Rubem Valentim: 20 anos sem o artista da luz

03/01/2012
[caption id="attachment_17378" align="alignleft" width="368" caption="Foto: Silvestre Silva"]Foto: Silvestre Silva[/caption]

MAM realiza atividades abertas ao público com a proposta de ampliar o acesso à obra do pintor, escultor e gravador baiano

Foi em 1991 que a arte brasileira perdeu Rubem Valentim. Homem do povo, autodidata e amante da cultura afro e do candomblé, o artista baiano fez história como um dos mestres do Construtivismo. Nascido em Salvador, em 1922, iniciou sua produção em meados dos anos 1940, quando participou do movimento de renovação artística da Bahia, ao lado de artistas como Mario Cravo Jr., Jenner Augusto e Lygia Sampaio. Vinte anos após a sua morte – completados no dia 30 de novembro –, os traços característicos, as formas de base geométrica, o caráter místico e o legado de sua obra ainda são lembrados em diferentes partes do mundo. É por isso que, para marcar a passagem desta data e possibilitar o maior acesso à obra do artista, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) realiza uma série de atividades abertas ao público. A começar pela exposição Rubem Valentim – em cartaz no Casarão do museu até 12 de fevereiro –, com telas, serigrafias, esculturas e relevos que dialogam com as raízes africanas da cultura brasileira, por meio da qual o público pode conferir o legado deixado pelo artista, que mostrou a cultura da Bahia para o mundo. É o que explica o sobrinho e detentor dos direitos autorais de Valentim, Roberto Bicca. “Os fundamentos da arte dele vieram daqui: a miscigenação, a cultura negra. Mas ele ganhou destaque a partir de um prêmio que o levou a viver alguns anos na Europa. A contribuição internacional da sua obra vai ser muito reconhecida”, explica. Com a publicação do Manifesto Ainda que Tardio, Rubem Valentim – que sempre recusou as correntes artísticas estrangeiras – expõe suas idéias sobre a própria arte. Lá, ele afirma: ““minha arte tem um sentido monumental intrínseco. Vem do rito, da festa. Busca as raízes e poderia reencontrá-las no espaço, como uma espécie de ressocialização da arte, pertencendo ao povo”. Com a questão étnica muito ligada à sua produção artística, suas obras foram difundidas para diversas regiões do planeta. “Ele foi um homem grandioso, que estava à frente dos outros artistas. Teve sala especial na Bienal de São Paulo, em Nuremberg (Alemanha), em Cuba e em vários países. Até hoje, continua a ter grandes exposições”, afirma Celso Albano da Costa, profissional de arte e estudioso da obra de Valentim. Obra como objeto de estudo Com a proposta de ampliar o conhecimento do público de crianças, jovens e adultos, o MAM também promove atividades educativas que acontecem de terça a domingo, com inscrições gratuitas. Um delas é a Oficina de Postais, voltada para crianças a partir de 8 anos, que incentiva a criação de postais a partir dos símbolos presentes na obra de Rubem Valentim. Já a atividadeDo Bi ao Tri – Construindo com Simetrias tem como foco a criação de totens de papel explorando os elementos utilizados pelo artista, utilizando o desenho livre e a simetria como ferramentas. Daniel Souza, de 13 anos, participa das atividades há quase um ano. O desenhista mirim, que sonha em ser um artista famoso, já visitou a exposição e levou alguns amigos para participarem também. “Eu gosto de desenhar paisagens. É legal  participar das oficinas porque posso expressar o que sinto e também aprendo muitas coisas. Acho que estou desenhando melhor do que quando vim pela primeira vez”, enfatiza. Aos domingos, interessados de todas as idades podem participar da atividade Contação de Histórias e Mitos Africanos e Indígenas. Todas estas ações pretendem aproximar o público da produção de Rubem Valentim, reafirmando a importância que sua obra possui para o cenário das artes visuais brasileiras. Para mais informações sobre a programação, acesse o sitewww.mam.ba.gov.br.