Ópera ‘O Guarani’ ganha sua primeira montagem baiana

14/04/2011
Com apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Estado através do Fundo de Cultura, a obra clássica que projetou internacionalmente o maestro Carlos Gomes vai ocupar o palco do TCA, com a ALBA, OSBA e solistas convidados. Os ingressos serão vendidos a preços populares A maior ópera brasileira, O Guarani, ganha sua primeira montagem baiana, numa iniciativa da Associação Lírica da Bahia (ALBA). A obra clássica do maestro Carlos Gomes vai ao palco do Teatro Castro Alves com 170 artistas, entre solistas convidados, integrantes da ALBA, músicos da Orquestra Sinfônica da Bahia, bailarinos da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado e atores locais. A direção e a concepção do espetáculo são do tarimbado mineiro Francisco Mayrink, dando continuidade a uma frutífera parceria com coro lírico baiano e a DA RIN Produções Culturais, que teve como resultado mais recente o sucesso La Traviata, de 2009, com três dias de ingressos esgotados no TCA. O Guarani terá também três récitas, nos dias 28 e 30 de abril e 02 de maio, às 20h, a preços populares de R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia). O espetáculo conta com o apoio financeiro do Fundo de Cultura e da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. A ALBA, que há 28 anos mantém o desafio de montar óperas na Bahia, com qualidade profissional, artística e técnica, já levou ao palco do TCA criações emblemáticas do gênero, como La Bohème, Madama Butterfly, Il Trovatore e Cavalleria Rusticana, além de inúmeros concertos sinfônicos, oratórios e cantatas. Nessa trajetória, ocupa posição de destaque na agenda cultural da cidade, pela fidelidade à proposta de popularização de óperas no estado, com montagens à altura das obras internacionais que escolhe para o seu repertório. A nova investida é a criação maior do brasileiro Antônio Carlos Gomes, que o projetou internacionalmente e única ópera latino-americana a se manter constantemente nos palcos internacionais. “Vamos comemorar na Bahia, em grande estilo, essa esplêndida história de O Guarani, que fez 140 anos em 2010”, lembra Oseni Sena, presidente da Alba. “É uma obra que conta a história do início do Brasil ao mesmo tempo que conta uma romance”, comenta o diretor Francisco Mayrink. Romance e aventura O Guarani, composta em quatro atos (Os Aventureiros, Peri, Os Aimorés e A Catástrofe), estreou no Teatro Scala de Milão, na Itália, em 19 de março de 1870, com libreto em italiano de Antonio Scalvini, e conquistou imediatamente uma grandiosa repercussão. A ópera se baseia no primeiro romance indianista de José de Alencar, escrito originalmente em 1857 e que transcorre no Brasil de 1560, no litoral do Rio de Janeiro, onde vive Dom Antônio de Mariz, um velho fidalgo português. A história gira em torno de sua filha Cecília (Cecy), que desperta paixão, simultaneamente, em quatro homens: Gonzales, um aventureiro espanhol; Dom Álvaro, nobre português a quem foi prometida em casamento; o cacique aymoré; e Pery, por quem Cecy também se apaixona. Para o casal de adolescentes (Cecy, 16 anos, e Pery, 18), a descoberta do amor vem acompanhada das suas diferenças étnicas e culturais. Em clima de romance e aventura, a ópera também retrata a história verídica da dizimação dos índios aymorés. “Estamos fazendo em dois atos, com um intervalo. Isso dá outra dinâmica à obra, com mudanças de cenas com cortina aberta e enquanto a música segue”, adianta o diretor. “Procuramos respeitar as indicações feitas pelo compositor na obra original, com as adaptações para o palco do TCA, um dos maiores do Brasil”. Para viver o casal protagonista, foram convidados a soprano Vilma Bittencourt (DF) e tenor Rinaldo Leone (SP), ambos com trânsito em palcos internacionais e grandes óperas no currículo. Já Dom Antônio será vivido pelo baixo Eduardo Janho-Abumrad (SP); Gonzalez, pelo barítono Homero Velho (RJ); o cacique, pelo baixo Sávio Sperandio (SP); e Dom Álvaro, o  tenor  Júlio César Mendonça (BH). Trouxemos solistas que já têm O Guarani no repertório e  intimidade com a obra”, diz Mayrink. O Guarani terá como regente italiano radicado na Bahia Pino Onnis e conta com Antrifo Sanches na assistência de direção e Elisa Mendes na direção de cena. As coreografias, um dos destaques da montagem, são assinadas por Denny Neves. “É um novo e grande desafio, que se realiza graças à experiência e à perseverança dos profissionais envolvidos em levar adiante essa empreitada”, comenta Virgínia Da Rin, que coordena a produção do espetáculo, reafirmando também a parceria com a Alba. A tarefa envolve mais de 40 profissionais das diversas áreas técnicas ligados diretamente à produção. SERVIÇO Ópera: O Guarani Local: Teatro Castro Alves Dias: 28 e 30 de abril e 02 de maio Horário: 20h Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia) FICHA Ópera: O Guarani Compositor: Carlos Gomes Concepção e direção: Francisco Mayrink Regência: Pino Onnis Com: Associação Lírica da Bahia e Orquestra Sinfônica da Bahia Solistas: Rinaldo Leone (Pery), Vilma Bittencourt (Ceci), Homero Velho (Gonzalez), Eduardo Janho-Abumrad (Dom Antônio), Sávio Sperandio (cacique aymoré), Júlio César Mendonça (Dom Álvaro),  Sandro Machado (Rui Bento), Josehr Santos (Alonso). Participação: Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Assistente de direção: Antrifo Sanches Direção de cena: Elisa Mendes Coreografias: Denny Neves Realização: Associação Lírica da Bahia Produção: Da Rin Produções Culturais