Novas estrelas dão brilho ao Carnaval da Diversidade

23/02/2012
Jorge Amado dizia que os Capitães de Areia passavam noites a olhar as infinitas estrelas do céu da Bahia. A mesma coisa fizeram os foliões no Carnaval. A lua minguou, sumiu, mas de cima dos trios elétricos brilharam luzes, dançaram cores e a música mostrou a direção a seguir. Este ano, estrelas não foram sempre as mesmas. A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT-BA) mostrou outras constelações. Algumas já conhecidas do Carnaval, como Ilê Aiyê, Cortejo Afro, Gerônimo, Banda Didá, Tonho Matéria e Olodum. Teve espaço também para quem quis ocupar seu lugar no céu de Momo: Ministereo Público, Baiana System, Márcia Castro, Camisa de Vênus, Aline Calixto. Todos, divididos pela Secult, nos quatro programas oficiais do Carnaval: Ouro Negro, Pelô, Pipoca e Maragojipe. São centenas de atrações gratuitas nos principais circuitos da cidade. As cordas foram suspensas e milhares de pessoas seguiram os blocos, cantaram rock, samba, reggae, hip hop, MPB, música eletrônica e instrumental e transformaram a folia no mais democrático Carnaval da Diversidade. Ouro Negro – O Ouro Negro apoiou mais de 126 entidades de afoxés, blocos afro, de índio, de samba, de reggae e de percussão, que se apresentam até terça-feira nos circuitos Batatinha (Centro Histórico), Dodô (Barra) e Osmar (Campo Grande). O investimento foi de mais de R$ 5,3 milhões. Saíram pelo Ouro Negro desfiles que já fizeram história em Salvador, como Ilê Ayê, Malê de Balê, Olodum, Filhos de Gandhi, Ijexá da Bahia, Bankoma, Apaxes do Tororó, Cortejo Afro e Muzenza. A programação completa e fotos de cada atração podem ser encontradas na página da Secult (www.secult.ba.gov.br). "O Carnaval Ouro Negro é um dos programas mais significativos criados pela Secretaria da Cultura do Estado da Bahia. Ele é um justo apoio a um conjunto de manifestações, como afoxés, blocos afro, de samba, de percussão, de reggae de Salvador e Feira de Santana, vital ao carnaval contemporâneo da Bahia", explica o Secretário de Cultura Albino Rubim. Pipoca, Pelô e Maragojipe – Os circuitos Dodô e Osmar ganharam atenção especial no Programa Pipoca. Lá, Rock, reggae, samba, axé, MPB entraram no repertório de mais de 70 atrações que participaram de 20 trios elétricos. Cantores consagrados, como Lazzo, Tonho Matéria e a Banda Didá, foram chamados para conduzir a folia em companhia de novos talentos como Karina Buhr e Márcia Castro. O investimento foi de 900 mil. No já tradicional Carnaval do Pelô, a Secult decorou todo a região do Centro Histórico com referências a Jorge Amado. Mais de 53 artistas foram escalados para animar adultos e crianças nas praças Tereza Batista, Pedro Arcanjo, Quincas Berro d''Água, Praça das Artes e Largo do Pelourinho. São pelo menos duas atrações por dia, como Armandinho e Cascadura, e um investimento total de R$ 583 mil. "No Pelourinho, se misturam fenômenos tão distintos como bailes infantis, samba-reggae, música eletrônica, forró, frevo, samba, orquestra, orquestas, marchinhas e muitos outros gêneros", conta Rubim. Em Maragojipe, a festa de mais de 100 anos é conhecida pelas máscaras, caretas e fantasias que remetem à influência européia do século XIX e também à música percussiva e comportamento do antigo ''entrudo'' afro-brasileiro. A cidade fica no Recôncavo Baiano, a cerca de 130 km de Salvador. O carnaval de Maragojipe já é, desde 2007, patrimônio imaterial da Bahia.