Mulheres que moldam histórias: III Festival de Cerâmica de Maragogipinho celebra a força das artesãs do Recôncavo Baiano

13/11/2025
Maragogipinho
Fonte/Crédito
Ricardo Filho/Ascom Setre

 

Evento acontece de 14 a 16 de novembro, destacando o protagonismo feminino na preservação da tradição ceramista

De 14 a 16 de novembro, o distrito de Maragogipinho, em Aratuípe (BA), será palco do III Festival da Cerâmica, que este ano celebra o tema “A Força da Mulher no Artesanato de Maragogipinho”. O evento homenageia as mulheres que, com criatividade, dedicação e resiliência, preservam e inovam uma das tradições mais importantes do Recôncavo Baiano.

O protagonismo feminino é o fio condutor desta edição, que evidencia histórias de mulheres que transformam o barro em arte, transmitindo saberes ancestrais de geração em geração. Para Caroline Rodrigues Conceição, de 22 anos, o artesanato é mais do que uma fonte de renda: é um legado familiar. “É uma sensação de alegria, de gratidão, porque a gente está vendo nossa cultura indo para o mundo inteiro. Eu aprendi com meus pais e hoje minha filha já me acompanha, quer aprender, quer fazer o que eu faço. É uma riqueza que não podemos deixar morrer”, destaca.

O artesanato, além de ser uma fonte de renda, é para muitas mulheres de Maragogipinho um legado cultural e um símbolo de resistência. Para Terezinha Luz, de 69 anos, o artesanato é uma forma de conexão com a natureza e com a própria identidade. “Qualquer traço de um galho, de uma árvore, de uma flor me inspira. Hoje, ser chamada de artesã é uma satisfação imensa. Eu amo essa arte, essa cultura, e o curso de biojoias me fez avançar ainda mais. Antes, eu só pintava, mas agora crio peças e me inspiro cada vez mais”, celebra.

Neste ano, as mulheres artesãs de Maragogipinho participaram de um curso de biojoias, que trouxe novas possibilidades para a cerâmica local ao unir técnicas tradicionais com design contemporâneo. Durante o curso, as participantes produziram peças que foram apresentadas no São Paulo Fashion Week, um dos maiores eventos de moda do Brasil. Para Mestra Dadá, de 94 anos,  irmã de Milton Moreira, criador da Baiana Moringa - símbolo do festival deste ano,  a experiência foi transformadora, mesmo que no início ela tenha hesitado em participar. “No começo, eu disse que não ia participar do curso de biojoias porque já tinha idade. Mas a professora me disse: ‘Isso é para a mente, não tem idade.’ E é verdade. Enquanto estou trabalhando, não penso em mais nada. É um alívio, uma alegria”, enfatiza.

O evento terá como símbolo a peça “Baiana Moringa”, que une a cultura afro-brasileira às técnicas tradicionais de cerâmica, representando a resistência e a criatividade das mulheres artesãs. Além disso, o evento contará com feiras de artesanato e gastronomia, visitas guiadas às olarias centenárias e atrações musicais como Olodum (14/11), Escandurras (15/11) e Jorge Vercillo (16/11).

O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Augusto Vasconcelos, ressalta que o festival é um exemplo de como o artesanato pode gerar oportunidades e fortalecer a economia criativa do estado.

“As artesãs de Maragogipinho representam a força do trabalho, da tradição e da inovação. São mulheres que transformam o barro em arte e constroem, com suas mãos, o sustento de suas famílias e a identidade cultural do Recôncavo. A Setre tem o compromisso de apoiar essas iniciativas que unem cultura, geração de renda e valorização do nosso povo”, afirma o secretário.

“Quando o artesanato de Maragogipinho chega a espaços como o São Paulo Fashion Week, por exemplo, estamos mostrando que a arte feita aqui, no interior da Bahia, tem valor universal. É motivo de orgulho para todo o nosso estado”, complementa.

“A homenagem às mulheres artesãs de Maragogipinho é mais do que justa — é um reconhecimento da força criativa que molda a identidade dessa comunidade. Para além de burnir e pintar, elas imprimem sensibilidade, técnica e invenção ao barro, transformando o cotidiano em arte e expressão. São protagonistas de um legado que atravessa gerações e inspira o futuro do artesanato baiano. Ficamos muito felizes em celebrar essas mulheres fortes, que agora também brilham com seus acessórios no São Paulo Fashion Week, levando o nome de Maragogipinho e da Bahia ao cenário da moda e da cultura nacional.”, destacou o coordenador de fomento ao Artesanato da Bahia, Weslen Moreira.

O Festival da Cerâmica é realizado pelo Governo da Bahia, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e da Coordenação de Fomento ao Artesanato (CFA), em parceria com a prefeitura de Aratuípe e o Turismo da Bahia, com execução do  Instituto Convida, Instituto Curupira e o Instituto Brasileiro do Desenvolvimento do Esporte e Cultura (IBDE).

Programação

Dia 14/11 (sexta-feira)
10h às 20h – Feira de Artesanato
14h às 16h – Abertura oficial e entrega de certificados
14h às 00h – Feira Gastronômica
17h às 20h – Apresentações culturais
20h às 00h – Programação Musical: Uma das atrações Olodum

Dia 15/11 (sábado)
10h às 20h – Feira de Artesanato
10h30 às 11h / 15h às 15h30 – Visita guiada e experiência imersiva nas olarias
14h às 00h – Feira Gastronômica
16h30 – Desfile cultural
17h às 20h – Apresentações culturais
20h às 00h  – Programação Musical: Uma das atrações Escandurras

Dia 16/11 (domingo)
10h às 18h – Feira de Artesanato
10h30 às 11h / 15h às 15h30 – Visita guiada e experiência imersiva nas olarias
14h às 00h – Feira Gastronômica
16h às 22h –  Programação Musical: Uma das atrações Jorge Vercillo

Observação: A programação está sujeita a alterações.

 

Maragogipinho
Fonte/Crédito
Ricardo Filho/Ascom Setre
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3º Festival de Cerâmica de Maragogipinho