Protesto e irreverência marcam a manhã do carnaval da segunda-feira

23/02/2012
A irreverência desta segunda-feira, no carnaval de Salvador, ficou por conta da Mudança do Garcia. A manifestação, que este ano comemora 66 anos, junto à toda animação, propõe um momento de reflexão referente à situação social, econômica e política do Brasil, dentro do carnaval baiano. Além disto, se configura como uma manifestação totalmente popular e democrática dentro da folia baiana. "Somos o verdadeiro carnaval. Ainda hoje, desfilamos sem cordas, com idosos, crianças. Ainda somos uma conquista do povo", desabafa Wellington Fera, que há 25 anos puxa um trio na Mudança do Garcia. Apesar do atraso, milhares de pessoas se reuniram no fim de linha do bairro da Fazenda Garcia, bem próximo ao circuito Osmar, para acompanhar a saída dos blocos que invadem o Campo Grande e desfilam até a Praça Castro. Com homenagem ao sambista Riachão, o desfile deste ano buscou reforçar a proposta de nomear este circuito com o nome do compositor e sambista que tem 90 anos e é um dos moradores ilustre do bairro. Outra novidade deste ano, é que o desfile não contou com a presença dos jegues, tão comuns nas manifestações populares de Salvador. Cerca de 40 grupos desfilaram neste percurso, conduzindo foliões com camisas, fantasias e abadás dos mais diversos blocos, sendo que as entidades de samba, afro e reggae tiveram predominância. Dos grupos que saíram, o Pagodão do Caçote garante o samba e conduz a galera com o ritmo na palma da mão. O ''arrastão'' que já saí há 15 anos, conduziu cerca de 600 pessoas até a Rua Chile. Celso Melo, fundador e presidente da instituição, diz que sair do Garcia é uma tradição que impulsiona o desfile na Avenida. "A proposta é animar o povo", conclui Celso, empolgado com o samba que rolava ao fundo. Já Roqueline Pinheiro, dançarina e percussionista, reforça a importância do bloco para manutenção das manifestações populares: "Aqui, a rua é nossa. Usamos o que quisermos, ficamos em qualquer espaço e as câmeras são nossa". O Pagodão do Caçote e o Afrobogum são as duas instituições da Mudança do Garcia contempladas pelo Programa Ouro Negro, instrumento de apoio ao desfile de blocos de matriz africana, criado em 2009, pela Secretaria de Cultura da Bahia. Em 2012, o programa contempla 126 entidades, entre afoxés, bloco afro, de índio, de samba, de reggae e de percussão, com um investimento de R$ 5,305 milhões.