Biblioteca comemora 200 anos de acesso público ao livro

27/12/2011

Série de atividades movimentou a biblioteca pública mais antiga do Brasil e atraiu mais de 42 mil visitantes em 2011.

Neste ano de 2011, a Fundação Pedro Calmon/SecultBA realizou diversas atividades em comemoração aos 200 Anos da Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Barris), a primeira biblioteca pública do Brasil e da América Latina, que neste ano recebeu cerca de 42 mil visitantes. Dentre as várias ações culturais, aconteceram lançamentos, debates, palestras, além de apresentações artísticas e exposições que foram apresentadas ao público de todas as idades, em especial crianças, idosos, estudantes e pessoas com deficiência, que têm na biblioteca um atendimento especial. Os festejos foram iniciados no dia 13 de maio, data de criação oficial da biblioteca em 1811, e continuaram ao longo do ano. Um dos pontos altos da comemoração foi o lançamento, em novembro, durante a X Bienal do Livro da Bahia, da obra “A Biblioteca Pública da Bahia: dois séculos de histórias”, escrito por Francisco Soares, Laura Carmo, Carmem Aziz e Sisaltina Coelho. Atualmente, a unidade conta com um acervo de 600 mil exemplares, sendo 150 mil livros distribuídos em setores como o Braille, Periódicos, Documentação Baiana, Infanto-juvenil, Artes, Empréstimo, Pesquisa/Referência, Audiovisual e Obras Raras e Valiosas. A diretora da Biblioteca Pública do Estado, Kilma Alves, ressalta que, ao longo desses 200 anos, a biblioteca passou e continua passando por transformações que acompanham a própria evolução do mundo literário e das novas formas de pesquisa e públicos. “Em boa medida, as novas mídias nos trazem reflexões contínuas sobre nós, quanto biblioteca, de absorvemos essas múltiplas linguagens. Observamos que essa nova forma de comunicação traz um público diferente, mais crítico, que quer a informação além daquela impressa”, explica a bibliotecária, destacando o amplo processo de modernização já em andamento que prevê recursos da ordem de R$3 milhões, financiados pelo Ministério da Cultura, para compra de mobiliário e equipamentos, aquisição de acervo e reforma predial. Programação cultural A comemoração do aniversário da biblioteca contou com uma programação especial diversificada durante todo o ano. Para Kilma Alves, esse é o desafio para os próximos 200 anos, “a manutenção de uma biblioteca múltipla e atual que acompanha e se transforma para atender o seu publico, sempre de braços abertos”. O dia 4 de agosto de 2011 foi outra data a ser destacada neste ano de 2011, pois foi nesta data, na década de 1970, em meio à ditadura militar brasileira, que a biblioteca se instalou no bairro dos Barris, em sua sede própria, onde está até hoje. Neste dia, a unidade promoveu uma série de atividades como apresentações teatrais, música, palestra, bate-papo com artistas e  personalidades, um show musical do projeto Cabeça de Todos Nós e um Recital Poético com a atriz de cinema, teatro e telenovelas, Elisa Lucinda autora de oito livros e três CD’s. No ano do Bicentenário, a biblioteca lançou o projeto Tirando de Letra, que reuniu personalidades para bate papos descontraídos sobre a importância do livro e da leitura em suas trajetórias pessoas. Em 2011 foram realizados três edições do Tirando de Letra, nos dias 13 de maio, 4 de agosto e 28 de novembro, durante o encerramento do Novembro Negro da Fundação Pedro Calmon. Participaram do projeto personalidades como o ator e apresentador Jackson Costa, a jornalista Rita Batista, o músico Lazzo Matumbi, a cantora Juliana Ribeiro, a desembargadora Luislinda Valois, o compositor Vevé Calazaes, a escritora e advogada Jardilina Oliveira, o jovem escritor Gabriel Maciel, a escritora e bibliotecária Luiza Câmera, o antropólogo Vilson Caetano e a historiadora Cecília Soares, entre outros, que falaram sobre a ligação deles com a Biblioteca, o interesse pela leitura e como os livros ajudaram em suas carreiras. [caption id="attachment_17302" align="alignleft" width="351" caption="Foto: Camila Vieira"][/caption] Ainda nas comemorações aos 200 Anos da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, no dia 5 de novembro, foi realizada a IV Lavagem da Biblioteca, com cortejo saindo do Campo Grande em direção aos Barris. A lavagem “profano literária”, como ficou conhecida, comemora também o Dia da Cultura e marca anualmente, o início da programação do Novembro Negro da Fundação Pedro Calmon/SecultBA. A lavagem reuniu centenas de pessoas, que há quatro anos acompanham o cortejo puxado por um mini trio e formado por baianas, poetas, escritores, artistas, estudantes e populares. O tema da edição de 2011 foi “Ler é uma viagem. Embarque nessa!”. No diálogo do livro com as diversas linguagens artistas, a música esteve presente na Biblioteca em 2011, por meio de show que movimentaram o Quadrilátero e atraíram centenas de leitores. Entre os artistas presentes estiveram: Lazzo Matumbi, Saulo Fernandes, Larissa Luz, Tonho Matéria, Marcus Welby (comemorando os 70 anos de Roberto Carlos), Davi Moraes, Percussivo Mundo Novo, Os Multipétalos, Lucas Santtana, Orquestra Rumpilezz, grupo Opanijé, Márcia Short e Magary Lord, a principal revelação da música baiana na atualidade.