Projeto JAM no MAM atinge marca de 250 mil expectadores

27/05/2011
Valorizando a música instrumental made in Bahia, o projeto está sempre se reciclando, oferecendo, inclusive, soluções para sessões ao ar livre durante o inverno. Um dos poucos projetos que se mantém no calendário cultural de Salvador durante todo o ano (inclusive durante o inverno), a JAM no MAM atingiu na última semana (dia 21/05) a marca de 250 mil espectadores. O número refere-se ao público registrado nas 192 sessões realizadas desde a retomada do projeto, em agosto de 2007. Criado pela Huol Criações e Produções, ele acontece todos os sábados a partir das 18h, na área externa no Museu de Arte Moderna da Bahia, de frente para o mar. O ingresso tem preço popular (R$5,00, a inteira) e, mesmo durante o inverno, tem atraído uma média de mil pessoas por sábado. No verão, esse número chega a dobrar. Para os produtores Ivan Huol e Cacilda Povoas, um dos motivos do sucesso é, além da qualidade musical apresentada, o fato do projeto estar sempre se reciclando, com ações que permitem maior interação com o público. Entre as ações mais recentes estão a integração de projeções em vídeo durante as sessões musicais e a criação de uma área de atividades infantis durante o verão, para que as crianças acompanhem seus pais à JAM. A mais nova intervenção visa garantir o conforto de quem quer conferir as performances musicais durante o inverno, com a montagem de tendas especificamente criadas para a JAM no MAM. Idealizados pelo próprio Ivan Huol e executados pela Miniusina de Criação, elas são feitas com tubos de PVC e toldos transparentes, tendo detalhes feitos a partir de roscas e tampas de garrafas PET e bases criadas com pneus velhos e concreto – para que possam ser “rolados” quando forem transportados. “Esses produtos são pensados especificamente para nossas necessidades”, explica Huol, que também assina a criação dos bancos onde parte do público se senta durante as jam sessions. Para este inverno chuvoso em Salvador, estão sendo feitas três tendas de dimensões diferentes (a maior delas tem 6m X 7m) que, em caso de chuva durante as sessões, podem abrigar (em pé) cerca de 500 pessoas. “O público que frequenta a JAM sabe que ela não pára nunca; queremos que isso fique cada vez mais claro”, afirma Cacilda Povoas, lembrando que, este ano, a JAM só não funcionou no dia 01 de janeiro e durante o carnaval. HISTÓRICO – A JAM no MAM atual é um projeto baseado nas jam sessions que eram realizadas entre 1993 e 2001 no Museu de Arte Moderna da Bahia (também sob a coordenação do músico Ivan Huol). Já passaram e tocaram na JAM músicos como Bocato (São Paulo), Carlos Malta (Rio de Janeiro), Márcio Montarroyos (Rio de Janeiro), Teco Cardoso (São Paulo), Artuzinho Maia (Rio de Janeiro), além de instrumentistas e cantores dos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Colômbia, Itália, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Irlanda, Chile, Cuba, Argélia, Japão e Dinamarca, dentre outros. Para seus criadores, a JAM do MAM surge de uma necessidade de se fazer música fora dos formatos habituais do mercado baiano. Mercado esse que, ao mesmo tempo em que emprega e estimula a mão de obra local, tira de circulação a figura do músico idealista, que se dedica a um tipo de música considerado “fora dos padrões” das rádios, festas e casas de espetáculo locais. Em sendo um espaço aberto à participação de quaisquer instrumentistas, desde que sejam profissionais ou em formação, as jams passam a ser um dos poucos espaços na cidade para a prática do jazz com total liberdade artística, possibilitando o exercício da improvisação. Para Ivan Huol, coordenador artístico da JAM no MAM, além de contribuir para a formação de plateia da música instrumental e para o intercâmbio entre músicos que estejam de passagem na cidade, o projeto proporciona um espaço aberto para que músicos jovens, ainda em formação, possam tocar e exercitar a arte da improvisação ao lado de músicos profissionais. “A cena instrumental baiana é a maior beneficiada pelas jams, com novos instrumentistas de qualidade surgindo a cada dia. Mas, o que mais chama atenção na JAM é a postura exemplar da plateia, seguindo o que se poderia chamar de “norma culta” no trato com o Jazz”, afirma. Confira aqui um dos momentos do JAM no MAM.