12/03/2012
Avaliação coletiva do projeto aponta foco na formação de plateia e importância da ampliação de recursos para a iniciativa
A Temporada Verão Cênico 2011, que promoveu 180 apresentações teatrais em Salvador e em cinco cidades do interior baiano e foi responsável por levar mais de nove mil pessoas ao teatro, foi avaliada com a participação de gestores de teatros, produtores, diretores e artistas, envolvidos e não-envolvidos com o projeto, inclusive pessoas vindas do interior. O encontro, realizado no Conselho de Cultura da Bahia, nasceu a partir de demandas apresentadas pela sociedade em reuniões de discussão sobre o Teatro da Bahia e teve seus resultados apresentados e debatidos para o aprimoramento das futuras edições. Para se ter uma idéia da dimensão do evento de 2011 - executado inicialmente como um projeto-piloto pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), através da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB) e Centro de Cultura Populares e Identitárias (CCPI) – a programação envolveu cerca de 130 artistas em 34 espetáculos de palco, além de 34 grupos de teatro amador e 10 grupos de teatro de rua, que fizeram encenações em espaços diversos, somando ainda mais números à quantidade de público alcançado. Na oportunidade, pontos positivos foram destacados, assim como as oportunidades de melhorias para as próximas Temporadas. Entre as questões a serem aperfeiçoadas estão a qualificação de ações para a formação de platéia, bem como ampliação do orçamento, dos valores de cachê, do número de apresentações e da circulação de espetáculos entre cidades – nesta edição, sete espetáculos de Salvador circularam em outros municípios, dois espetáculos do interior se apresentaram na capital e mais seis espetáculos do interior itineraram em outras cidades. Ainda no debate, destacaram-se os pontos da utilização do valor de R$ 1,0 para ingressos e sua efetividade como estratégia de formação de platéia, com opiniões que se equilibraram na defesa e no desacordo a esta prática; a necessidade do aumento dos cachês e da inclusão de outros espaços no projeto, na capital e no interior; a divulgação e o período de execução da temporada, com sugestão de que se encerre antes do carnaval. A avaliação foi aberta ao público pela diretora da FUNCEB, Nehle Franke, com a presença do diretor de Artes da FUNCEB, Alexandre Molina, do ex-coordenador de Teatro da FUNCEB, Elísio Lopes – então responsável pela execução do projeto –, e consolidou a importância do debate para a melhoria das ações planejadas. Ainda na oportunidade, a FUNCEB apresentou aos presentes um levantamento de informações sobre a Temporada Verão Cênico 2011/2012. Além dos conteúdos que justificaram e abalizaram a criação do projeto e dos seus desdobramentos, foram expostos dados e opiniões do público que frequentou a programação, recolhidos em entrevistas feitas nos locais de apresentações. De acordo com esta análise, na capital, os espectadores foram, em sua maioria, jovens adultos, entre 21 e 30 anos, que não necessariamente moravam na região dos teatros, atraídos especialmente pelas peças que seriam encenadas; já no interior, a proximidade dos centros de cultura que abrigaram os espetáculos e o valor do ingresso, a R$ 1,, foram os fatores mais relevantes de comparecimento para um público que equiparadamente se dividiu nas diversas faixas de idade. A grande maioria de todo o público, destacadamente do interior, considerou como “ótima” a questão do preço popular, bem como foi praticamente unanimidade a aprovação pela continuidade do projeto. Artistas envolvidos em teatro devem ficar atentos, pois já está planejada a realização de chamadas públicas também para o teatro amador e teatro de rua e a aplicação de uma pesquisa de público e resultados qualificada. Formas e incentivo e desdobramentos a partir do projeto, tais como os já ocorridos nesta primeira experiência, como o amostrão de teatro de rua, também são analisadas. Mais sugestões foram a inserção de outras linguagens artísticas na programação; a consolidação de parceria com os municípios, tendo as prefeituras como apoiadoras e promotoras de divulgação local; registro sistemático das apresentações em fotos e filmes; valorização dos atores e diretores nas ações de comunicação, que devem ainda privilegiar as comunidades mais carentes, dentre outras.
