23/02/2012
Festa de tradições, tombada como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia, foi apoiada pelo programa Outros Carnavais, da SecultBA
Com uma tradição de 180 anos, o Carnaval de Maragojipe, cidade do Recôncavo Baiano, reflete a cultura popular de sua comunidade e influências ibéricas e afro-indígenas, numa festa de máscaras, caretas, fantasias, marchinhas, charangas, orquestras, apresentações de grupos culturais e diversas manifestações espontâneas da população. Tombada como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia em 2009, a folia de 2012 se iniciou na sexta-feira, 17 de fevereiro, com a passagem dos Blocos do Silêncio, depois foi oficialmente aberta no sábado (18), com a entrega da chave da cidade ao Rei Momo, e seguiu programação até terça-feira, dia 21, quando o secretário de Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim, visitou a cidade. O reconhecimento do Carnaval de Maragojipe como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado da Bahia se dá através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), que pesquisou e criou o dossiê do Carnaval de Maragojipe como patrimônio intangível baiano. Para difundir esse bem cultural, o IPAC lançou um livro – disponível para download no site www.ipac.ba.gov.br –, com fotos, artigos e um DVD-documentário sobre a festa maragojipana. Em 2012, as manifestações que mantêm as peculiaridades do Carnaval de Maragojipe foram apoiadas pela SecultBA através do programa Outros Carnavais, que investiu R$ 270 mil no evento. Este aporte financeiro foi aplicado pela Prefeitura de Maragojipe, através da Secretaria de Cultura e Turismo do município, em ações que reforçaram as características e a visibilidade da folia local. A verba se destinou à contratação de orquestras e filarmônicas – a Oficina de Frevos e Dobrados, de Fred Dantas; a Orquestra Popular de Maragojipe; a Orquestra da Filarmônica Terpsícore; Tatay e Orquestra; Iracema e Orquestra; Ikom Mathony e Orquestra; Edson Soares e Orquestra; Ronaldo Luis e Orquestra –, que fizeram diversas apresentações nos dias de folia e no Grito do Carnaval, evento realizado no domingo anterior ao Carnaval (12/2), quando os festejos foram antecipados com a coroação do Rei Momo, da Rainha e Princesas, o V Festival de Marchinhas de Maragojipe e show de Armandinho, Dodô & Osmar – tudo transmitido ao vivo pela TVE. Estes shows financiados aconteceram em dois dos três diferentes palcos montados na cidade: o principal da festa, localizado na Praça Ermezindo Mendes – Praça da Matriz, temporariamente batizada de Praça dos Foliões, e o Coreto da Praça dos Mascarados. Toda a programação musical do Coreto da Praça dos Mascarados, aliás, foi realizada através do apoio – afinal, no ambiente mais tradicional do Carnaval de Maragojipe, é preciso haver trilha sonora para o espetáculo que se vê na performance da população. As atrações refletiam a intenção de promover um Carnaval diverso, que atendeu a públicos variados de forma qualificada, incluindo as bandas Suinga e Valdir Toca Raul. Apresentações de charangas e de manifestações populares pelas ruas da cidade também foram focadas. Entre os exemplos, estiveram o Samba de Roda Filhos de Coqueiros (representando a música típica do Recôncavo Baiano), a Zambiapunga (antigo culto de ancestrais de origem africana e tradição rural, transformado na Bahia em folguedo folclórico, conduzido por som percussivo e reunindo participantes vestidos de forma bastante colorida), Caretas de Acupe (surgido em meados do século XIX, grupo reúne pessoas com máscaras artesanais feitas de papel machê e roupas coloridas, tocando chocalhos e manguás, ao som do samba de roda) e Nêgo Fugido (também oriundo de Acupe, distrito do município de Santo Amaro, encena, desde o início do século XX, a perseguição, captura e libertação dos escravos escapados do domínio de seus senhores, numa interpretação feita por figurantes negros, que acentuam sua cor com emprego de óleo de cozinha e carvão sobre a face e corpos). O apoio da SecultBA também foi investido na decoração da cidade, inspirada em máscaras e caretas e espalhada em todos os cantos do município, e no material gráfico de divulgação da festa. Ainda possibilitou a realização dos eventos do “Concurso de Mascarados e Fantasias” e “Concurso dos Blocos do Silêncio”, que são mais uma motivação para a população ir às ruas mostrando o capricho da tradição de colorir as ruas maragojipanas com máscaras e fantasias. Os Blocos do Silêncio são grupos de “fantasmas”, “almas penadas” e “monstros” que, há mais de um século, desfilam pelas ruas na noite da sexta-feira carnavalesca, anunciando ao povo que já é Carnaval. Todo este trabalho atraiu à cidade um público 30% maior do que no ano de 2011, segundo estimativa da Secretaria de Cultura e Turismo de Maragojipe (dados oficiais serão divulgados na semana posterior à do Carnaval). No ano passado, entre 17.000 e 20.000 pessoas curtiram a festa a cada dia – o que significa que, este ano, cerca de 22.000 a 26.000 foliões ocuparam os espaços públicos diariamente. Outra informação dada pela Secretaria de Cultura e Turismo de Maragojipe é a de que, antes, os visitantes costumavam ir à cidade para passar apenas uma tarde ou noite, hábito que em 2012 revelou-se alterado: muitos turistas ocuparam 100% da capacidade da rede hoteleira local, todos os dias. E estes turistas, antes essencialmente oriundos da própria região do Recôncavo, são agora visivelmente vindos de todo o estado, de todo o Brasil e também do exterior.
Intercâmbio Cultural – O Carnaval do Pelourinho, outro programa realizado pela SecultBA no Carnaval de Salvador, recebeu grupos culturais de Maragojipe, entre orquestras, charangas e blocos de mascarados, que ocuparam as praças do bairro mostrando suas tradições. A viagem e a produção destas apresentações foram realizadas pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), da SecultBA.
O CCPI também foi o articulador da ação de intercâmbio que levou representantes e grupos culturais do Carnaval de Maragojipe para a inauguração da nova quadra da Escola de Samba Portela, no Rio de Janeiro, em 4 de fevereiro, quando os Mascarados Tradicionais e a Orquestra Popular de Maragojipe foram estrelas do evento. No Carnaval carioca de 2012, dentro do Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Escola de Samba Portela homenageou as Festas Populares da Bahia, e dedicou uma ala ao Carnaval de Maragojipe, em desfile no último domingo, 19 de fevereiro, no sambódromo do Rio de Janeiro.
Os momentos da temporada prévia no Rio de Janeiro, entre os dias 2 e 5 de fevereiro, numa comitiva da Bahia e de Maragojipe, tendo o Governo do Estado representado pelo secretário de Cultura da Bahia, Albino Rubim, foram registrados pela TV Educativa da Bahia, gerando um vídeo de aproximadamente sete minutos, já exibido em praça pública de Maragojipe no evento do Grito do Carnaval.
