Alugo Minha Língua realizará novo debate no Teatro Vila Velha na próxima sexta-feira, 30/setembro

28/09/2011
[caption id="attachment_13498" align="alignleft" width="402" caption="Foto: Léo de Azevedo "][/caption] Em mais uma noite com casa cheia, a equipe de Alugo Minha Língua inaugurou, após apresentação do espetáculo na última sexta-feira (23), no Teatro Vila Velha, o Línguas em Debate. O bate-papo faz parte de uma série de encontros onde atores, diretor Fernando Guerreiro, autor Gil Vicente Tavares e convidados discutem com o público os assuntos abordados na peça. O debate contou com a participação de dois convidados - o educador Jose Teixeira Neto, mais conhecido como Zelão, e o psicanalista Claudio Carvalho. Cerca de 50 espectadores permaneceram e participaram da conversa, que durou 1h, e deixou a nítida sensação, para os participantes, de que o assunto não se esgotou. O diretor Fernando Guerreiro relatou uma experiência vivida quando no processo de pesquisa deste espectáculo: “Entrei em salas de bate-papo sobre sexo e me chamou a atenção o fato de que ali as pessoas não utilizavam imagens de rostos como avatar, mas sim de partes do corpo. Colocavam pênis, vaginas, línguas, peitos e bundas e assim se apresentavam. Me assombrou toda aquela virtualização. Como eu poderia dialogar com uma bunda ou com uma vagina?!”. O psicanalista Cláudio Carvalho destacou o rico texto de Gil Vicente Tavares, segundo ele, construído com um jogo de palavras muito perspicaz. “Espero que a peça leve as pessoas à reflexão, porque o sexo é normal para os animais, por ser puro instinto. Quando o ser em questão é o humano que pensa e sente e às vezes racionaliza suas emoções, leva-se muito mais de si para o sexo com um parceiro do que apenas desejo carnal”. O educador Zelão comentou parte do texto de Gil Vicente Tavares - “Conhecer a mim mesmo é mais difícil do que conhecer várias outras pessoas” - para pontuar o alto nível de projeção de sonhos e expectativas que as pessoas fazem umas sobre as outras. Ele explica que no momento em que constata-se a impossibilidade de manipular o outro para a realização da sua afetividade, é como se as pessoas deixassem de querer se relacionar, e então dá-se o acentuado índice de descarte ao outro, as relações fugazes e não mais duradouras. Os atores contaram como o texto de Alugo Minha Língua chegou a cada um deles, como deu-se o processo de contrução do espetáculo, o que precisaram descobrir durante os ensaios e como o nu em cena não os incomoda. As pessoas da plateia lançaram perguntas, mas a maior parte das participações foi marcada por reflexões de como a peça alcançou cada um dos presentes, declarando como o texto brincava com o espectador em um determinado momento, arrancando risos, e provocava silêncio e impacto no instante seguinte. Fernando Guerreiro declarou que “Vivemos uma polarização. Antes a sociedade mantinha casamentos vazios por anos a fio. Hoje, as relações são intensas, porém rasas, as pessoas se abandonam numa velocidade impressionante, têm dificuldade de aceitar o outro e de desvendar a si próprio também. Pode parecer um sonho, mas gostaria que esse texto causasse alguma reflexão sobre esta loucura toda que estamos vivendo”. Para a próxima sexta-feira, 30/setembro, já está confirmada a presença do psicanalista e professor universitário Alessandro Marimpietri, incansável pesquisador das demandas sociais contemporâneas, e do designer e diretor de arte Pedrinho da Rocha, criador de importantes marcas publicitárias, que avaliará o consumismo embutido nas relações atuais. SERVIÇO: Línguas em Debate - série de encontros pós-apresentações de Alugo Minha Língua quando: todas as sextas-feiras, até 14/outubro, às 20h Onde: Teatro Vila Velha Quanto: Gratuito para quem já pagou o acesso à peça - que custa R$20 (inteira) e R$10 (meia entrada) *Para saber mais sobre a peça: www.alugominhalingua.com