Reabilitação do Centro Antigo promove melhorias na Baixa dos Sapateiros

07/10/2010
Um dos primeiros centros comerciais a céu aberto em Salvador, a Baixa dos Sapateiros deverá retomar importância histórica e econômica. A Avenida J. J. Seabra (nome oficial), cenário de três das três principais salas de cinema da cidade, até a década de 70: Jandaia, Tupy e Pax, vai ter o comércio aquecido e a valorização de seu parque arquitetônico. A região, considerada um do principais acessos ao coração do Centro Antigo, o Pelourinho, vem passando por melhorias na iluminação pública, recuperação de monumentos e equipamentos culturais. As intervenções integram o Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo de Salvador, que prevê, em uma de suas proposições, reverter o quadro de esvaziamento populacional e institucional do centro histórico. Para isso, foi realizado um Encontro de Acompanhamento do Plano de Reabilitação Participativo do Centro Antigo de Salvador, nesta quinta-feira (7), no Palácio Rio Branco, Praça Thomé de Souza. Foram discutidas as ações públicas referentes à 4ª Proposição do Plano, das três esferas governamentais (municipal, estadual e federal), para a região do Centro Antigo de Salvador (CAS). A proposta trata do ‘incentivo ao uso habitacional e institucional no CAS’. Habitação - Segundo o secretário da Cultura, Márcio Meirelles, a participação da sociedade civil e dos entes federativos é a solução para a reconstrução do parque imobiliário do Centro Antigo. Ações prioritárias, referentes à habitação, já estão em andamento na área. Um dos principais exemplos é a obra de requalificação da Vila Nova Esperança (antiga Rocinha), cuja intervenção beneficiará 66 famílias residentes na área, com a construção de unidades habitacionais e equipamentos comunitários. Os recursos, R$ 7 milhões, são oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, em parceria com as Secretarias estaduais de Cultura (Secult) e de Desenvolvimento Urbano (Sedur). A iniciativa privada também está envolvida no projeto, por intermédio da Dow Química. As obras foram iniciadas em maio de 2010. “O centro antigo é um grande mercado possível de habitação. O Sindicato da Construção Civil e Mercado Imobiliário já demonstraram interesse nesse parque imobiliário com um potencial de renovação muito grande”, revela o secretário, que destacou que para Baixa dos Sapateiros foram contratados recursos na ordem de R$ 28 milhões. Comerciantes - A requalificação tem como contrapartida a qualificação profissional, ministrada pelo Sebrae, para aumentar a competitividade e dinamizar a região. O comerciante Michel Nader,do ramo de confecções,se recorda da última reforma na área. “Tem mais ou menos uns 32 anos que eu não vejo nenhuma intervenção. Com essa revitalização, espero que o comércio seja alavancado. É bom para o comerciante, para o transeunte e para as empresas”. “Aqui já foi bom. Parecia um formigueiro. Agora, vai melhorar bastante pra todo mundo. O Sebrae já nos procurou e estou na maior expectativa para melhorar meu atendimento. A qualificação chega em boa hora”, revela a vendedora Roseli Araújo, que trabalha ao lado do Mercado de São Miguel. A primeira etapa do projeto, concluída em dezembro de 2009, contemplou 24 imóveis com pintura, melhoria das esquadrias e retiradas dos revestimentos metálicos, deixando as fachadas mais atrativas e menos poluídas visualmente, assim como a capacitação de 80 lojistas e colaboradores. Já em andamento, a segunda etapa contempla recuperação de 37 imóveis. O investimento específico para a intervenção é de R$ 146 mil. Outros espaços públicos - Além dos serviços de recuperação de fachadas, o contrato de repasse, entre o Ministério do Turismo (Mtur) e a SecultBA, no valor de R$ 28 milhões contempla a requalificação de espaços públicos da Baixa dos Sapateiros, do trecho Carmo-Taboão, do Pilar e da Rua Chile, as obras de reforma do Mercado de São Miguel e iluminação artística de cinco monumentos. Serão executadas, também, a obra da Vala Única e a sinalização vertical de trânsito na Baixa dos Sapateiros, além de sinalização turística em todo o Centro Histórico de Salvador. A 1ª etapa da iniciativa já foi realizada e beneficiou 24 imóveis da avenida. Neste procedimento foram utilizados R$105 mil, provenientes, exclusivamente do Governo do Estado. A coordenadora do Escritório de Referência do Centro Antigo de Salvador (Ercas), Beatriz Lima, ressaltou o trabalho de faxinaço, pinturas das fachadas e recomposição dos imóveis, além de realizar iniciativas que possam trazer a elevação do perfil social e econômico da população. “Devemos pensar as pessoas crescendo com a área. A grande sacada do projeto foi estabelecer um pacto ético, em atendimento à proposição que diz respeito à melhoria das condições econômicas da região, em especial dos pólos de especialização”, salientando que a requalificação dessas fachadas é resultado da parceria com a Associação de Lojistas e o Fórum Municipal para o Desenvolvimento Sustentável do Centro da Cidade.