23/02/2012
O ritmo e as cores dos afoxés e blocos de índios não poderiam faltar no Carnaval da Diversidade. Mais uma vez, eles mostraram a força e a riqueza cultural da Bahia ao desfilarem, na noite deste domingo (19), no circuito Osmar, enchendo o Campo Grande de alegria.
"Foi com muita dificuldade que conseguimos colocar o bloco na rua", desabafa Jorge Gonzaga, diretor do Comanches do Pelô, criado em 1975. O investimento da SecultBA, por meio do Programa Ouro Negro, foi o único apoio que o bloco recebeu para desfilar. "É preciso muita paixão, muita dedicação mesmo para mantermos viva essa festa tão tradicional", salientou.
Assim como o Comanches, o Apaxes do Tororó resistiu às dificuldades e procurou se adaptar as transformações culturais, mantendo presente na folia às referencias à cultura indígena. Pioneiro no segmento, quando o Apaches foi criado em 1968, os foliões desfilavam com cocares, penachos e rostos pintados, como fazem muitas tribos indígenas. Atualmente, os associados utilizam abadás, já não se pintam, mas o samba continua sendo o ritmo preferencial. Este ano, o Apaxes do Tororó desfilou com o grupo de samba Bambeia e a sambista Gal do Beco, ambos fantasiados como indígenas. "Tivemos que nos redirecionar para não sermos atropelados pelo carnaval comercial. Pode ser de índio ou sem índio, eu vou de Apaxés", afirma Elza Maria, comerciante, vestida como uma indígena.
Assim como os blocos de índios, os afoxés possuem queixa sobre a comercialização do carnaval. Antônio Nascimento, diretor do afoxé Gangazumba, se queixa da falta de apoio por parte da iniciativa privada. "O Estado já faz a sua parte, através do Programa Ouro Negro. Está na hora dos empresários também pensarem na importância de se preservar as nossas tradições". O afoxé Gangazumba é vinculado ao Terreiro Ilê Axé Adebola, em Areia Branca.
Além destes, o circuito Osmar recebeu o desfile de instituições afro e percussivas. Abrindo os desfiles da noite, o bloco Mutantes trouxe o grupo Viola de Doze, revelando sua diversidade musical, já que nos primeiros dias de desfile, a estrela do bloco foi o cantor de arrocha, Pablo. Os Filhos de Olorum, o afoxé Kambalagwaze e Os Negões marcaram presença com suas fortes percussões e alas de dança. O Blocão da Liberdade, com o grupo Movimento e o bloco Os Negões, que está completando 30 carnavais este ano, garantiram a presença do samba e da percussão, na madrugada de segunda.
Todas as entidades citadas integram Carnaval Ouro Negro, programa de apoio ao desfile de blocos de matriz africana, criado em 2009, pela Secretaria de Cultura da Bahia. Em 2012, o programa contempla 126 entidades, entre afoxés, bloco afro, de índio, de samba, de reggae e de percussão, com um investimento de R$ 5,305 milhões.