20/09/2010
A Série TCA 2010 – Ano XV apresenta no dia 22 de setembro (quarta-feira) o grupo de dança contemporânea japonês Sankai Juku, que traz a Salvador o espetáculo “Tobari – Como num Fluxo Inesgotável”. Será a vez do público baiano conhecer a linguagem coreográfica do butô, marca da peculiar estética do Sankai Juku. O evento acontece na Sala Principal do Teatro Castro Alves, às 21h. Os ingressos (inteira) custam R$ 80 (filas A a P), R$ 60 (filas Q a Z) e R$ 40 (filas Z1 a Z11).
Criado na década de 1970, o grupo já visitou muitos países e é atualmente uma das companhias japonesas que mais se apresentam no exterior. Seu fundador, Ushio Amagatsu, é um dos responsáveis pela disseminação do butô, movimento cultural surgido na Japão dos anos 1950. Em “Tobari – Como num Fluxo Inesgotável”, os oito bailarinos evocam a relação com a natureza e com o cosmo. Tobari diz-se de um pedaço de tecido que separa um espaço em duas partes. Poeticamente, essa palavra é também empregada para evocar a passagem do dia à noite, representando, no espetáculo, também o antagonismo entre o presente e o futuro. No cenário, estrelas preenchem o fundo, um feixe de luz marca a área oval que significa terra firme e o conjunto da postura de cada membro aperfeiçoa a fusão com a natureza.
Sankai Juku – O grupo japonês surgiu em 1975, liderado por Ushio Amagatsu. Uma série de longos estágios com diversos bailarinos e bailarinas selecionou os componentes para criar uma companhia, entre os quais ficaram apenas os homens. De forma natural, o Sankai Juku tornou-se um grupo masculino, cujo nome significa literalmente “o ateliê (oficina) da montanha e do mar”, dois elementos determinantes da topografia do Japão.
O Sankai Juku é a segunda geração de dançarinos que trabalham com o butô, linguagem artística que lançou as bases para a abordagem da dança contemporânea japonesa a partir do final dos anos 1950 e surgiu como uma reação ao contexto sociocultural marcado pela repressão e agressão ocidentais do pós Segunda Guerra. O nome original, Ankoku Butoh, pode ser traduzido como dança da escuridão profunda. Este tipo de coreografia combina dança e teatro, exigindo do bailarino, que tem o corpo pintado de branco, a capacidade explorar movimentos surreais, lançando-se ao subconsciente e à dramatização de sentimentos que emergem da reflexão sobre quem somos no mundo em que vivemos.
A pesquisa pessoal de Ushio Amagatsu está baseada em um diálogo com a gravidade, que o bailarino utiliza não como adversária, mas como aliada ao seu movimento. Enquanto o dançarino ocidental tenta esquivar-se dela através de sua energia em saltos e piruetas, Amagatsu busca dialogar por meio de um movimento focado em concentração e economia de dispêndio muscular.
Graças às suas turnês internacionais anuais realizadas há trinta anos, mas também pelas oficinas e master classes que a Companhia promove em Paris, no Japão e em outros países, o estilo próprio do Sankai Juku e sua estética particular foram difundidas no mundo inteiro e influenciam um número crescente de artistas em diversas áreas, como a dança contemporânea, o teatro, a pintura, a moda e a fotografia.
Atualmente, o Sankai Juku é uma das companhias japonesas que mais se apresentam no exterior, especialmente na França, no Théâtre de la Ville de Paris, onde a cada dois anos, desde 1982, estreia novas criações. Amagatsu considera a França como sua segunda pátria, já que foi o ponto de partida para internacionalizar o Sankai Juku.
Tobari – Como num fluxo inesgotável é dirigido por Ushio Amagatsu, tem 1h25m de duração e é composto pelos seguintes quadros: Uma sombra em um sonho; Refletirem-se uns nos outros; Sonho de futuro vertical; Azul-noite; Num fluxo inesgotável; Rumo a um nada sem limites.
Série TCA – Realizada pela Secretaria de Cultura da Bahia, por meio da Fundação Cultural do Estado e do Teatro Castro Alves, a Série TCA está comemorando em 2010 seu 15º ano. Criado com o objetivo de inserir Salvador e a Bahia no circuito internacional de grandes espetáculos, o projeto tem trazido para a Sala Principal do TCA alguns dos mais renomados artistas e companhias de dança, música e teatro do mundo. Na atual temporada já se apresentaram o Ballet Imperial da Rússia, a São Paulo Companhia de Dança, o pianista polonês Jan Krzysztof Broja, que realizou um concerto junto com a Orquestra Sinfônica da Bahia, o Duo Assad com o Turtle Island String Quartet e a companhia mineira de dança Grupo Corpo.
Após o grupo Sankai Juku (22/09), se apresentam ainda o trompetista norte-americano Irvin Mayfield, juntamente com a New Orleans Jazz Orchestra (24/09), o grupo musical Gotan Project com seu tango contemporâneo no dia 13 de outubro e a soprano norte-americana Jessye Norman, que finaliza a temporada da Série TCA em 15 de outubro.