Documentário sobre Krajcberg tem pré-estreia inédita em Salvador

25/03/2011
Exibição da produção baiana integra comemorações dos 90 anos do artista e ativista Frans Krajcberg O eco dos gritos do artista e ativista Frans Krajcberg em prol da natureza e do meio ambiente. Dessa forma, a jornalista e pesquisadora Renata Rocha define a proposta principal do documentário "O Grito Krajcberg", que terá avant-première em Salvador no dia 8 de abril, no Cinema do Museu, no Museu Geológico da Bahia - Corredor da Vitória. Dirigido pela jornalista, o longa-metragem faz um relato da vida e obra do artista/ativista, remontando à sua trajetória voltada para a temática socioambiental. Será a primeira exibição do filme finalizado em vídeo, que está em fase de captação e de realização do transfer para a versão em película; deve integrar os circuitos de cinema de todo o país em breve. Narrado pela cantora Maria Bethânia, a obra traz experiências de vida e depoimentos que ilustram a trajetória de Krajcberg. Com duração de 70 minutos, o documentário é uma produção independente da jornalista, que mergulha na história e nas visões do artista através de fotografias, depoimentos, testemunhos, registros de sua obra. Entre os nomes que testemunham sobre o artista no longa estão o governador do Estado da Bahia, Jaques Wagner; a primeira dama do Estado, Fátima Mendonça; os artistas Emanoel Araujo, Chistiane Torloni, Victor Fasano, Justino Marinho, Anna Letycia, Carlos Vergara entre outros. "O Grito Krajcberg é também o meu grito, um grito de independência, de liberdade. É o meu grito mais alto", diz Renata Rocha ao referir à ''ousadia'' de estrear oficialmente no cinema baiano com uma produção independente. "Fazer uma produção independente não é fácil, principalmente quando existe um mercado que oferece poucas oportunidades para quem está iniciando a carreira de documentarista. Muitos talentos estão surgindo, mas, infelizmente, poucos conseguem despontar no cenário da sétima arte", completa a diretora. Para a realização desta primeira etapa de produção, o documentário contou com o patrocínio do estaleiro Mac Laren Oil, além do apoio da Biscoito Fino, Governo do Estado da Bahia, IRDEB, Suzano Papel e Celulose, Prefeitura Municipal de Nova Viçosa, dentre outros. Um diferencial de "O Grito Krajcberg" é a trilha sonora, assinada por Camilo Fróes e Jarbas Bittencourt, e criada a partir dos elementos captados durantes as gravações. No longa, é possível conferir barulhos do barco navegando, o canto dos pássaros, as ondas do mar, além de outras sonoridades que contribuíram para deixar a trilha bem original. "Krajcberg não surgiu em minha vida por acaso, eu nasci outra vez", explica a documentarista, que também atuou no filme ao lado de outros profissionais reconhecidos do mercado baiano; entre eles, o cineasta José Francisco Serafim, que é seu coautor no roteiro e na montagem; a editora Gilvânia Araújo; o diretor de arte Gerson Lemos; os diretores de fotografia, Kleyton Cintra e João Jasmim, dentre outros. A pré-estreia vai acontecer em função da programação especial das festividades dos 90 anos do artista e será realizada para homenagear Krajcberg. A princípio a exibição será só para convidados, mas a jornalista já se organiza para realizar um segundo lançamento para um público maior. Krajcberg estará em Salvador especialmente para a ocasião. Frans Krajcberg - Frans Krajcberg é artista plástico naturalizado brasileiro e reconhecido mundialmente pela força de sua obra; acumula vários títulos, honrarias e prêmios por sua postura ética e humanística diante dos problemas socioambientais. Kracjberg correu o mundo debatendo os sérios problemas que ameaçam a saúde do planeta, além de realizar centenas de exposições. A sua trajetória mostra a riqueza de um ativista que construiu uma história de vida única. Desde as suas experiências ao servir ao exército soviético durante a Segunda Guerra Mundial, época em que perdeu toda a família nos campos de concentração nazista, até chegar ao Brasil, em 1948, onde chegou a passar fome e dormir nas praças públicas do Rio de Janeiro. Renata Rocha - Renata Rocha é produtora, pesquisadora, escritora e jornalista. É autora da biografia intitulada "A Pluralidade de Sérgio Mattos", uma obra mais direcionada para a academia que aborda a importância de se resgatar a memória da comunicação brasileira destacando o perfil profissional do jornalista e também escritor Sérgio Mattos.  Além da produção e direção do documentário intitulado "O Grito Krajcberg", a escritora organiza o livro do filme, uma versão impressa com depoimentos de Walter Salles, Maria Bethânia, Caetano Veloso e outros. Engajada com a problemática ambiental, Renata Rocha elaborou todo planejamento de comunicação do filme. Atualmente está dirigindo o longa-metragem "Emanoel Sem Fronteiras" uma biografia do artista plástico baiano Emanoel Araujo. Este novo projeto também vai gerar um livro com a crítica genética do processo criativo do artista. Outra inserção no meio cinematográfico. Avant-première do documentário "O Grito Krajcberg" Data: 8 de abril Horário: 20h Local: Cinema do Museu - Museu Geológico da Bahia (Corredor da Vitória) Texto crítico do cineasta José Francisco Serafim - coautor do filme "O Grito Krajcberg" "O documentário é um gênero propicio a revelar aspectos do real e a representá-los na tela de cinema através de escolhas e opções de mise en scène que visam ser, em última instância, as mais adequadas para servir ao propósito temático daquilo que se propôs representar. É nesse sentido que O Grito Krajcberg buscou trabalhar nos interstícios que mostram o ser humano Frans Karjcberg tanto através de sua obra artística quanto de sua relação com o meio ambiente. Na verdade essas duas relações estão imbricadas uma na outra, já que a obra desse artista é constituída dos restos daquilo que a natureza dá a ele de forma generosa - troncos de árvores, pigmentos coloridos etc. Optou-se nesse filme em se trabalhar, sobretudo com o discurso do artista, é dele que ouvimos as diversas abordagens sobre questões que o inquietam e logo percebemos um homem engajado e preocupado com o total desrespeito que o próprio ser humano causa ao meio ambiente e à natureza. Esse discurso articulado, não só do ponto de vista artístico, mas, sobretudo político não deixa de ser um grito de alguém que sofreu as mais terríveis ignomínias - nazismo, campo de concentração, exílio, tentativa de assassinato - mas que apesar de todos esses percalços consegue olhar para esse mesmo mundo com certa ternura e delicadeza, expressa em suas obras, que no filme ocupam um importante lugar.