09/03/2011
Comerciantes do Pelô mantêm portas abertas nos cinco dias do Carnaval 2011, atendem e lucram com turistas brasileiros e estrangeiros – como asiáticos, árabes, americanos, europeus e australianos
O Carnaval do Pelô, no Centro Histórico (CHS), vem se transformando em um dos espaços mais emblemáticos da multiculturalidade contemporânea do carnaval de Salvador. Estilos musicais distintos conviveram harmoniosamente ou dialogaram entre si nos cinco dias (03 a 08) de carnaval, comprovando a transversalidade democrática da programação artística do Pelô 2011.
Pop, rock, hip hop, black music, marchinhas, orquestras, fanfarras, frevos, guitarra baiana, música eletrônica, reggae, toques percussivos do candomblés gêge, kêto e angola, samba duro e o inconfundível ijexá nos desfiles dos afoxés – reconhecidos oficialmente como patrimônios imateriais da Bahia. Onde mais se acha tanta riqueza rítmica e pluralidade artística, de uma só vez, se não no Carnaval do Pelô 2011?
(programação www.pelourinho.ba.gov.br e fotos http://migre.me/40pEZ)
Essa explosiva diversidade acontece sob prática democrática, explicitada na grade musical/cultural, mas também nos usos e costumes locais, no jeito de ser e de falar, e até na maneira de se comercializar nesse espaço urbano de 400 anos de existência.
Muitos dos imóveis do maior conjunto arquitetônico de herança européia barroca nas Américas – reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade – que é o CHS são ocupados por comerciantes. Cerca de 200 comerciantes atuam nessa área, segundo a Associação de Comerciantes do Pelourinho (Acopelô). Dados do Sebrae apontam que 63% das empresas do Pelourinho empregam de 1 a 5 pessoas, 16,1% empregam de 6 a 10 pessoas e 6,4% empregam de 11 a 20 pessoas.
“Dispomos de 84 mesas e abrimos nos cinco dias de carnaval das 12h às 24h, com a casa cada dia mais cheia”, relata o gerente do restaurante Galeto Show, Francisco Blanco. Localizado na Rua Alfredo de Brito, que liga o Largo do Pelourinho ao Terreiro de Jesus no CHS, o restaurante absorve, igualmente, a multiculturalidade do Carnaval do Pelô, pois recebe turistas de dezenas de países. “Temos uma mesa só com turistas da Austrália”, exemplificou Blanco.
No último dia (08) da folia no Pelourinho, a australiana Cill Swinbourn, acompanhada por mais cinco compatriotas de Sidney, a cidade mais populosa da Austrália estava mais que feliz. “O Carnaval no Pelourinho é maravilhoso e estamos muito satisfeitos com o serviço e a comida deste restaurante”, festejava Cill.
Foi a primeira vez do grupo no Brasil, mas mesmo morando do outro lado do mundo eles já tinham ouvido falar do Carnaval da Bahia. “A cultura, as pessoas e a maneira relaxada de viver e brincar na festa, foi o que mais nos impressionou no Pelourinho”, contou a australiana no seu inglês típico.
Já a argentina Elizabete Vaieretti, da cidade de Rosário, conhecida como a Chicago desse país latino-americano, se divertia no Carnaval do Pelô, mas parou para comprar sandálias de couro, típicas da cultura nordestina, em uma loja da Rua João de Deus, entre Terreiro de Jesus e Rua Gregório de Mattos. “Sou médica traumatologista, não conhecia o Brasil e o Pelourinho é o que mais os turistas desejam conhecer na Bahia, por sua arquitetura e cultura especial”, comentou Elizabete.
Além de restaurantes, bares, lojas de calçados e lembranças típicas da Bahia, mantiveram portas abertas na folia, outros comércios. “Abri meu ateliê, pois além de possibilitar que turistas conheçam meu trabalho, promovo a arte durante o Carnaval”, comentava o artista plástico baiano Menelaw Sete, que ocupa imóvel na Rua João de Deus, e é conhecido por suas obras com traços e cores fortes.
A lojinha de retalhos de Dona Edith, que é muito conhecida na área porque foi uma das primeiras comerciantes a se instalarem no Pelourinho após as reformas no CHS das décadas de 1980 e 1990, também foi outro comércio que fez questão de abrir todos os dias.
Para o diretor geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), órgão da secretaria estadual de Cultura (SecultBA), responsável pelo Carnaval do Pelô, Frederico Mendonça, tantas casas comerciais abertas durante o carnaval só é possível pela característica da festa neste local. “Temos um carnaval tranqüilo, animado e seguro, já que é proibido carros e frequentam a festa públicos de todas as faixas etárias”, concluiu Mendonça.
Acontecendo em 14 ruas, 04 largos, 03 praças, com 95 atrações, 200 horas de shows nos cinco dias, o Carnaval do Pelô 2011 tem investimento de R$ 1,6 milhão do Governo da Bahia e Banco do Brasil e conta com participação de 171 profissionais. Além de atrações fixas nas praças e largos, o trajeto da festa tem charangas, bonecões, bandinhas e caretas, além do Carnaval Infantil na Praça das Artes. Informações:www.pelourinho.ba.gov.br e www.carnaval.ba.gov.br.