#SEPB – Bibliotecários dialogam sobre suas realidades e debatem acessibilidade em Bibliotecas

05/11/2015

Leitura e tecnologia, acessibilidades em bibliotecas. Estes temas foram discutidos na manhã desta quarta-feira (21), no segundo dia do I Encontro do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas da Bahia (SEBP), que será realizado até esta quinta (22), na Biblioteca Pública do Estado – unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/ Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. O encontro reúne gestores de órgãos e instâncias governamentais, bibliotecários de diversos municípios.

A programação do dia foi iniciada com a mesa de debate tematizando a relação entre Leitura e Tecnologia, com a participação da professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Lícia Beltrão. A educadora citou para a plateia a crônica Antena Ligada, do jornalista Lourenço Diaféria, para refletir sobre diferentes concepções de interpretação, experiências e práticas de leitura.

“Esse texto provocativo traz temporalidades distintas. A ideia é refletir que existem leitores que reagem à leitura por apenas uma vertente e que estes não devem ser discriminados, pois a leitura é plural e polissêmica. Em se tratando de tecnologia, há de destacar que hoje os textos se atualizam através de práticas de leituras que são multimodais. A cada tempo a leitura vai se pluralizando porque os meios vão se atualizando”, destacou a professora.

Após a apresentação, os representantes do Comitê para a Democratização da Informática (CDI) – que é uma organização social que usa a tecnologia para transformação social, empoderando comunidades e estimulando o empreendedorismo, educação e cidadania -, Caroline Fadigas e Manuel Brandão, explicaram sobre a criação e desenvolvimento do Projeto CDI Bibliotecas (conheça mais do projeto).

A dupla explicou que o projeto – existente na Bahia há 17 anos – tem entre os objetivos a criação de um ambiente de inovação nas bibliotecas que seja referência para ampliar o acesso à leitura e ao conhecimento, através de doação de computadores, e contribuir na formação dos bibliotecários e profissionais que atuam na biblioteca para maior integração da tecnologia em suas atividades. Em Salvador, cinco bibliotecas do SEBP já foram contempladas: Anísio Teixeira, Thales de Azevedo, Infantil Monteiro Lobato, Biblioteca Juracy Magalhães Junior, Biblioteca Pública do Estado da Bahia.

 Acessibilidade- A discussão sobre políticas públicas que envolvam acessibilidade em bibliotecas também ganhou espaço no Encontro do SEBP. A coordenadora geral do projeto Mais Diferenças, Carla Mauch, trouxe temas para conscientizar os bibliotecários sobre ações que devem ser tomadas, visando a qualidade do atendimento aos deficientes que se dirigem às bibliotecas.

“Infelizmente a maioria das pessoas com deficiência estão fora do acesso ao livro. Há uma proposta de trabalho com educação inclusiva no Mais Diferenças (conheça mais do projeto), que pretendemos tomar iniciativas, com auxílio do governo, para inserir medidas inclusivas nas bibliotecas. No geral, os deficientes que chegam a essas unidades possuem diversas deficiências (física, auditiva, visual, intelectual) e mesmo já tendo iniciativas voltadas para melhor atendê-los, ainda há erros estratégicos. Um exemplo disso é que no Brasil quase não existem publicações bilíngues, que são livros escritos à tinta e em sinais, onde potencializaria interação entre todos”, conluiu Carla.

A coordenadora da Biblioteca Universitária Reitor Macedo Costa/ Ufba, Fátima Botelho, que participou da mesa de debate ao lado de Carla, complementou que uma biblioteca dentro do ideal de acessibilidade e inclusão vai além de ter em sua estrutura elevadores, rampas de acesso ou acervos.  “Vai além ter mediação direta e indireta de bibliotecários que permitam o acesso de todos ao conhecimento”, disse.

As discussões trazidas durante I Encontro Estadual de Bibliotecas Públicas têm sido bastante satisfatórias para  diversos gestores de órgãos públicos culturais em municípios espalhados na Bahia. Para a diretora da Câmara Técnica de Cultura do Território da Chapada Diamantina  e conselheira da Associação dos Dirigentes Municipais de Cultura da Bahia (Adimcba) Sandy Rosane, as experiências e informações levantadas nas palestras servirão de base para ações nas bibliotecas da Chapada Diamantina. “Não sou bibliotecária, e sei que o Encontro tem foco para temas que dizem respeito às atividades e problemas  que esses profissionais de bibliotecas enfrentam, mas as informações e boas práticas que venho ouvindo aqui  com certeza levarei para as bibliotecas dos municípios do Território”, confessou.