30/07/2012
Mais de 500 pessoas compareceram à “Noite para Clementina”, que contou com exposição fotográfica, exibição de filme e shows com diversos artistas
O Cine Teatro Solar Boa Vista, um dos Espaços Culturais da SECULT, realizou no dia 19a Noite para Clementina, evento que reuniu um público de cerca de 500 pessoas e 45 artistas, para prestigiar a sambista e ícone da música brasileira, Clementina de Jesus. A noite teve inicio às 18h, com a abertura de uma exposição fotográfica que contava um pouco da história da cantora. Às 19h aconteceu a exibição do documentário Clementina de Jesus: Rainha Quelé e logo em seguida,às 20h, o show musical No Quintal de Quelé, que reuniu vários cantores baianos cantando canções do repertório de Clementina, fechou a programação. O evento também contou com a presença de Werinton Kermes e Míriam Cris Carlos, diretor e roteirista de Clementina de Jesus: Rainha Quelé. Um bate papo aconteceu após a exibição do documentário, onde Werinton comentou sobre o desafio que foi a pesquisa, produção e realização de tal filme, além da grande satisfação que tem em homenagear tal figura que apesar de muito importante na cultura musical brasileira, pouco é lembrada e devidamente reconhecida por muitas pessoas. Clementina de Jesus foi uma cantora negra carioca, nascida na cidade de Valença, só descoberta aos 62 anos. Dona de casa e empregada doméstica, Clementina teve afinidade com a música desde criança, enquanto observava sua mãe cantar antigos cânticos de escravos. Dona de uma voz grossa e marcante, Quelé, carinhosamente apelidada pelos amigos, chamava atenção pela sua simplicidade e afinação, e foi a responsável por trazer o Vissungo – cânticos dos escravos – aos palcos brasileiros, além de mesclá-los com o samba e músicas modernas. Ela chegou a se apresentar diversas vezes com artistas consagrados da música popular brasileira, como Paulinho da Viola, Pixinguinha e João Bosco. No show que encerrou a noite, No Quintal de Quelé, foram conferidos muitos dos sucessos que Clementina gravou ao longo da sua carreira. Interpretadas por artistas baianos, músicas como Pergunte ao João, Marinheiro Só, Não Vadeia,Me Dá o Meu Boné, Boca de Sapo fizeram o público cantar e dançar na sala principal do Solar. Os artistas se apresentaram sempre em parcerias e chamavam o público a também participar e compor a festa. Para Chicco Assis, coordenador do espaço e responsável pela produção e direção artística junto à Juliana Ribeiro, “… homenagear Clementina no Solar Boa Vista, lugar onde já morou o poeta abolicionista Castro Alves, já foi engenho, senzala e hoje abriga uma população prioritariamente negra, é reforçar as raízes afrodescendentes da nossa música, da nossa arte, da nossa cultura. Clementina de Jesus é o maior ícone da música afro-brasileira (…). Dividir palco com tantos artistas que voluntariamente atenderam ao chamado da Rainha Quelé, ver a platéia do Solar repleta de diversidade em idade, gênero, raça, condição sócio econômica, todos ecoando a voz de Clementina, foi uma emoção sem tamanho. O pontapé inicial foi dado.” Juliana Ribeiro também ressaltou a importância de Clementina de Jesus como um todo, desde suas raízes, já que seu pai veio da África, a sua experiência como sambista: “Ela é essencial, única. Costumo dizer que Clementina canta 300 anos de história em três minutos de canção. Ela é toda sua história, ser descoberta aos 62 anos foi só a ponta do iceberg.” E em relação à Noite para Clementina, Juliana acrescenta: “Superou todas as expectativas (…) a vinda de Werinton foi importantíssima, nunca vi o Solar tão cheio. Foi o primeiro passo para trazer a memória de Clementina, pois ela nunca está no centro, sempre é tratada como apêndice. Precisamos levar Clementina para quem não conhece e tratá-la como personagem principal.”
