Salvador recebe exposição itinerante Transit

15/03/2012

Mostra entra em cartaz com recortes de uma das maiores coleções de arte africana contemporânea do mundo

Salvador é a primeira cidade brasileira a receber a exposição coletiva Transit, que entra em cartaz no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) no dia 26 de março, às 19h. Com curadoria do baiano Daniel Rangel e do angolano Fernando Alvim, a mostra fará um tour pelo Brasil durante os próximos dois anos, trazendo recortes da maior coleção particular de arte contemporânea africana do mundo – pertencente à Fundação Sindika Dokolo, de Angola. Pinturas, desenhos, gravuras, vídeos, fotografias, esculturas, vestimentas e instalações somam mais de 100 obras que vão circular pelo País até 2014. Na mostra Transit_Salvador, 25 obras de 12 dos mais importantes artistas africanos – Abdoulaye Konaté, Bili Bidjocka, Ihosvanny, Ingrid Mwangi, Minnette Vari, Mounir Fatmi, Ruth Sacks, Samuel Fosso, Seydou Keita, Tracey Rose, Yinka Shonibare e William Kentridge – ficarão expostas no Casarão e na Capela do MAM. Além deles, integram a exposição os trabalhos do artista visual norte-americano Nick Cave e dos europeus Robert Hutter – em parceria com Ingrid Mwangi – e Loulou Cherinet, que mantêm estreita relação com a diáspora africana. No mesmo dia da abertura, às 17h, Daniel Rangel e Fernando Alvim estarão no Encontro com os Curadores, evento aberto ao público que acontece no Cinema do MAM, para uma conversa sobre a concepção da mostra e as obras que serão expostas. De acordo com Daniel Rangel, a proposta de Transit é explorar a estética dos artistas e mostrar a heterogeneidade presente na produção africana atual. “Nós não negamos as origens da arte africana, mas queremos possibilitar novas abordagens e inserir outras referências no imaginário das pessoas”, ressalta Rangel. As obras escolhidas já participaram de importantes exposições, entre elas África Remix, uma das primeiras no mundo a abordar novos olhares em relação à arte contemporânea africana. Individualmente ou em grupo, os artistas que integram esta mostra já participaram de alguns dos mais importantes eventos das artes visuais no mundo. William Kentridge alia política e poesia em obras realizadas em múltiplas linguagens, obtendo amplo reconhecimento da crítica e do público. Com a utilização de técnicas gráficas, suas obras audiovisuais revelam a fragilidade e a solidão do homem contemporâneo na sociedade. Yinka Shonibare mescla referências para abordar temas sobre raça, identidade, história e alienação, por meio de uma estética rica em simbolismos. O artista impressiona ao questionar a noção de identidade e cultura através de suas instalações, compostas por manequins e roupas feitas com tecidos africanos que retratam cenas históricas inusitadas. Já o escultor, dançarino e artista performático Nick Cave utilizou suas técnicas de costura para criar uma série de obras que se adaptam e vestem o corpo humano. A forma singular como cada obra é concebida confere àquele que o veste uma nova identidade, tal como acontece no teatro. Trata-se de uma nova descoberta das limitações performáticas, da linguagem do corpo e da relação que as pessoas mantêm com o espaço. O fotógrafo autodidata Seydou Keita se especializou em portraits, produzindo fotografias da sociedade de Mali, na transição de colônia francesa para país independente. O artista deu ênfase ao retrato, à luz e ao enquadramento, equilibrando formalidade com um notável nível de intimidade. É reconhecido como o pai da fotografia africana e um dos maiores fotógrafos do século XX.

PORTA DE ENTRADA – Daniel Rangel explica que a escolha de Salvador como primeira cidade a receber a exposição foi feita a partir da relação que esta mantém com a história e cultura africanas. “A primeira questão é a afetividade do povo baiano e a curiosidade das pessoas sobre a África. O caminho natural das obras é chegar primeiro à Bahia, assim como sempre aconteceu historicamente com intercâmbio do Brasil com a África”, conforme enfatiza. Além disso, o curador destaca o Solar do Unhão – onde está localizado o MAM-BA – como um local de importância histórica, adequado para receber a exposição. Alguns trabalhos, inclusive, foram inseridos na mostra em função do desenho do espaço em que ficarão expostas, dialogando com a arquitetura do museu. Exemplo disto são os trabalhos de William Kentridge, que serão abrigados na Capela do MAM. Já o Casarão receberá obras que serão agrupadas a partir dos temas ou materiais utilizados. Moda, pessoas e cidades são algumas das temáticas abordadas pelas obras expostas no local. >> Mais informações no blog do MAM Exposição: Transit_Salvador Abertura: 26 de março, às 19h Local: Casarão e Capela do MAM Visitação: De 27 de março a 29 de abril Horários: Terça a domingo, das 13h às 19h, e sábados, das 13h às 21h. Entrada gratuita End.: Museu de Arte Moderna da Bahia, Av. Contorno, s/n, Solar do Unhão Informações: (71) 3117 6139