista e as cantoras Luedji Luna e Majur.
A iniciativa de levar para o mundo da moda as peças artesanais de 32 mulheres de Maragogipinho é da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre), por meio da Coordenação de Fomento ao Artesanato, através de parceria com a marca Meninos Rei, dos baianos Céu Rocha e Junior Rocha.
A Setre realizou a cobertura do evento, que pode ser conferida na íntegra nas redes digitais (@setrebahia).
Braceletes, colares, brincos, balangandãs, chinelos, bolsas e adornos para cabelo feito de cerâmica, cabaça e palha, com referências culturais de uma Bahia mais interiorana, sobretudo do Recôncavo, chamaram a atenção do público que lotou o espaço no Parque do Ibirapuera. Ao som de samba de roda, o cortejo de roupas com estamparia colorida e acessórios artesanais promoveu a visibilidade do trabalho das artesãs baianas.
Uma delas, Isleide Arouca, uma das quatro artesãs que acompanhou o evento em São Paulo. "A emoção de estar aqui foi muito grande, de estar aqui no maior festival de moda da América Latina e trazendo minhas peças para um desfile muito importante, foi muito gratificante, muito emocionante, muito legal".
Outra artesã, Leila Dultra, lembrou da importância de dar visibilidade à ancestralidade. "Estar aqui está sendo maravilhoso. É muito emocionante ver nossas peças desfilando e assim, é muito mais do que beleza, né? Isso representa força e representa resistência".
Parceria - Esta é a segunda parceria entre a Setre e a Meninos Rei na SPFW. Em 2024, artesãs do Quilombo Pitanga dos Palmares se destacaram com peças em piaçava e madeira, todas vendidas após o evento. O estilista Céu Rocha disse que o trabalho de 2024 rendeu bons frutos. "A gente retorna, dessa vez, em Maragogipinho, que é um solo sagrado, ancestral. A gente teve o barro como elemento principal no desenvolvimento da coleção, e a gente está encantado com o poder que aquelas mulheres pretas depositaram nessa coleção. Ali a gente sente a história de cada uma, os elementos, as simbologias, então a gente está muito feliz".
O irmão, Junior Rocha, lembrou da experiência com as artesãs em Maragogipinho. "Eu digo pro meu irmão que as semanas que ficamos lá em Maragogipinho foi um aprendizado muito grande, e aquelas senhoras, elas fazem verdadeiras jóias. E assim, nem elas acreditaram que estavam conseguindo fazer uma peça como fizeram. Então é você pegar esse barro, que é um barro ancestral, e você colocar na maior passarela de moda, a São Paulo Fashion Week. Então, pra gente é assim, é você poder acreditar naquelas senhoras, e são senhoras todas pretas (...). É um orgulho muito grande. O resultado tá incrível".
Visibilidade e Renda - O coordenador de Fomento ao Artesanato da Setre, Weslen Moreira, disse que o projeto é baseado no tripé qualificação, promoção e venda com a finalidade de dar protagonismo às mulheres artesãs.
"A gente qualificou essas mulheres incríveis em Maragogipinho e é uma demonstração de que é dando a oportunidade que as coisas acontecem. Elas chegaram aqui graças a uma oportunidade de qualificação. Habilidades elas têm. A vontade elas tinham e o Governo, a partir de políticas públicas, oportunizou qualificação e elas estão aqui. A promoção vai se dar agora, na maior passarela da América Latina. Olha essa produção feita por elas em poucas semanas e num distrito que é marcado por muita cerâmica, mas que é um local onde o artesanato majoritariamente é feito por homens", disse Moreira.
A ação vai incluir dezenas de mulheres na cadeia produtiva do artesanato da Bahia, gerando comercialização dos produtos e renda. "A gente quer que, após essa exposição toda, essa promoção toda, isso amplie a geração de renda dessas mulheres. E uma boa novidade: saiu das passarelas, poderão comprar esse material no Festival da Cerâmica de Maragogipinho, de 14 a 16 de novembro", completou o coordenador.