Igreja de 1847 pode integrar roteiro de turismo cultural

30/06/2011
[caption id="attachment_9609" align="aligncenter" width="323" caption="Foto: Ligia Larcher"][/caption] Datada de 1847 a igreja de Nossa Senhora da Conceição, localizada no coração da Bahia – bem no centro geográfico do estado –, no município baiano de Seabra, a 458 km de Salvador, pode se tornar um dos principais pontos de visitação para o roteiro de turismo cultural a ser implantado na Chapada Diamantina. O templo é dos mais antigos da região e suas festividades religiosas fazem parte calendário devocional dos moradores locais. Localizada no Povoado de Campestre, primeira sede do município, o local onde está a igreja serviu de refúgio para as tropas do Coronel Manuel Fabrício de Oliveira contra o cerco realizado por outro conhecido coronel da região, Horácio de Mattos. Nas paredes desse templo católico do século 19, ainda podem ser vistas as marcas de balas que lembram esse episódio. Sua fachada principal é flanqueada por cunhais e possui três portas encimadas pelo mesmo número de janelas, com vergas em arco abatido. A frente da construção tem a escadaria de pedra da entrada, e em cima tem um frontão escalonado ladeado por dois pequenos coruchéus, que são os arremates pontiagudos que ficam na parte de cima de torres ou campanários. Os beirais dos telhados terminam sobre cornijas, que servem para ocultar o telhado e impedir que as águas escorram pelas paredes, conhecida também como cimalha ou corônide. De grande importância para o povo seabrense, o Povoado de Campestre é marcado por momentos históricos relevantes para o município já que foi sede de Seabra até 1889 e ali ocorreram violentas batalhas entre os coronéis baianos, além de ter sido passagem da famosa Coluna Prestes, movimento político-militar brasileiro ligado ao “tenentismo” ocorrido entre 1925 e 1927. A “coluna” foi caracterizada por insatisfações com a República Velha, exigência do voto secreto, defesa do ensino público e obrigatoriedade do ensino primário. No entanto, apesar desse antigo apogeu, a Vila de Campestre atualmente possui população estimada em apenas 50 famílias totalizando cerca de 200 pessoas. Elas se dedicam à produção de banana e café. O acesso à Campestre é feito através de estrada de barro, distante cerca de 12 Km de Seabra. Diversas casas possuem portas e janelas em madeira, indicando arquitetura típica do final do século 18 e início do século 19. Em reconhecimento à importância dessa igreja a comunidade se mobiliza para a inserção do monumento histórico no roteiro de turismo cultural que está sendo construído pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia vinculada à Secretaria de Cultura (SecultBA), em parceria com o Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Levantamento dos patrimônios culturais da cidade está sendo feito por técnicos do IPAC a fim de identificar bens de valor histórico, cultural, arquitetônico e ambiental que precisam ser preservados. De acordo com a coordenadora de Educação Patrimonial do IPAC, Ednalva Queiroz, que já promoveu cursos no município, “a região tem importância histórica principalmente diante do cenário de lutas territoriais do coronelismo entre os séculos 19 e 20, por ter sido matriz da primeira sede de Seabra e, ainda, pelo acervo de imaginária barroca de grande qualidade”, diz Queiroz. Internamente a igreja apresenta piso em lajota de barro, passadeiras em pedra na parte central da nave e capela. Destacam-se ainda as imagens de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Rosário e o Senhor Morto, em madeira policromada. O roteiro cultural integrará o projeto “Circuitos Arqueológicos” do IPAC/UFBA. Desde 2008, o IPAC realiza pesquisas e mapeamento do acervo arqueólogico-cultural da região para criar esses circuitos, para serem visitados por turistas. Mais informações no sitewww.ipac.ba.gov.br. FOTOS anexas e no Flickr/SecultBA: http://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157626929195910/ Crédito Fotográfico obrigatório: Lei nº 9610/98 Assessoria de Comunicação IPAC – em 27.06.2011 – Jornalista responsável Geraldo Moniz Texto-base: assistente Ana Paula Nobre Contatos: (71) 3117-6490, ascom.ipac@ipac.ba.gov.br – Facebook: Ipacba Patrimônio – Twitter: @ipac_ba