Pelourinho ganha requalificação da Manoel Querino

21/12/2010
Considerado o maior e mais bem aparelhado centro cultural público de livros do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador (CHS), a Biblioteca Manoel Querino do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), completa sua requalificação neste final de ano (2010), implantando banners de 1,5 metro de altura com impressões de ex-líbris. “Os ex-líbris são desenhos ou gravuras que donos de livros colam nas contracapas demonstrando posse, profissão, gostos ou ideário e é traduzido literalmente do latim como dentre os livros de ou da biblioteca de”, diz a bibliotecária do IPAC, Sheila Ventura. O uso do ex-líbris visa despertar nos leitores mais cuidado com os livros e o orgulho pela biblioteca que frequentam. Criada em 1972, por 30 anos sem local adequado para acesso público, a biblioteca do IPAC obteve a partir de 2008 mudança para o andar térreo do Solar Ferrão, prédio originário do século 17 e também administrado pelo IPAC no Pelourinho. “Foram feitas reforma física, recuperação do sistema elétrico, ampliação e climatização de espaços, aquisição de estantes, mesas, cadeiras e computadores com internet livre, implantadas atividades permanentes e os banners finalizam a requalificação”, explica a bibliotecária do IPAC. Criados pela designer Maria Helena Pereira da Silva, com imagens retiradas do livro de Plínio Martins, única publicação especializada sobre o tema no país, os banners exibem ex-líbris de Anísio Mota, de Cecília Meirelles – este desenhado por Correia Dias que era artista plástico e marido da poetisa –, além de um do poeta piauiense Antônio da Costa e Silva, também de autoria de Correia Dias, entre outros. A idade de ouro do ex-líbris foi no século 18, principalmente na França. No final do mesmo século, o ex-líbris chega ao Brasil. “O ex-líbris faz com que a biblioteca tenha em exibição mais informações ligadas à literatura e à história de livros”, comenta Maria Helena. Responsável também pela sinalização interna da biblioteca do IPAC, a especialista é reconhecida por seus trabalhos de design visual do Museu da Gastronomia Baiana do Senac, Centro Audiovisual da Bahia no Trapiche Barnabé, Irmandade da Boa Morte em Cachoeira, Memorial das Baianas e da Galeria Fundação Pierre Verger em Salvador. Ela diz que o processo de criação exige tempo. “O trabalho é meticuloso, uma vez que os ex-líbris são muito ricos. Eu os faço digitalmente, a partir do que consta na obra e depois faço a impressão sobre tecido”, conta. Desde 2008 a biblioteca do IPAC recebe nova catalogação e digitalização do acervo. Em 2009, o IPAC recebe doação do Liceu de Artes e Ofícios, fazendo com que seu acervo chegue a 13 mil livros e 300 títulos de periódicos, além de recortes de jornais e monografias. A requalificação incluiu nova sala de leitura, pesquisa e adequação para obras raras, além de limpeza, higienização e restauração de livros. O acervo do IPAC é especializado em história da Bahia, antropologia, arquitetura, urbanismo, arte, artesanato e sociologia, além de 80 livros antigos muito solicitados por especialistas de outros estados do Brasil. Entre as raridades se destacam a Memória do Estado da Bahia de Vicente Vianna editado em 1893, e documentos do século 18. A biblioteca do IPAC no Pelourinho fica aberta de segunda à sexta-feira, das 9h às 20h00, e aos sábados das 9h às 12h00. Outras informações são fornecidas através do telefone 3117-6384 ou endereço eletrônico biblioteca.ipac@ipac.ba.gov.br. Opcional: MANOEL QUERINO - Nascido em Santo Amaro da Purificação em 28 de julho de 1851 e falecido em Salvador, a 14 de fevereiro de 1923, Manoel Querino era órfão e foi entregue aos cuidados de Manoel Garcia, jornalista, advogado e político. Querino se tornou exímio artista, músico e artesão. Foi professor do Liceu de Artes e Ofícios e aluno-fundador da Academia de Belas Artes da Bahia, hoje, Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Ocupou cargos públicos na Repartição de Obras Públicas e Secretaria de Agricultura do Estado. Foi membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, da Sociedade Protetora dos Desvalidos, casou-se duas vezes e teve quatro filhos. Ele, também, serviu como fonte de inspiração para Jorge Amado criar o personagem Pedro Arcanjo, protagonista do romance ‘Tenda dos Milagres’. Seus restos mortais foram enterrados no cemitério da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho.