Exposição na Galeria Solar Ferrão mescla fotografias e poemas

26/11/2010
Os artistas Arnaldo Antunes, Fernando Laszlo e Walter Silveira apresentam na Galeria Solar Ferrão, desde o dia 01 de dezembro, a exposição Luzescrita. Juntos, eles assinam obras inéditas, criadas a partir de poemas escritos por Walter e Arnaldo, fotografados por Fernando Laszlo, e transformadas em objetos e instalações pelos três artistas. O resultado dessas experiências feitas com luz e poesia desde 2002 poderá ser visto até o dia 13 de fevereiro, no Centro Cultural Solar Ferrão, Pelourinho (Salvador-Bahia). “Estes artistas tinham o projeto de um livro, mas já tinham descartado a idéia de montar uma exposição. Quando vi a ‘boneca’ desta publicação e conheci a obra poética e de grande plasticidade de Walter Silveira, não tive dúvida de que se tratava de uma oportunidade única para realizar uma mostra interessante. O que fiz foi incentivar esses artistas a apresentar este projeto” disse Daniel Rangel, diretor de Museus do IPAC e curador de Luzescrita, responsável por retirar, literalmente, o projeto Luzescrita da gaveta de Walter Silveira que ele já conhecia por seu trabalho como diretor de TV. Agora, Luzescrita é finalmente apresentada ao público, com realização da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), unidade da Secretaria de Cultura do Governo do Estado. “São dois poetas e um fotógrafo que se unem para criar soluções originais e transformar poemas nas imagens que compõem esta exposição”, explica Arnaldo Antunes, que nesta mostra apresenta uma outra faceta artística, para aqueles que só o conheciam como cantor, compositor. Nas imagens, concebidas por todos os três artistas e clicadas por Fernando Laszlo, a luz é utilizada para “escrever” e dar forma aos poemas de seus companheiros. “A gente vem trocando ideia desde 2001, quando surgiu o projeto de fazer fotografias dos poemas através de uma escrita luminosa”, conta o fotógrafo Fernando Laszlo. “Esta exposição é a palavra, mais a traquitana (mecanismo, invenção), mais o modo como ela foi registrada. É o registro da transformação da palavra em imagem é muito forte”, disse Walter Silveira, que, junto com Arnaldo, assinou também a exposição Handmade, Ideogramas, Caligrafias, etc., apresentando ideogramas e caligrafias no Ybakatu Espaço de Arte, em Curitiba, e participou do vídeo Kataloki, realizado especialmente para o lançamento da revista. FOTO- + -GRAFIA Como o nome sugere, todas as obras que os artistas apresentam na exposição Luzescrita exploram as relações entre a palavra escrita e a imagem – e mais especificamente com a luminosidade. “Esse título, na verdade, é uma tradução literal da palavra fotografia (do latim)”, explica Walter. Mas, mesmo com os jogos de palavras e com a parceria entre as letras e a imagem, os artistas descartam uma ligação direta coma poesia concreta e preferem não definir o resultado do trabalho. “Não sei se podemos chamar as obras desta exposição de poesia concreta. Podemos chamar de poesia mais fotografia, mais algumas outras coisas... Mas, sem dúvida, é um projeto devedor à tradição da poesia concreta”, completa Arnaldo Antunes. “Eu diria que é mais do que um poema concreto, porque dialoga com várias coisas”, reflete Walter Silveira. “Mas não é porque é um híbrido que não tem definição, somos contra a classificação. Este é um trabalho livre e é o fato de ser híbrido que justifica nossa união” completa Arnaldo. Como os poemas são ou de Arnaldo Antunes ou de Walter Siveira, e as fotos foram feitas por Fernando Laszo, o trabalho maior dos três artistas foi justamente conceber coletivamente a mistura que caracteriza a “hibridização” da obra. Ao final, não se trata apenas da poesia ou da foto. Já que todas as obras são assinadas pelos três, a autoria dos trabalhos, nesse caso, é deslocada para a reflexão sobre como transformar o poema em imagem. Para Daniel Rangel, os poemas produzidos por Arnaldo e Walter “são quase haikais brasileiros, que trazem uma forte ambuigüidade e muito senso de humor”. EXPOSIÇÃO - LOWTECH A proposta curatorial de Daniel Rangel dividiu as 29 obras expostas em Luzescrita em duas salas. “Além de fazer uma seleção das obras que estavam no livro, propus a criação de uma divisão que é base da fotografia: a relação entre o claro e o escuro. Na Sala Clara, estarão expostas 17 fotografias, enquanto a Sala Escura abriga objetos e instalações de luz”, conta Daniel. Sobre o processo de realização das obras, para fotografar os experimentos nos quais utilizaram pólvora, lightpainting, projeções, lâmpadas, cartolinas e com outros tipos diversos de recursos, Fernando Laszlo deu prioridade à fotografia analógica. Ele surpreende quem vê os resultados do trabalho, ao revelar que as fotos sofreram apenas pequenos tratamentos para sua impressão. “Eu usei chapa 4X5, cromo, filme preto e branco, negativado e longa exposição. A gente combinou entre os três como fazer e eu fotografei”, explica o fotógrafo. Foram tantas maneiras diferentes de se chegar à “escrita luminosa” que cada poema pediu para si, que os artistas decidiram distribuir para os visitantes uma espécie de bula que explica um pouco os métodos aplicados para conseguir cada uma das imagens. Serviço: O que: Exposição coletiva “Luz Escrita”, de Arnaldo Antunes, Walter Silveira e Fernando Laszlo. Onde: Galeria Solar Ferrão, Centro Cultural Solar Ferrão, Rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho – Salvador/Ba (71) 3116-6467 Quando: Visitação até 06 de fevereiro; terça a sexta, das 10h às 18h. Fins de semana e feriados, das 13h às 17h. Entrada Gratuita Realização: DIMUS/IPAC