Cardápio da COP30 tem o sabor sustentável da agricultura familiar da Bahia

Publicado: 13/11/2025 Última atualização: 05/10/2026 às 14:12
Cardápio da COP30 tem o sabor sustentável da agricultura familiar da Bahia

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontece até 21 de novembro de 2025, em Belém do Pará, tem um sabor especial: o da agricultura familiar da Bahia. Produtos genuinamente baianos, cultivados com sustentabilidade, compromisso social e respeito ao meio ambiente, estão entre os alimentos que compõem o cardápio servido a líderes e delegações do mundo inteiro.

Entre os destaques está a FrigBahia, frigorífico especializado na produção e comercialização de carnes especiais de cordeiros e cabritos, do município de Pintadas, que leva à COP30 mais de cinco toneladas de cortes especiais de caprinos e ovinos da marca Fino Sertão, símbolo do protagonismo do Semiárido. “Do sertão para o mundo! Celebramos essa remessa de cinco toneladas de produtos para a COP30. Estamos levando sabor, qualidade e a responsabilidade do abate inspecionado da Bahia para Belém. Para o mundo!”, celebra o presidente da cooperativa, Wanderley Gomes.

A FrigBahia, desde sua fundação, atua com rigorosos padrões de manejo sanitário e bem-estar animal, garantindo sustentabilidade e rastreabilidade em toda a cadeia produtiva. Formada por sete cooperativas de produtores, a iniciativa gera renda, fortalece a economia local e valoriza a cultura sertaneja, um verdadeiro exemplo de que desenvolvimento e preservação podem caminhar juntos.

Outro destaque é a Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê  (Copirecê), que levou para Belém 500 kg de macarrão e 1.350 kg de flocão de milho não transgênico, utilizados tanto nas refeições da conferência quanto para venda. “Pra nós, da Copirecê, é um motivo de muito orgulho ter o Flocão e o Macarrão de Milho não transgênico presentes na COP30. Isso vai muito além de levar um produto pra feira. É levar a essência da agricultura familiar baiana pro mundo, mostrando que é possível produzir com qualidade, sustentabilidade e responsabilidade”, afirma Rodrigo Pinto, assistente técnico de apoio à gestão (Ateg) da cooperativa.

Já a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), do Sertão do São Francisco, apresenta o melhor da Caatinga em forma de sabor com geleias e doces de umbu e maracujá da caatinga, doces em massa e de corte, cerveja artesanal de umbu e os tradicionais kits BR e Caatinga, com produtos que expressam a biodiversidade e o sabor do sertão.

Também estão presentes, a Coopaita com frutas desidratadas e liofilizadas; a Cooperparaiso, com sucos de uva naturais; a Natucoa e a Bahia Cacau, com chocolates finos de origem; a Coomafes, com chips de banana; a Coopersabor, com produtos de licuri, como balinhas, biscoitos e cervejas; a Cooperlad, com doces e geleias de cajá; e a Abaíra, com suas premiadas cachaças artesanais.

Esses produtos simbolizam uma agricultura que enfrenta as mudanças climáticas com soluções práticas e sustentáveis. Na Bahia, O Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), tem sido protagonista nesse processo. Por meio de projetos de fomento, assistência técnica e fortalecimento de cooperativas, a CAR estimula, a adoção de sistemas agroecológicos e agroflorestais, que integram culturas agrícolas com árvores nativas e reduzem as emissões de gases de efeito estufa, entre outras ações.

Essas práticas incluem o uso eficiente da água, a conservação do solo e a diminuição da dependência de insumos químicos, tornando a produção mais resiliente e ambientalmente responsável.

Com mais de 665 mil propriedades familiares, que representam mais de 80% dos estabelecimentos rurais da Bahia, o estado é o maior celeiro da agricultura familiar do Brasil. São famílias que mantêm vivas tradições, movimentam economias locais e mostram que o futuro da alimentação justo, saudável e sustentável nasce no campo.

Repórter: Karoline Meira