Guerrilheiros da ditadura são anistiados na capital baiana

07/12/2011
A 53 ª Caravana da Anistia declarou anistiados 16 militantes políticos. Organizada pela Comissão Nacional da Anistia do Ministério da Justiça e pelo Grupo Tortura Nunca Mais da Bahia, a caravana pediu perdão , em nome do Estado, a todos os requerentes que participaram da solenidade ontem (6), no Palácio da Aclamação, em Salvador. Relatora do processo de anistia de Marighella na noite anterior, a conselheira baiana Ana Maria Guedes, isentou seu voto a dois guerrilheiros, um deles foi Juvenal Silva Souza, mais conhecido como Juvená da barraca de praia no bairro de Itapuã. Integrante da Comissão, Guedes afirmou que é muito difícil julgar o companheiro, pois ela vivenciou a história na época de militância. “Para o que Juvená passou e representa, tudo o que fizer por ele aqui, ainda é pouco”, falou emocionada. Diva Santana, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais da Bahia, citou na sessão a dificuldade da comprovação dos documentos de militantes que sofreram violações e que isso dificulta no processo para que eles sejam declarados anistiados. “A gente às vezes se debate com a lei fria por causa da falta de argumentos e provas. A lei coloca a gente na sociedade civil numa situação muito difícil”, disse, pontuando que vários arquivos foram queimados pelos militares da ditadura. Na mesma sessão, o secretário de cultura Antônio Albino Rubim, lembrou de Marighella e da importância do processo de anistia. “A secretaria de Cultura se sente extremamente honrada pela Caravana da Anistia. O dever da secretaria é não só apoiar a luta, mas acredito que tem que buscar a revisão da história” declara. Rubim falou que a secretaria tem buscado um local para que o Memorial Marighella Vive seja implantado. “A idéia é fazer um memorial mais amplo, que contemple a mais heróis” ressaltou o secretário, citando entre os guerrilheiros Lamarca e Zequinha, este, visto como herói pela cidade de Brotas de Macaúbas.