Documentário é tema de mesa redonda no MAM-BA

23/09/2010
O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) realiza, na próxima terça-feira (28), às 18h30min, no Cinema do MAM, uma mesa redonda intitulada Thomas Farkas e o Documentário na qual será discutido o trabalho em vídeo deste que é um dos maiores ícones da fotografia e do cinema brasileiro. Participarão do evento a mestre em artes visuais (UFBA) doutora em artes cênicas (UFBA) e pesquisadora dos temas Cinema Brasileiro e Criação/Autoria, Marise Berta, e o Doutor em Ciências Sociais (Unicamp), Mestre em Sociologia (UFBA), professor do CEAO/UFBA e pesquisador dos temas Documentário e Cinema Brasileiro. Cláudio Pereira. Em 1964, Thomaz Farkas fundou a Caravana Farkas, projeto pioneiro de documentação da cultura popular brasileira. Convicto de que, para conhecer o país, era preciso documentá-lo, participou alternadamente como produtor, co-produtor, diretor e diretor de fotografia de 40 documentários sobre a cultura popular no interior do Brasil. Oficina – Na próxima segunda-feira (dia 27), das 15h às 18h, o MAM-BA também dará início ao minicurso Oficina Prática de Documentário, ministrada pelo cineasta Josias Pires. A atividade, cujas inscrições já estão encerradas, irá abordar os conceitos e etapas para realização de um vídeo documentário. O curso terá cinco dias de duração e terminará na sexta-feira (dia 1º). O Tempo Dissolvido Em cartaz no MAM até 03 de outubro Fotografias e filmes dialogam apresentando o universo de Thomaz Farkas, fotógrafo, cineasta, produtor, professor e figura humana de rara generosidade. Em Thomaz Farkas – O Tempo Dissolvido, exposição que fica em cartaz no Museu de Arte Moderna da Bahia, até 03 de outubro, o público poderá apreciar, conhecer e se aprofundar na história de um dos ícones da fotografia e do cinema brasileiro. A exposição conta com a parceria do Instituto Casa da Photographia de Salvador e Pinacoteca do Estado de São Paulo. Com curadoria de Diógenes Moura, escritor, editor e curador de fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo, a mostra Thomaz Farkas – O Tempo Dissolvido reúne 119 imagens, muitas delas inéditas, e apresenta uma leitura da obra de Farkas (Hungria, 1924) com registros das últimas seis décadas. A exposição conta, ainda, com uma série de fotografias coloridas produzidas em Salvador, nos anos 1970, em lugares como Mercado Modelo, Avenida Sete de Setembro e no bairro Alagados. Segundo o curador, “além do ineditismo de um grande número de imagens, a curadoria da mostra se deteve em períodos importantes da obra de Thomaz Farkas, especialmente entre as décadas de 1940 a 1970, um período definitivo para o desenvolvimento da fotografia brasileira”. Biografia Thomaz Farkas nasceu em Budapeste, Hungria, 1924. Imigra para o Brasil em 1930, radicando-se com a família em São Paulo. Filho de um dos sócios fundadores da Fotoptica, uma das principais lojas de equipamentos fotográficos do Brasil, começa a fotografar na adolescência e já em 1942 associa-se ao Foto Cine Clube Bandeirantes, em São Paulo, participando de salões nacionais e internacionais. Em 1949, realiza a mostra individual Estudos Fotográficos, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). Nesse período também faz experimentações em cinema, atividade que desenvolverá nas décadas seguintes, paralelamente à fotografia. Em 1953, gradua-se em engenharia mecânica e elétrica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP). Após o falecimento do pai, em 1960, assume a direção da Fotoptica, cargo que ocupa até 1997, coordenando a revista e a Galeria Fotoptica. Em 1963, torna-se sócio-fundador do MAM-SP. Em 1964 funda a Caravana Farkas porque tinha a certeza de que para conhecer o Brasil só restava uma saída: documentar o país. Entre 1964 e 1980 participa alternadamente como produtor, co-produtor, diretor e diretor de fotografia de 40 documentários sobre a cultura popular no interior do país. Os filmes são exibidos e premiados em festivais no Brasil e exterior. Entre 1969 e 1989 leciona fotografia nos Departamentos de Cinema e Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), onde defende tese de doutorado em 1977. Sua obra fotográfica alcança reconhecimento público durante as décadas de 1990 e 2000, sendo homenageada com diversas exposições, publicações e prêmios, como a Medalha Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República, em 2000. Também desenvolve importante atuação institucional como membro dos Conselhos da Fundação Bienal de São Paulo; Coleção Pirelli Masp de Fotografia; Cinemateca Brasileira de São Paulo e Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 2005 inaugurou na Pinacoteca do Estado de São Paulo a exposição Brasil e Brasileiros no Olhar de Thomaz Farkas, sob curadoria de Rosely Nakagawa e Diógenes Moura, série que realizou durante uma viagem pelo Rio Negro, no início dos anos 70, ao lado do zoólogo e compositor Paulo Vanzolini para produzir mais um dos documentários para a Caravana Farkas. No ano seguinte uma edição dessas fotografias foi reunida no livro Thomaz Farkas, Notas de Viagem (Ed. Cosac Naify). Sua obra, com cerca de 34 mil imagens, foi incorporada ao acervo do Instituto Moreira Salles, sob o regime de comodato, em dezembro de 2007.