Investimentos na preservação da história e memória da Bahia

10/12/2010
Em 2010, iniciativas reforçaram a importância da Bahia na história política brasileira, divulgando a memória do Estado, em especial, a saga do Dois de Julho. Por meio de seminários, debates, lançamento de livros e materiais didáticos. O Grito do Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, não garantiu a total Independência do Brasil. Na Bahia, a população precisou ir à luta e pegar em armas contra o Exército Português, que insistia em se manter em terras brasileiras. Somente em 2 de julho de 1823, com a união dos baianos de diversas regiões e condições sociais, as tropas portuguesas foram expulsas e o Brasil se tornou, finalmente, um país livre do colonizador. A memória desta participação da Bahia no processo de independência do Brasil tornou-se mais conhecida pelos baianos, por meio de ações da Fundação Pedro Calmon, unidade da Secretaria de Cultura do Estado. Em 2010, iniciativas reforçaram a importância da Bahia na história política brasileira, divulgando a memória do Estado, em especial, a saga do Dois de Julho. Entre essas ações, estão: a participação na preparação da transferência simbólica da capital do Estado para o município de Cachoeira, em 25 de junho; organização e participação na “Rota da Independência”, em parceria com o SAC Móvel da Secretaria de Administração do Estado, nos municípios do Recôncavo Baiano; e produção de material didático sobre o Dois de Julho (revista com texto de historiadores, mapa ilustrativo, cartilha com a cronologia e livreto com os personagens). “Na história do Brasil, foram várias as contribuições decisivas da Bahia e do seu povo para o processo de unificação e autonomia do nosso país. O marco disso é a luta pela independência do Brasil na Bahia, celebrada na festa popular do Dois de Julho. Essa história precisa ser de conhecimento de todos os baianos e brasileiros”, destaca o diretor-geral da Fundação Pedro Calmon/SecultBA, Ubiratan Castro de Araújo. Nas páginas do jornal - Outra ação de preservação da memória diz respeito a parceria estabelecida com o grupo do Jornal A Tarde, através do Projeto “História da Bahia: da memória impressa ao conteúdo digital”, que consiste na digitalização do conteúdo integral do jornal mais antigo em circulação no Estado da Bahia, e que deverá permitir o acesso da comunidade em geral ao registro jornalístico da memória do Estado desde 1912 até os dias atuais. A Secretaria de Cultura do Estado, através da FPC, é parceira neste projeto disponibilizando, desde janeiro de 2010, terminais de computadores que possibilitam aos freqüentadores da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Barris) e do Arquivo Público da Bahia (Baixa de Quintas), o acesso a todo conteúdo digitalizado. Projeto Otávio Mangabeira - O Centro de Memória da Bahia, unidade da Fundação Pedro Calmon/SecultBa, oferece cursos gratuitos com especialistas na História da Bahia. É o projeto Conversando com sua história, que em 2010, realizou 18 palestras, reunindo um público de mais de 1.500 pessoas, entre professores, estudantes e pesquisadores. O Centro de Memória da Bahia também possui em seu acervo bibliográfico títulos especializados em História da Bahia, acessíveis à comunidade acadêmica e ao público em geral. Entre as ações desenvolvidas pelo Centro de Memória está o “Projeto Otávio Mangabeira – Cartas do Exílio” que visa transcrever e analisar correspondências autógrafas do governador Otávio Mangabeira durante o seu primeiro exílio (1930-1934) na Europa. Dos 700 documentos transcritos, foram selecionados os mais significativos para serem publicados em cerca de três volumes, num total de 420 documentos. O lançamento da obra será no dia 22 de dezembro, às 18h, no Memorial dos Governadores, no Palácio Rio Branco. Em 2010, o Arquivo Público do Estado, segundo mais importante do país, completou 120 anos e recebeu mais um importante reconhecimento internacional. A Unesco nominou para inclusão no Registro Nacional do Programa Memória do Mundo 2010, o conjunto documental “Registros de Entrada de Passageiros no Porto de Salvador (Bahia): 1855-1964”. Antes, em 2008, o Órgão das Nações Unidades para Educação e Cultura já havia feito o registro no Programa Memória do Mundo do conjunto documental “Tribunal da Relação do Brasil e da Bahia: 1652-1822”. “Esse reconhecimento aumenta nossa responsabilidade com a guarda dos nossos arquivos. Por ganhar projeção internacional, pesquisadores do mundo inteiro estão interessados em conhecê-los e com freqüência visitam nossos documentos, que suma importância para contar a história do nosso país”, afirma a diretora do Arquivo Público do Estado da Bahia, Maria Teresa Matos. Gestão documental - Também em 2010, o Arquivo Público da Bahia (APB) desenvolveu o Programa Estadual de Gestão Documental que visa desenvolver ações de sensibilização para a importância da implementação de um Sistema de Gestão Documental nas secretarias de Estado. A Secretaria da Administração (SAEB) e a Secretaria de Cultura (SecultBA) estabeleceram, em março de 2010, INSTRUÇÃO CONJUNTA que orienta os órgãos e entidades da Administração Pública do Poder Executivo Estadual quanto à gestão de documentos arquivísticos. Tendo em vista divulgar a utilização da Instrução Conjunta, técnicos do Arquivo Público da Bahia ministraram cursos de gestão documental junto aos órgãos e Secretarias do Estado. “É uma forma de padronizarmos o recolhimento dos documentos estaduais, simplificando os processos de gestão e qualificando a produtividade do serviço público. Isso com vistas a preservar a memória institucional do Estado e garantir ao cidadão o direito de acesso à informação”, explica Teresa Matos. O Arquivo Público da Bahia, juntamente com o Centro de Memória da Bahia, atuaram na preservação e catalogação de aproximadamente 1,7 milhões de documentos. Para isso, foram investidos mais de R$500 mil reais no desenvolvimento do projeto de Modernização do Laboratório de Restauração e Encadernação (Lare) do Arquivo Público da Bahia, na execução do Projeto de Descontaminação e Conservação do Acervo e dos depósitos do Arquivo Público da Bahia e na aquisição de uma máquina planetária híbrida para o Laboratório de Microfilmagem. O Arquivo Público da Bahia publicou o Catálogo de Documentos Manuscritos Avulsos da Capitania da Bahia (1604-1828), custodiados pelo Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa. Foram impressos (em suporte papel e em CD-ROM) os volumes 1 e 2 que reúnem 19.600 verbetes. Também é desenvolvido pelo APB o projeto de microfilmagem, digitalização e elaboração de instrumento digital de pesquisa dos documentos referentes à Independência do Brasil na Bahia. Ainda nesse sentido, estão em fase de editoração e diagramação das ementas de todas as leis promulgadas pela Assembléia Legislativa Provincial e os Atos dos Presidentes de Província da Bahia sobre a instrução pública no período de 1835-1889, além das cartas régias emitidas pelo Príncipe Regente D. João IV no período em que esteve na Bahia, entre 22 de janeiro a 26 de fevereiro de 1808. Memória e história da Bahia em debate - Dada à competência de gerir as políticas de preservação da história e difusão da memória do para todo o Estado da Bahia, a Fundação Pedro Calmon/SecultBa cumpriu, neste últimos quatro anos (2007-2010), seu compromisso junto à população, a partir do desenvolvimento de projetos e debates sobre as transformações políticas, sociais, econômicas e culturais, como conferências e seminários sobre diversos períodos da história da Bahia e do Brasil. Destacam-se os debates dos Ciclos de Conferências “Memória do Desenvolvimento da Bahia” (2007), “Memória dos Movimentos Sociais” (2008), “V Colóquio Internacional Trabalho Forçado Africana – Brasil 120 anos da Abolição” (2008), “Os 120 anos de Proclamação da República” (2009) e aulas públicas do projeto Conversando com sua História e da “Rota da Independência”, sobre a independência do Brasil na Bahia que percorreu diversos municípios que participaram do momento histórico, como Cachoeira, São Gonçalo dos Campos, Santo Amaro, Muritiba, São Francisco do Conde, Governador Mangabeira e Maragogipe. Durante esse período, a Fundação Pedro Calmon coordenou a publicação de importantes obras sobre a história da Bahia, como “Abertura dos Portos no Brasil”, de Pinto de Aguiar, Paranóia, de Afrânio Peixoto, A Bahia e os seus Governadores na República, de Antônio Ferrão Moniz de Aragão, O crime de Antonio Vieira, de Pedro Calmon e Povoamento da Cidade do Salvador, de Thales de Azevedo. São obras da história da Bahia que voltam ao público em edições fac-similares de suas primeiras edições. Em 2011 serão lançadas as edições fac-similares dos livros O Animismo Fetichista dos Negros Bahianos, de Nina Rodrigues, da 2º edição de 1935 e Uma Comunidade Rural do Brasil Antigo _ Aspectos da vida patriarcal no sertão da Bahia nos séculos XVIII e XIX, de Licurgo Santos Filho da 1º edição de 1956. Além disso, a Fundação Pedro Calmon divulgou aspectos relevantes da história da Bahia através da publicação de quatro edições da “Revista Bahia de Todos os Cantos”, em parceria com a Egba e a SEPLAN, com o propósito de apresentar um panorama cultural, geográfico e socioeconômico de todos os Territórios de Identidade do Estado. Também foram publicadas 31 edições do Informativo Folha Literária, publicação gratuita destinada a celebrar as datas importantes da cultura da Bahia, além da edição de 21 títulos, dentre eles, 10 do extinto Selo Letras da Bahia. “Conhecer a história da Bahia é um direito de todo cidadão baiano. É através do conhecimento sobre a nossa história e de como nos constituímos como povo é que entendemos as nossas singularidades e a nossa relevância. A cidadania é construída a partir do que sabemos sobre nós e sobre nossa história”, destaca Ubiratan Castro de Araújo.