Novo espetáculo do Núcleo de Teatro do TCA aborda as festas nossas de cada dia

20/10/2010
"Dias de Folia", de Jacyan Castilho, estreia no Centro Cultural Plataforma e lança um olhar divertido sobre o comportamento humano em ocasiões festivas O espetáculo Dias de Folia lança um olhar bem-humorado sobre as festas que fazem parte do nosso cotidiano e calendário. Com estréia na quinta-feira, dia 14 de outubro, às 19h, no Centro Cultural Plataforma, a nova montagem da diretora Jacyan Castilho aborda várias ocasiões festivas, das quais participamos de diferentes formas e estados de ânimo. Entre aniversários, casamento e datas comemorativas da agenda mundial (como carnaval, réveillon e copa do mundo), a peça reúne personagens pitorescos e situações comuns e inusitadas. Dias de Folia foi premiado com o edital de montagem do Núcleo de Teatro do TCA, resultando no 16º espetáculo do projeto. Com produção da Huol Criações, a peça cumpre temporada de três finais de semana em Plataforma, sempre em dois horários, 16h e 19h, de quinta a sábado, e com ingressos a preços populares: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). O objetivo é facilitar o acesso a estudantes da região do subúrbio ferroviário, numa iniciativa de formação de plateia. Em novembro, Dias de Folia realiza sua segunda temporada, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves. O projeto também coloca a diretora e atriz Jacyan Castilho pela primeira vez à frente de uma montagem do TCA.Núcleo. A encenadora de Canteiros de Rosa e A Canoa concebeu um espetáculo sem texto, cuja narrativa fragmentada e episódica reflete sobre acontecimentos recorrentes nas celebrações pessoais e do calendário de festas da cidade. O roteiro nasceu de improvisações tendo como estímulos ocasiões festivas. Cada episódio, com princípio, meio e fim, foi testado em varias versões, até que se encontrassem sua síntese e sentido em encená-lo. Festa do cabide e velório – “A ideia é conduzir o espectador não por uma história, mas por ritos de passagem, tanto na sua formação individual e familiar, quanto na da cidade. De maneira não cronológica, vamos passando por esses ritos que constroem sua identidade, suas relações sociais e formas de compartilhar sentimentos”, propõe Jacyan. Ela enfatiza que Dias de Folia não tem caráter documental, não é uma paródia ou um retrato das ocasiões festivas. “A gente mostra o indivíduo nas festas; em sua fé, seu trabalho, seu lazer. É um olhar sobre o comportamento de cada um, que às vezes é de todos”, diz. Essa humanidade se revela através de ocasiões como o aniversário de 15 anos e do avô, festas de crianças e de amigas, baile da maturidade, Copa do Mundo e tributo a Iemanjá. A lista inclui ainda a mítica festa do cabide (“que todo mundo já ouviu falar, mas ninguém nunca foi”, brinca a diretora) e mesmo um velório. “A peça tem um olhar inusitado e revelador. O que deveria ser festivo, nem sempre é, e vice-versa. O velório pode ser uma celebração, uma congregação de amigos, um reencontro; e um aniversário, um momento de profunda solidão e deslocamento”, compara a diretora. Jacyan convidou a dramaturga Cláudia Barral para amarrar as situações levadas à cena. A premiada autora de O Cego e o Louco teve a tarefa de formatar dramaturgicamente, encadear e costurar os episódios de Dias de Folia, que traz também personagens, situações e espaços comuns a muitas festas, como garçons e banheiros. “Eles funcionam como refrões da narrativa”, comenta Cláudia. A diretora conta que partiu de duas inspirações para chegar à ideia da montagem. A primeira foi o filme O Baile, de Etore Scola, que, sem palavras, traça um panorama de 40 anos da história da França. A segunda foi verificar as festas marcantes das nossas vidas, e estudar como elas se dão: além da ocasião em si, os preparativos, as vésperas, a arrumação, a ordem e a desordem, o dia seguinte, a desmontagem. Nesse sentido, chamou a atenção da diretora carioca radicada em Salvador o perfil dos festejos baianos, sua interferência na dinâmica da cidade, as ruas fechadas, o feriado não oficial, a mistura entre público e privado, entre a rua e a casa. Essa diluição de fronteiras também se reflete em Dias de Folia. Convites e seleção – Para contar essas pequenas histórias, que se passam em diferentes espaços – da praia ao largo, do salão de baile à sala de estar, do banheiro à cozinha –, a diretora convocou um time de profissionais tarimbados, que auxiliaram na composição de elementos cênicos e narrativos. Além de Cláudia Barral, Zuarte Júnior assina o cenário e Luciano Salvador Bahia, a trilha sonora original. Com o coreógrafo Jorge Alencar, responsável pela preparação corporal do elenco e direção de movimento, a encenadora chega a sua quarta colaboração, nas quais os dois alternam função de direção. “A presença do corpo é fundamental nesses ritos, nessas festas e, nessa montagem, é ele quem ‘fala’”, observa Jorge. Os figurinistas Thiago Romero e Cristina Melo foram escolhidos nas oficinas previstas pelo projeto TCA.Núcleo, nas quais parte da equipe técnica e artística é selecionada. Desses workshops também saíram o elenco, formado pelos atores Daniel Becker, Danillo Novais, Felipe Benevides, Isabela Silveira, Manhã Ortyz, Marcio Bernardes e Mariana Freire. Segundo Jacyan, que coordenou as oficinas, a escolha se deu pela habilidade dos intérpretes em se adaptar a varias situações com imaginação, respondendo rapidamente aos estímulos das improvisações. “Temos uma riqueza e fartura de material para desenvolver, dava para fazer cinco espetáculos”, conta a diretora. “Foi emocionante e divertido mexer com esse repertório afetivo de cada um, esse imaginário individual e também coletivo, essa memória que é comum. Isso foi decisivo para criar um espetáculo que busca a identificação imediata com o público, um caminho para a diversão e – por que não? – para a reflexão”. SERVIÇO: O quê: Dias de Folia Onde: Centro Cultural de Plataforma Quando: 14 a 30 de outubro, quinta a sábado, 16h e 19h Insgressos (inteira): R$ 4