Índios discutem rumos da cultura estadual

21/10/2011

II Conferência Setorial de Cultura Indígena mobiliza 15 etnias

O colorido dos cocares e colares das mais diferentes tribos e etinias indígenas do estado da Bahia, deram um clima especial à II Conferência Setorial de Cultura Indígena, que aconteceu na manhã do dia 21 de outubro, no Hotel Vilamar, em Salvador. Realizada pela Secretaria Estadual de Cultura da Bahia (SECULT), o encontro integra as etapas preparatórias para a IV Conferência Estadual de Cultura que será realizada de 30 de novembro a 3 de dezembro de 2011 na cidade de Vitória da Conquista. “A proposta é de juntar as mais diversas perspectivas e reivindicações da cultura indígena, trazendo tudo isso para uma discussao com representantes do governo”, comentou o Cacique Payayá. “Temos a convicção de que esse esforço por parte do governo e dos índios não será em vão, está é uma grande oportunidade que nós temos”, completou o Cacique. O presidente da Cooperativa de Artesanato Pataxó, Tucun Pataxó, um dos representantes da etnia, também falou sobre as perspectivas de seu povo em relação à construção de uma política que dê visibilidade também ao índio. Na abertura da conferência, o chefe de Gabinete da SECULT, Rômulo Cravo destacou a importância de se estabelecer um diálogo amplo. “É necessário criar um ambiente onde se possa escutar a todos, mas principalmente, dar voz aos representantes indígenas para que elas possam colaborar como seu próprio desenvolvimento cultural”, avaliou. Continuidade e Tradição Arany Santana, diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias da Secult, destacou a importância da participação da juventude. “Esperamos realizar um amplo diálogo dentro dos seis eixos temáticos a serem discutidos hoje. Mas o mais importante é que isso seja feito pelas representações indígenas aqui presentes, principalmente pelos caciques mais jovens”. Arany revela que essa relação de idade acontece sempre na cultura, quando “os jovens representam a continuidade e a velha guarda a tradição”. Hirton Fernandes, coordenador do núcleo de culturas indígenas do Centro, destacou o processo de evolução verificado entre a primeira edição da Conferência Setorial de Cultura Indígena e o encontro atual. “É um amadurecimento da democracia e do diálogo com as lideranças. Uma evolução gradual que culminou neste momento onde os indios defendem suas propostas específicas para esta população e que possa ser incorporado ao Plano Estadual de Cultura, em fase de elaboração”.