11/11/2010
Nos dias 17, 18 e 19 de novembro, gestores e especialistas da área de museus e artes visuais de renome nacional estarão reunidos com representantes de instituições museais, pesquisadores e estudantes da Bahia no Palácio Rio Branco, em Salvador, para o 2º Encontro Baiano de Museus. O evento tem como objetivo contribuir para a formação dos profissionais que atuam em museus proporcionando espaços para troca de conhecimento sobre assuntos que envolvem o tema deste ano, “Inovação e Sustentabilidade”.
“O tema e o foco das palestras buscam atender às necessidades do setor que, para mim, se expressam em duas vertentes: uma política, que se relaciona à sustentabilidade, e uma poética, ligada à inovação”, afirma Daniel Rangel, diretor de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC), unidade da Secretaria de Cultura do Governo do Estado responsável pela realização do evento.
A vertente política vai tratar da institucionalização, da organização política do setor, com discussões sobre o Estatuto Brasileiro de Museus, sobre a necessidade de criação de planos museológicos e sobre o Sistema Estadual de Museus, que já foi proposto e, na Bahia, faz parte do Plano Estadual de Cultura, projeto em tramitação na Assembléia Legislativa. “Neste momento, em que acaba de ser aprovado o Plano Nacional de Cultura, é importante repercutir nos estados estas questões para que a sua importância seja compreendida”, completa o gestor da DIMUS. Também fariam parte desta vertente questões como o fomento e a implementação de rede de educadores em museus e outras mais técnicas, como a documentação de acervos. Neste sentido, durante o Encontro, a DIMUS vai lançar o Acervos Bahia, um banco de dados informatizado que irá possibilitar a documentação e a pesquisa on line de todo o acervo museológico do IPAC, aumentando a segurança sobre obras, objetos e mobiliários dos museus e coleções.
Já a parte poética, a inovação, estaria expressa nas discussões sobre as artes visuais e o papel dos museus na contemporaneidade. Serão abordados temas como a importância do uso das novas tecnologias da informação e da comunicação para que os museus possam atuar em redes, diversificar e potencializar suas ações artístico-culturais e atividades educativas, realizando desdobramentos e ampliando o contato com o público. Acompanhando esta tendência, o evento vai contar com a cobertura do Fórum Permanente: museu de arte entre o público e o privado, uma das mais conceituadas e inovadoras iniciativas do gênero.
Ainda no quesito inovação, estão os debates sobre os modelos de gestão dos museus, que hoje prevêem a multidisciplinaridade, por exemplo. “Além da importante função de salvaguarda de acervos, os museus, para cumprirem seu papel na contemporaneidade, precisam, ser antes de tudo, um espaço de troca de saberes. Um espaço relacional que precisa ser vivo e se utilizar de estratégias para dinamizar a programação e atrair cada vez mais o público. E, para isso, o museu precisa ser composto de profissionais de diversas áreas, atuando de maneira integrada e em conexão com a sociedade”, afirma Rangel.
PALESTRANTES
Para tratar destes temas, a DIMUS convidou representantes de algumas das principais instituições museológicas do país. Nomes como José Nascimento Júnior (presidente do Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM), Moacir dos Anjos (curador da Bienal Internacional de São Paulo), Daniela Bousso (diretora do Museu da Arte e do Som de São Paulo), Bruno Assami (diretor de Assuntos Institucionais do Instituto Tomie Ohtake), Maria Luzineide Medeiros Soares (Gerente Geral do Centro Cultural Banco do Brasil – Distrito Federal), Martin Grossmann (curador-coordenador do Fórum Permanente: Museu e Arte) e Fernanda Feitosa (diretora da principal feira de arte do país, a SP-Arte).
Eles participam do encontro ao lado do próprio Daniel Rangel e de Solange Farkas, diretora do MAM-BA (que, juntos, farão um balanço sobre a gestão dos museus do IPAC nestes quatro anos), além de pesquisadores e de gestores de museus da Bahia, como Mercedes Rosa (diretora do Museu Carlos Costa Pinto), Jorge Teixeira (diretor do Museu de Ciência e Tecnologia), Marisa Muniz (diretora do Museu do Sertão Antonio Coelho, de Remanso), Maria Célia T. Moura Santos (museóloga da UFBA e professora da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa), entre outros, compartilhando experiências, trocando informações e, desta forma, atendendo ao anseio dos profissionais da área, expressos no ano passado, no primeiro encontro, e nas reuniões do Grupo de Trabalho Voluntário do Sistema de Museus, criado nesta ocasião e, a partir de então, mantido com reuniões mensais na DIMUS.
“No Encontro, em vários momentos, buscaremos discutir a criação mas, principalmente, o funcionamento do Sistema Estadual de Museus, já que tais instituições são equipamentos caros, que demandam muitos recursos para realizar plenamente suas funções. Para isso, é preciso um diálogo permanente entre estas instituições. Só com a organização e o fortalecimento dessa rede será possível identificar necessidades, trocar experiências e contribuir para a criação de políticas que visem à sustentabilidade do setor”, ressalta o diretor de Museus do IPAC (programação completa e mini perfis dos palestrantes seguem anexos.)
No terceiro dia e, ao final da programação de palestras e debates, os participantes do 2º Encontro Baiano de Museus participam de visitas mediadas temáticas em museus do Centro Histórico, escolhendo entre os roteiros de arte africana (Fundação Pierre Verger, Museu Afro, Exposição Panafrica - Centro Cultural Solar Ferrão), sacra (Museu de Arte Sacra e Museu da Misericórdia) ou popular (Memorial das Baianas, Coleção Emilia Biancardi, Exposição Fragmentos: Artefatos Populares, o olhar de Lina Bo Bardi - Centro Cultural Solar Ferrão).
BALANÇO DA GESTÃO 2007-2010
Após a fala de abertura do primeiro dia, do Presidente do Instituto Brasileiro de Museus, Daniel Rangel e Solange Farkas vão apresentar em primeira mão os resultados dos quatro anos de gestão dos museus da Secretaria de Cultura. Após a experiência piloto, implementada pelos dois no MAM, a DIMUS, a partir do final de 2008, também passou a funcionar com núcleos multidisciplinares (museologia, produção, montagem, arte e educação, comunicação e administração). Esta estratégia possibilitou o alcance de diversos resultados, tanto no sentido da institucionalização política do setor, como no desenvolvimento de ações voltadas para a dinamização dos espaços e acervos, contribuindo para a sua salvaguarda, visibilidade e relação com a sociedade.
De 2007 a 2010, mais de um milhão de pessoas visitaram os museus da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, acompanhando as mais de 146 exposições realizadas nesses espaços. Os museus baianos receberam, pela primeira vez, exposições de importantes artistas contemporâneos nacionais e internacionais, como Waltércio Caldas, Tunga, Sophie Calle e, em breve Joseph Beyus, inserindo a Bahia no circuito das artes visuais nacionais, com repercussão junto à mídia nacional e à crítica. Em outubro, a DIMUS teve sua exposição Faustus - assinada pelo artista paraibano José Rufino e montada no Palácio da Aclamação - vencedora do Prêmio Bravo! Bradesco Prime de Cultura, desbancando exposições da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Instituto Tomie Othake.
Também foram abertos oito novos espaços expositivos, sendo um no MAM, três no Centro Cultural Solar Ferrão (que se tornou o maior espaço expositivo do Pelourinho), dois no Palácio Rio Branco, um no Museu da Cerâmica Udo Knoff e um no Palácio da Aclamação. Duas coleções do estado também foram finalmente retiradas de caixas e apresentadas ao público (a de arte popular de Lina Bo Bardi e de Arte Africana de Claudio Masella) e a coleção de plásticas sonoras e instrumentos de Walter Smetak, de posse da família do músico, finalmente ganhou abrigo adequado e cuidados técnicos, além do olhar do público.
Além disso, para de fato realizar ações voltadas a atender todos os museus do estado, a DIMUS criou em sua estrutura um núcleo que gerou o GT do Sistema de Museus, em janeiro de 2009. Como resultado deste processo, em menos de um ano, das 140 instituições cadastradas no Sistema Nacional de Museus, a DIMUS realizou o mapeamento de novas 60, totalizando neste momento 203 instituições museais identificadas e contactadas em toda a Bahia. Por conta deste trabalho, foi possível atender à demanda por capacitação e apoio, com a realização de 21 oficinas de capacitação museológica (sendo 12 no interior e 09 na capital), 59 vistas técnicas e ações de apoio a instituições.
Mas, para o gestor da DIMUS, ainda existem muito desafios a serem enfrentados, como “a documentação dos acervos museológicos que a Bahia possui; a formação de uma Rede de Educadores responsável por aproximar os museus das escolas; a criação de planos museológicos que contribuam para a adequação dos museus baianos ao Estatuto Brasileiro de Museus, além da própria institucionalização e do pleno funcionamento do Sistema Estadual de Museus, que tem como horizonte a criação de um Instituto Baiano de Museus”, finaliza Daniel Rangel.
PROGRAMAÇÃO
1º DIA – 17/11/2010
Manhã
09h às 12h Cadastramento e entrega de material
11h às 13h Abertura Oficial (SECULT, IBRAM, IPAC, DIMUS)
Intervalo Almoço
Tarde
15h “Política Nacional de Museus”
José do Nascimento Júnior (Presidente do Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM)
15h40 “Museus IPAC/SECULT – Balanço Gestão DIMUS 2007-2010”
Daniel Rangel (Diretor DIMUS) e Solange Farkas (Diretora MAM-BA)
16h30 Coffee break
17h “O Museu na Contemporaneidade e as Artes Visuais”
Moacir dos Anjos (Curador da Bienal Internacional de Arte de São Paulo e ex-diretor do MAMAM de Pernambuco)
2º DIA – 18/11/2010
Manhã
09h às 12h PAINÉIS TEMÁTICOS
“Adequação ao Estatuto de Museus”
Mário Chagas (Diretor de Processos Museais do IBRAM)
“Fomento e Implementação da Rede de Educadores em Museus”
Maria Célia T. Moura Santos
Museóloga Mestre e Doutora em Educação (UFBA) e da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa.
Sistema de Documentação e Acervos Museológicos
Simone Trindade Vicente da Silva - Museóloga (UFBA), Licenciada em História (UCSAL) e Mestre em Artes Visuais (EBA-UFBA)
Intervalo Almoço
Tarde
14h30 “Museu da Imagem e do Som de São Paulo e Paço das Artes”
Daniela Bousso (Diretora do MIS-SP, Historiadora, Crítica de Artes Visuais e Mestre em História da Arte Brasileira - Escola de Comunicações e Artes da USP)
15h10 Museus Baianos
“Museu de Ciência e Tecnologia”
Jorge Teixeira (Diretor do Museu de Ciência e Tecnologia)
“Museu Carlos Costa Pinto”
Mercedes Rosa (Diretora do Museu Carlos Costa Pinto)
“Museu do Sertão Antonio Coelho”
Marisa Muniz (Diretora do Museu do Sertão Antonio Coelho, Remanso)
16h30 Coffee break
17h00 “Centro Cultural Banco do Brasil – Distrito Federal”
Maria Luzineide Medeiros Soares (Gerente Geral CCBB DF)
3º DIA – 19/11/2010
Manhã
09h30 - “Instituto Tomie Ohtake”
Bruno Assami (Diretor de Assuntos Institucionais)
10h10min - Fórum Permanente: Museu de Arte, Entre o Público e o Privado
Martin Grossmann (Curador-coordenador do Fórum Permanente)
10h50min - Coffee break
11h10min - “Mercado das Artes no Brasil”
Fernanda Feitosa (Diretora da SP Arte)
Intervalo Almoço
Tarde
14h - Plenária Sistema Estadual de Museus e Encerramento
15h30 - Encerramento
15h35 - Coffee breck
15h50 - Visita Guiada aos Museus do Centro Histórico (03 roteiros):
- Arte Sacra
- Arte Popular
- Afro
Noite
19h - Programação Cultural
Museu de Arte Moderna da Bahia (abertura da exposição Novas Aquisições da Coleção MAM-BA, com apresentação da Orquestra Neojibá)