IPAC prepara Paço do Saldanha para abrigar a nova sede da Fundação Cultural

16/02/2011
Solar de 302 anos, originário do início século 18, com portada monumental que remete ao exuberante barroco criollo hispano-americano e arquitetura típica da colonização portuguesa na Bahia, o Paço do Saldanha, no Centro Histórico de Salvador (CHS), passará a ser sede da Fundação Cultural do Estado (Funceb) ainda neste primeiro semestre (2011). A edificação ocupa quase um quarteirão, próximo à Praça da Sé, e está situada entre as ruas da Oração, 3 de Maio, Guedes de Brito e Saldanha da Gama, os dois últimos, nomes de famílias que foram proprietárias do imóvel. O Paço está sendo preparado através de obras do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), autarquia da secretaria estadual de Cultura (SecultBA), especializada em restauração de prédios antigos e responsável pela política pública de salvaguarda dos patrimônios culturais do Estado. Orçadas em R$ 530 mil, as obras de melhorias serão finalizadas ainda neste primeiro semestre. Segundo a fiscal do IPAC na obra, arquiteta Zulmira Correia, serão colocadas divisórias nas salas e reformadas instalações elétricas, hidráulicas e hidrosanitárias do prédio. O diretor do IPAC informa que o Paço do Saldanha é tombado como Patrimônio do Brasil pelo Ministério da Cultura desde 1938. “De 1874 a 2007, a edificação foi ocupada pelo Liceu de Artes e Ofícios, entidade sem fins lucrativos que qualificava operários para o mercado de trabalho”, explica Mendonça. A entidade oferecia ensino prático e teórico, principalmente de formação humanística. “Eles se baseavam nas experiências anteriores do Rio de Janeiro e nas escolas de artes e ofícios francesas, criadas nos séculos 18 e 19”, diz o diretor do IPAC. Depois de 133 anos, o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia foi fechado pelo conselho da instituição em função da má gestão da entidade na última década de 2000. Após o fechamento, em 2007, o conselho do Liceu cedeu o solar e seus anexos ao Estado, via SecultBA/IPAC, através de um termo de comodato, para que enquanto não se resolvam processos trabalhistas e administrativos da instituição, o prédio possa ser utilizado e conservado adequadamente. “Hoje o solar – e seus anexos – reúne cerca de oito mil metros quadrados incluindo o complexo dos antigos cinemas Liceu e Popular, a ala da ex-rádio Excelsior e das repartições da prefeitura municipal, e o Solar do Saldanha”, conclui o diretor do IPAC. Ao todo, são quatro pavimentos e cerca 20 cômodos de várias dimensões, capela, salão de exposição e auditório. Atualmente, a sede da Funceb está no Pelourinho, ocupando três casarões do IPAC na Rua Gregório de Mattos, o nº 29 que sedia o gabinete e diretorias, e os números 31 e 43 utilizados para outros setores. Já o nº10 da Rua Frei Vicente está ocupado por assessoria da Funceb. Cerca de 500 funcionários da fundação devem se mudar para o Paço do Saldanha. BOX opcional: HISTÓRICO – O Paço do Saldanha foi construído depois que o coronel Guedes de Brito comprou, em 1699, casas térreas então ali existentes, de propriedade da Ordem 3ª do Carmo, derrubando-as para erigir o solar. Em 1706, a casa passa a sua viúva Isabel Brito e sua filha Joana da Silva Caldeira Pimentel Guedes de Brito, casada depois com Manuel de Saldanha da Gama, filho do vice-rei da Índia, sobrenome que batizou o solar como o conhecemos hoje, Paço do Saldanha. Em 1786 a edificação passa à Santa Casa de Misericórdia e em 1791 é comprada pelo capitão-mor Simão Álvares da Silva. Já em 1856, o casarão passa para José Joaquim de Carvalho e Albuquerque, 2º Barão de Pirajá, e em 1874 é comprado para a instalação do Liceu de Artes e Ofícios que fica com a sua utilização até o ano de 2007. A partir de 1874 a edificação sofre várias modificações e, em 1968, um incêndio. Apesar das descaracterizações é considerada uma das mais belas construções do CHS.