10/01/2012
Além de uma nova política estadual de patrimônio, o IPAC realizou tombamentos e registros em 2011. O prédio da Associação dos Empregados no Comércio da Bahia, edificação que marca momento de ascensão da burguesia e expansão urbana no início do século XX em Salvador foi um dos bens tombados. A Usina Cinco Rios, localizada em Maracangalha, São Sebastião do Passe, fundada em 1912, também foi tombada. Ela remonta o Engenho Maracangalha do século 16 (1757). “É o terceiro monumento industrial da produção açucareira a ser tombado pelo Estado, já que antes foram tombados os engenhos de Baixo, em Aratuípe (2002), e o de Cajaíba, em São Francisco do Conde (2004)”, explica Mendonça.
Provisoriamente foram tombados o prédio e acervo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, em Salvador, e a antiga Vila do Parnaíba, hoje Iraporanga. No centro da Bahia, Município de Wagner, foram tombadas três edificações originadas por uma missão de presbiterianos norte-americanos em 1906. Eles construíram o primeiro hospital da Chapada Diamantina e criaram o primeiro curso superior de enfermagem da Bahia. “O complexo tem caráter arquitetônico-urbanístico excepcional e singular na Bahia, com prédios austeros, com características próximas do estilo Georgian, Colonial Americano, tributário do neoclassicismo, inspirado no neo-palladianismo”, atesta o diretor do IPAC.
Em 2011, também se iniciou o tombamento do primeiro poço de petróleo com produção comercial do Brasil, localizado na cidade de Candeias e com aval da Petrobras. Dentre os bens culturais intangíveis, foi registrado o Ofício dos Vaqueiros, reeditado o livro Festa da Boa Morte, da série Cadernos do IPAC, em uma nova edição bilíngüe, inglês e português, já que a manifestação integra o circuito internacional de turismo-étnico há muitos anos.
Estão em fase de conclusão para envio ao Conselho Estadual de Cultura (CEC), os dossiês de tombamentos dos Edifícios Sulacap e Caramuru, localizados em Salvador, e os registros da Festa do Bembé do Mercado, em Santo Amaro da Purificação, e dos Penitentes de Juazeiro, no noroeste da Bahia. Uma vez aprovados pelo CEC e decretado pelo governador, os bens passam a ter proteção definitiva do Estado. Foram iniciados levantamentos da Poligonal de Tombamento do Largo do Rio Vermelho, na capital baiana, e elaborados parâmetros para intervenção na Vila do Ventura, município de Morro do Chapéu, tombado provisoriamente desde 2004.
OBRAS e RESTAURAÇÃO
Com recursos federais do programa Prodetur NE e contrapartida do Governo da Bahia, o IPAC deu continuidade às intervenções nas igrejas do Rosário dos Pretos e do Pilar, em Salvador, a serem finalizadas em 2012. Foram liberados recursos no valor de R$6,9 milhões. Já pelo Monumenta, programa do Ministério da Cultura (MinC), continuaram as obras de restauração do centenário Cine Teatro Glória e do imóvel nº25 da Rua Ana Néri, em Cachoeira, com recursos de cerca de R$2,4 milhões.
Ainda em 2011 foram restauradas imagens sacras do Sagrado Coração de Maria da Igreja de Nossa Senhora das Mercês, imaginária da igreja de Nossa Senhora do Pilar, Santa Luzia, além da recuperação das fotografias em Barra do Mendes, da micro-região de Irecê e da Chapada Velha. Passaram por serviços de conservação os acervos do Centro Cultural Solar Ferrão, das coleções Lina Bo Bardi de Arte Popular, Claudio Masella de Arte Africana e das obras sacras do Museu Abelardo Rodrigues. Em 2011 receberam investimentos do IPAC/Secult o Museu Ilê Ohum Lailai – Casa das Coisas Antigas em um dos mais prestigiados terreiros de candomblé da Bahia, o Ilê Axé Opô Afonjá, o Museu de Cerâmica Udo Knoff, Museu Parque Histórico Castro Alves, Palacete das Artes – Rodin Bahia e Quartel dos Aflitos.
Através de programa de Editais, com recursos do Fundo de Cultura, o IPAC viabilizou cerca de R$1,5 milhão em investimentos em projetos da sociedade civil somente em 2011, com ações de preservação de acervos, exposições, obras de restauração, projetos de restauro, educação patrimonial, formação artística e valorização do patrimônio, dentre outros.